Mayra Monteiro/ DOL – O terceiro dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) foi dedicado ao fortalecimento de pessoas e comunidades na agenda ambiental. Sob o tema “Empoderar e Capacitar Pessoas para Acelerar o Progresso”, a programação desta quarta-feira (12) destacou políticas de saúde, emprego, educação, cultura, direitos humanos e justiça climática como pilares da transição para uma economia verde e inclusiva.
Entre os principais momentos do dia esteve o lançamento da Iniciativa Global “Empregos e Competências para a Nova Economia”, que apresentou um relatório com diretrizes voltadas à geração de trabalho e à capacitação profissional para o novo cenário econômico sustentável.
O evento também promoveu debates sobre integridade da informação climática, com foco em estratégias para combater a desinformação e fortalecer a confiança pública nas políticas ambientais, além do Evento Ministerial de Alto Nível sobre Adaptação Indígena, que discutiu soluções locais lideradas por povos e comunidades tradicionais, reforçando o papel dos saberes ancestrais na preservação dos ecossistemas.
Durante o intervalo do almoço, foram apresentados o Plano de Aceleração de Soluções (PAS) e a Declaração Ministerial sobre Compras Públicas Sustentáveis, que propõe diretrizes para que governos priorizem produtos e serviços de menor impacto ambiental.

Transição verde e novas oportunidades de emprego
Ao abrir uma das mesas de debate, Ana Toni, CEO da COP30, destacou que a transição para uma economia verde deve colocar as pessoas no centro das decisões. Ela reforçou que o tema do dia, empoderar e capacitar, está diretamente ligado à criação de empregos e ao desenvolvimento de habilidades que sustentem a nova economia. “Com os países reunidos, precisamos trazer ainda mais parceiros para essa agenda. O relatório que estamos lançando hoje mostra números muito fortes sobre o potencial da transição na geração de trabalho. Temos três grandes objetivos nesta COP: fortalecer o multilateralismo, acelerar a implementação e traduzir o que fazemos aqui em benefícios reais para as pessoas”, afirmou Toni.
Segundo ela, o emprego e a capacitação profissional estão no coração desses três objetivos.
“Ontem, em uma reunião com o governador da Califórnia, ouvimos algo muito claro: para que as políticas climáticas tenham apoio, é preciso mostrar à população como ela se beneficia delas. E a forma mais concreta de mostrar isso é por meio do trabalho e das habilidades que permitam às pessoas se sentirem parte da transição”, disse.
Ana Toni destacou ainda a importância de envolver jovens e trabalhadores de países em desenvolvimento, enfatizando que uma transição justa precisa ser também inclusiva e equitativa.
“As pessoas não podem se sentir parte dessa mudança se forem deixadas de fora. Precisamos incluir os jovens, requalificar trabalhadores e apoiar os países que mais precisam. O presidente Lula já falou da importância de focar em trabalho e requalificação, mas precisamos de muito mais, de governos estaduais, nacionais e de toda a comunidade internacional”, afirmou.
Ela anunciou que a presidência brasileira da COP30 planeja liderar um esforço global para ampliar o número de países envolvidos na agenda de capacitação e empregos verdes.
“Estamos apenas começando a presidência do Brasil nesta COP, e temos o próximo ano inteiro para avançar. Vamos promover novas reuniões, envolver mais países e buscar parcerias para fortalecer essa grande mobilização por qualificação e geração de trabalho sustentável. Queremos chegar a 2026 com esse tema ainda mais forte”, concluiu.
Alemanha defende políticas claras e metas de longo prazo
O representante do Ministério Federal do Meio Ambiente da Alemanha, Jochen Flasbarth, reforçou a importância de definir políticas e metas claras para orientar a transição justa.
“No passado, nossa prioridade era proteger empregos existentes. Agora, entendemos que precisamos olhar para o futuro. Se tivéssemos sido mais claros sobre onde queríamos chegar, poderíamos ter guiado melhor as empresas e os trabalhadores”, afirmou.
Flasbarth também destacou o papel das mulheres na liderança de iniciativas climáticas e a necessidade de investir em qualificação para setores estratégicos, como construção sustentável e mobilidade verde.
Equidade e inclusão são essenciais para a transição, diz ONU
Para Noura Hamiadji, secretária-executiva adjunta da UNFCCC, qualquer transição só terá sucesso se colocar as pessoas no centro das decisões.
“Os empregos estão no coração da vida humana. Sem trazer as pessoas juntas, não há transição justa possível”, afirmou.
Ela alertou, no entanto, para as desigualdades geográficas nos investimentos verdes. Embora o mundo já tenha alcançado US$ 2 trilhões em investimentos em energia renovável, apenas 2% desse total chegou à África. “Precisamos garantir que o progresso seja global e equitativo. A negociação climática deve trazer resultados concretos para o trabalho e a inclusão social”, completou.
Relatório propõe agenda de ação com foco em qualificação e financiamento
A coautora do relatório e diretora da Systemiq, Liesbet Steer, destacou que a economia verde deve ser vista como uma oportunidade de investimento em capital humano, e não apenas como um gasto social. “Precisamos tratar empregos e habilidades como investimento — tão importante quanto infraestrutura. Países como Singapura já envolvem o setor privado por meio de incentivos e créditos fiscais”, exemplificou.
Steer reforçou que apenas 0,5% do financiamento climático global é direcionado para políticas de emprego e defendeu um esforço conjunto de governos, empresas e instituições multilaterais para reverter esse quadro.
Compromisso com o futuro
Com debates voltados à capacitação, equidade e inovação, o terceiro dia da COP30 consolidou a mensagem de que a transição climática só será bem-sucedida se também for uma transição social.
O encontro marcou o início de uma nova etapa na discussão global sobre o papel do trabalho e das competências na construção de uma economia verde, justa e sustentável — colocando as pessoas, e não apenas o carbono, no centro da ação climática.
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