Nas proximidades do Dia de Finados, as histórias de pessoas consideradas “santas” e “santos” populares são resgatadas pelo povo. Uma das mais famosas na capital paraense é a “moça do táxi”, a jovem Josephina Conte, sepultada no cemitério Santa Izabel, em agosto de 1931. Ela seria milagreira, santa, ou alguém cujo a partida precoce causou comoção?
Mais do que uma lenda popularizada na obra do escritor Walcyr Monteiro, o “Visagens e Assombrações de Belém”, os registros históricos confirmam detalhes da morte da jovem Josephina. Os pormenores foram escritos no antigo jornal “Folha do Norte”.
Nele, há um registro fùnebre publicado no dia 18 de agosto de 1931, dois dias após o sepultamento da jovem. O texto dá informações sobre o velório da moça: um cortejo “acompanhado por numerosa famílias e cavalheiros, amigos da família enlutada”.
O caixão que guardava o corpo de Josephina desapareceu no carro fúnebre, em meio a “numerosas grinaldas e flores naturais”. O cortejo foi acompanhado por dezenas: seis bondes e 22 automóveis. O registro também presta solidariedade ao pai, Nicolau Conte.
Ele era empresário e dono da fábrica de calçados “Boa Fama”, localizada na antiga Rua da Indústria, hoje Gaspar Viana. Foi de lá que saiu o cortejo rumo ao Santa Izabel. Conte era de origem italiana, o que justifica a presença do Consulado Italiana no funeral da jovem.
A causa da morte
Além do triste registro, o texto dá um detalhe interessante: Josephina era aluna do Colégio Santo Antônio. A partida precoce foi motivada por uma tuberculose. O canal “Belém de outrora” explorou um pouco mais o tema e trouxe outras informações.
O documento registra que a menina faleceu no antigo hospital Domingos Freire, construído em Belém no final do século 19, onde hoje funciona o Barros Barreto. O espaço era voltado ao isolamento de pacientes portadores de doenças infecto-contagiosas.
Um pórtico do antigo hospital ainda pode ser observado nas proximidades do Barros Barreto, como testemunha de outras épocas de Belém.
Culto popular
Passados mais de 100 anos da partida de Josephina, o túmulo em mármore resiste ao tempo e, especialmente no dia de finados, populares acendem velas e entregam rosas para agradecer graças alcançadas pela intercessão da menina.
Se ela apanha um táxi no dia do aniversário, é difícil saber, o fato é que, milagreira ou santa popular, Josephina Conte não é somente uma lenda nas páginas de um livro, mas uma menina real e amada por familiares.
Se tiver curiosidade, o túmulo da moça está localizado nas primeiras vias do cemitério Santa Izabel, no bairro do Guamá, em Belém.
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