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Cobra Grande pode despertar em Belém: culpa da COP30

Exposição Amazônia do fotógrafo Sebastião Salgado. Crédito: Reprodução/Sebastião Salgado

Sob o asfalto da avenida Presidente Vargas e as águas do Rio Guamá, a lenda da Cobra Grande – ou Boiúna, como é conhecida entre ribeirinhos e povos indígenas – parece ganhar vida. Guardiã das florestas e rios, a sucuri colossal que, segundo os mitos, se enrosca sob Belém, agora inspira projetos culturais, artísticos e turísticos que dialogam com a preservação da Amazônia e a urgência das mudanças climáticas.

A cabeça repousa sob a igreja que abriga a Catedral da Sé, enquanto a cauda serpenteia entre os casarões coloniais do Centro Histórico, criando sulcos que, conforme os indígenas, tecida por povos indígenas como os tukano e os mbyá-guarani, deram origem aos igarapés e rios da região.

A poucos dias da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada de 10 a 21 de novembro, a cidade respira arte e ancestralidade. 

Dois novos espaços da capital, como o Museu das Amazônias (Musa), instalado no Armazém 4A do Porto Futuro II, um mural monumental batizado de “A Serpente é um Corpo que Une Mundos”, assinado por 16 artistas pan-amazônicos, cobre as paredes externas com formas sinuosas que remetem à Boiúna. 

A arquitetura do museu segue o mesmo movimento serpenteante, guiando rampas, bancos e corredores, em uma imersão que une corpo, natureza e cultura. O mural é a inspiração viva do edifício. Com cores que vão dos vermelhos terrosos, verdes florestais a dourados aquáticos, o traçado arquitetônico segue fielmente a figura da serpente, com curvas que guiam os bancos, as rampas e até a identidade visual do museu. 

Exposições e Cultura em Belém

Outro destaque do Musa é a exposição póstuma Amazônia, do fotógrafo Sebastião Salgado, reunindo cerca de 200 imagens em preto e branco capturadas ao longo de sete anos de expedições na região amazônica. A exposição é um dos pilares do espaço, que ocorre desde a inauguração – de 4 de outubro, como um dos legados da COP30.

Essa mostra póstuma, sendo a primeira grande retrospectiva no país após a morte do fotógrafo em maio deste, aos 81 anos, reúne imagens que resultam do projeto “Gênesis”, iniciado nos anos 2000, no qual Salgado documentou ecossistemas intocados do planeta, com foco na floresta, nos povos indígenas e na natureza em sua essência mais pura e vulnerável.

A curadoria é de Lélia Wanick Salgado, esposa do fotógrafo, e apresentada pela primeira vez na região Norte do Brasil. Recursos audiovisuais e relatos de líderes indígenas, incluindo representantes dos povos Yanomami, Asháninka e Marubo, enriquecem a visita, estimulando a reflexão sobre a conservação da Amazônia e a importância das comunidades tradicionais. Distribuída em aproximadamente 950 m² no térreo do museu, a exposição se integra à arquitetura curva do espaço, que remete às formas de uma cobra e acompanha o fluxo sinuoso dos rios da região.

A mostra segue aberta ao público até fevereiro de 2026, com entrada gratuita.

Caixa Cultural e a Lenda da Sucuri

A poucos metros dali, a recém-inaugurada Caixa Cultural Belém apresenta “Espíritos da Floresta” e “Paisagens em Suspensão” que conectam o ativismo indígena à urgência ambiental, usando a lenda da sucuri como fio condutor. Quem guia os visitantes nesse percurso é Yube, a jiboia mítica do povo Huni Kuin. Guardiã do nixi pae (ayahuasca), mestra dos grafismos (kene) e a mais importante xamã. Yube transcende terra e água, corpo e espírito, tempo e sonho.

Novidades no Setor Hoteleiro

No setor hoteleiro, o Vila Galé Collection Amazônia chegou para consolidar a revitalização do Porto Futuro II. Com investimento de R$180 milhões, o hotel boutique combina história e cultura local em 227 acomodações temáticas, spa, restaurante regional e infraestrutura moderna, oferecendo experiência imersiva aos turistas e aos participantes da COP 30. Na noite de abertura, um concerto da Filarmônica Jovem da Fundação Carlos Gomes reuniu clássicos internacionais, destacando a integração entre cultura e turismo.

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