Ronald Sales – Nesta quarta-feira, 12 de novembro, a Baía do Guajará, em Belém, se torna o palco de um evento histórico que reunirá mais de 200 embarcações e cerca de 5 mil pessoas. Este ato simbólico faz parte da Cúpula dos Povos, um evento paralelo à COP30, onde comunidades das águas, florestas e periferias se unirão para reivindicar soluções reais para a crise climática. A Barqueata não é apenas uma manifestação; é uma declaração coletiva de resistência e esperança, mostrando que as respostas para um futuro sustentável vêm das práticas ancestrais e coletivas dessas comunidades.
A importância desse evento transcende a simples reunião de pessoas. Ele representa uma convergência de vozes que há muito tempo são ignoradas nas discussões sobre mudanças climáticas. As comunidades que habitam as margens dos rios e florestas têm sido as mais afetadas pelas políticas ambientais inadequadas e pela exploração desenfreada dos recursos naturais. Portanto, a Barqueata se torna um grito por justiça ambiental e social, destacando a necessidade urgente de ouvir aqueles que realmente vivem e dependem da terra.
O Percurso da Barqueata
A Barqueata começará na Universidade Federal do Pará (UFPA), um espaço simbólico que abriga a Cúpula dos Povos. Os participantes partirão em caravanas que se deslocarão por quatro portos próximos à universidade. O trajeto seguirá pelo rio Guamá, que posteriormente se transforma no rio Guajará, até chegar à Vila da Barca. Essa área é marcada por palafitas e condições precárias de moradia, onde muitos moradores vivem sem acesso a saneamento básico.
Durante o percurso de aproximadamente 7 milhas náuticas, os barcos estarão adornados com faixas e cartazes que expõem as contradições enfrentadas pelas comunidades ribeirinhas. Essas mensagens visam denunciar não apenas a falta de atenção do poder público, mas também a especulação imobiliária que ameaça suas terras e modos de vida. O tempo estimado para essa navegação é de cerca de duas horas, levando em consideração as condições da maré.
Vozes da Resistência
Iury Paulino, membro da Comissão Política da Cúpula dos Povos e coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens, expressou seu otimismo sobre o evento: “Estamos alinhados e achamos que vai ser histórico!” Essa afirmação reflete não apenas a expectativa em relação ao número de participantes, mas também a importância do ato como uma plataforma para amplificar as vozes das comunidades marginalizadas.
A Barqueata simboliza uma luta contínua contra as injustiças sociais e ambientais. As comunidades ribeirinhas têm resistido por décadas às pressões externas que buscam explorar seus recursos sem considerar suas necessidades ou direitos. Esse movimento é uma oportunidade para reafirmar sua identidade cultural e suas práticas sustentáveis, que muitas vezes são vistas como alternativas viáveis às soluções convencionais propostas por governos e empresas.
A Crise Climática e Suas Soluções Ancestrais
A crise climática é um fenômeno global que afeta desproporcionalmente os mais vulneráveis. As comunidades locais frequentemente enfrentam os impactos diretos das mudanças climáticas, como enchentes, secas severas e degradação ambiental. No entanto, essas mesmas comunidades possuem conhecimentos ancestrais sobre manejo sustentável dos recursos naturais.
As práticas agroecológicas adotadas por essas populações são exemplos claros de como é possível viver em harmonia com o meio ambiente. Elas promovem não apenas a preservação dos ecossistemas locais, mas também garantem segurança alimentar e desenvolvimento econômico sustentável. Assim sendo, ao invés de buscar soluções externas impostas por grandes corporações ou governos distantes, é fundamental valorizar o conhecimento local.
Desafios Enfrentados pelas Comunidades Ribeirinhas
Apesar da riqueza cultural e do conhecimento acumulado ao longo das gerações, as comunidades ribeirinhas enfrentam desafios significativos. A falta de infraestrutura adequada é um dos principais obstáculos; muitos moradores ainda vivem sem acesso a serviços básicos como água potável e saneamento adequado. Além disso, a especulação imobiliária tem ameaçado suas terras tradicionais.
A pressão para urbanização descontrolada resulta em conflitos entre interesses econômicos e os direitos das populações locais. Muitas vezes, projetos desenvolvimentistas ignoram completamente as necessidades dessas comunidades ou oferecem compensações insuficientes para deslocamentos forçados.
A Importância da Mobilização Coletiva
A mobilização coletiva durante eventos como a Barqueata é crucial para criar consciência sobre esses problemas estruturais. Ao reunir diferentes grupos sociais em torno de uma causa comum — neste caso, a luta contra as falsas soluções climáticas — fortalece-se o movimento social como um todo. Essa união permite não apenas visibilidade nas mídias tradicionais mas também cria redes solidárias entre diferentes regiões.
Além disso, eventos dessa magnitude servem como plataformas educativas onde experiências podem ser compartilhadas entre diversas comunidades. Isso ajuda na construção de estratégias comuns para enfrentar os desafios impostos pela crise climática enquanto promove ações concretas baseadas no respeito mútuo às culturas locais.
O Futuro das Comunidades Marginais
O futuro das comunidades ribeirinhas depende diretamente da capacidade delas em se organizar coletivamente e reivindicar seus direitos. A Barqueata representa mais do que uma simples manifestação; ela simboliza um movimento crescente pela justiça social e ambiental no Brasil.
À medida que mais pessoas se unem nessa luta por reconhecimento e respeito aos saberes ancestrais, abre-se espaço para diálogos construtivos com instituições governamentais e privadas. É essencial garantir que essas vozes sejam ouvidas nas mesas onde decisões críticas sobre políticas ambientais estão sendo tomadas.
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