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domingo, março 8, 2026

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Expectativa global para a COP30: decisões que podem redefinir o futuro climático

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Lucas Quirino/DOL (ONU News) – Às vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP30, o mundo volta seus olhos para Belém do Pará. Entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, a capital amazônica se tornará o epicentro das negociações climáticas globais — um símbolo potente da urgência em proteger o planeta e suas florestas tropicais. O encontro acontece em meio a um cenário de contrastes: de um lado, avanços tecnológicos e promessas de transição energética; de outro, recordes de calor, aumento nas emissões e desigualdades persistentes.

A expectativa é grande. Especialistas e líderes mundiais reconhecem que esta pode ser uma das conferências mais decisivas desde o Acordo de Paris, em 2015. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) destaca que o sucesso em Belém pode determinar se o mundo ainda tem chance de conter o aquecimento global dentro de limites seguros.

Foto de Família durante a Cúpula dos Líderes – Foto: Irene Almeida/Diário do Pará

Confira seis pontos-chave que devem marcar as negociações e indicar o rumo da ação climática na próxima década:

1. Evitar um colapso climático descontrolado

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025, do PNUMA, mostra que as promessas atuais colocam o planeta em uma trajetória de aquecimento entre 2,3 °C e 2,5 °C até o fim do século — bem acima do limite de 1,5 °C estipulado em Paris. A probabilidade de ultrapassar esse marco já na próxima década é alta, o que pressiona governos a apresentar metas mais rigorosas e planos de corte de emissões imediatos, especialmente nos setores de energia, transporte e indústria.

2. Proteger as populações mais vulneráveis

A adaptação aos impactos climáticos será outro eixo central da conferência. De acordo com o Relatório sobre o Fosso de Adaptação 2025, os países em desenvolvimento precisarão de mais de US$ 310 bilhões anuais até 2035 para enfrentar eventos extremos, secas e elevação do nível do mar — valor ainda distante da realidade atual. A expectativa é que Belém defina uma nova meta global de financiamento para adaptação, com indicadores mensuráveis e foco em infraestrutura resiliente e sistemas de alerta precoce.

3. Cumprir a promessa de US$ 1,3 trilhão por ano

Um dos anúncios mais aguardados é o plano conjunto do Azerbaijão e do Brasil para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035 em apoio climático aos países mais pobres. A proposta busca combinar recursos públicos e privados, estimulando reformas em bancos multilaterais e atraindo investimentos de larga escala. O desafio, segundo analistas, é transformar promessas financeiras em fluxos reais e sustentáveis de capital verde.

4. Estimular inovação e soluções práticas

A COP30 também servirá de palco para iniciativas criativas de mitigação e adaptação. Programas como “Beat the Heat” (Vença o Calor), voltado à refrigeração sustentável e ao aumento de áreas verdes urbanas, e o “Food Waste Breakthrough”, que quer cortar pela metade o desperdício alimentar em cinco anos, prometem reduzir significativamente as emissões de metano.

O Brasil apresentará ainda o projeto “Bairro do Mutirão para Cidades, Água e Infraestrutura”, modelo de urbanismo circular que integra eficiência energética, gestão hídrica e inclusão social. Outro destaque será o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que recompensa financeiramente países que mantêm suas florestas em pé — uma estratégia que pode assegurar mais da metade do financiamento necessário para preservar ecossistemas críticos.

5. Garantir uma transição justa e inclusiva

A descarbonização global cria oportunidades, mas também traz riscos para trabalhadores e regiões dependentes de setores de alto carbono. Em Belém, deverá ser aprovado o Mecanismo de Ação de Belém para uma Transição Justa, que apoiará políticas de emprego, capacitação profissional e diversificação econômica. O foco será colocar as pessoas no centro da transição energética, assegurando que o crescimento verde também reduza desigualdades e proteja direitos trabalhistas.

6. Reviver o espírito do Acordo de Paris

Uma década após a assinatura do Acordo de Paris, o mundo conseguiu desacelerar a curva de aquecimento — de uma projeção inicial de 3,5 °C para cerca de 2,5 °C —, mas ainda está longe do necessário. A COP30 é vista como o momento de reacender o compromisso coletivo e a confiança internacional na luta contra a crise climática.

Para Ruth Do Coutto, vice-diretora da Divisão de Mudanças Climáticas do PNUMA, “ainda há tempo para evitar os piores impactos, mas somente com ação imediata e corajosa”. Belém, portanto, não será apenas um ponto de encontro — mas o início de uma “década de resultados”, em que as promessas precisam finalmente se transformar em ações concretas e verificáveis.

O que esperar?

A COP30 chega em um momento em que a ciência, a economia e a justiça social se cruzam. A conferência em Belém simboliza tanto os desafios quanto as esperanças de um planeta em transição. Se conseguir transformar compromissos em resultados tangíveis, poderá ser lembrada como o marco de virada na luta contra a emergência climática.

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