Na via principal do cemitério Santa Izabel, em Belém, uma sepultura de cor preta, com velas e algumas flores ao redor chama atenção de quem entra no espaço: ali, jaz Camilo Salgado, falecido em 1938. Além de médico e filantropo, ele foi eternizado na memória dos belenenses por ajudar a alcançar curas mesmo após a morte. Mas afinal, quem foi este homem?
Os detalhes por trás do mito foram descritos em artigo de autoria de Aristoteles Guilliod de Miranda e José Maria de Castro Abreu. Camilo Henriques Salgado Júnior, nasceu em Belém do Pará, em 1873, filho de Camillo Henriques Salgado e Angelica de Almeida Tanellas Salgado.
Camilo, o filho, iniciou os estudos em casa e seguiu a formação no antigo Liceu Paraense, o atual Colégio Paes de Carvalho. Após a etapa inicial dos estudos, ingressou na Faculdade de Medicina de Salvador, cursando ali até o quarto ano, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde se diplomou em 1911.
Para aprimorar seus conhecimentos frequentou, em Paris, grandes serviços de cirurgia e especialidades correlatas. Em 1897, instalou consultório em Belém e atendeu em hospitais como o Dom Luiz I, da Imperial Sociedade Beneficente Portuguesa do Pará, do qual foi diretor clínico.
Seu prestígio entre a colônia portuguesa era tão grande que em 1931 o novo regimento interno do Dom Luiz I previa que o mandato dos diretores clínicos fosse de três anos, exceto para Camilo que exerceu o cargo até a morte.
A construção do “mito” e médico dos pobres
O “mito” Camilo Salgado não esperou o pós morte para ser reconhecido. Os relatos históricos apontam que ele foi sócio de uma farmácia em Belém, onde também realizava consultas médicas.
O detalhe era que o médico não cobrava pelos medicamentos receitados, o que causou o fechamento do negócio. “Não cobrava porque o doente era pobre e não cobrava porque era rico, compadre e amigo”, afirma o biógrafo Clóvis Meira.
Salgado também era reconhecido como exímio cirurgião. O conhecimento adquirido com a formação europeia, as operações que realizava, o pioneirismo e o grau de dificuldade de seus atos médicos, deram-lhe fama e notoriedade entre seus pares.
Um dos feitos mais comentados à época foi o transplante da uretra de um cão em um homem que apresentava um “cancro phagedenico de urethra”, que nos termos médicos atuais pode estar relacionado ao cancro mole, infecção sexualmente transmissível.
O registro histórico aponta que essa foi a terceira cirurgia do tipo praticada no mundo. Apesar dos outros cirurgiões terem escondido as técnicas, Salgado seguiu o próprio método.
Outro feito notável do médico narra que ele salvou da amputação o braço direito de um paciente ferido a bala. O método? Camilo implantou um osso de cachorro na lesão com “brilhante êxito”.
Além de atuar no Hospital da Ordem Terceira, trabalhou na Santa Casa de Misericórdia do Pará, chegando a chefe da enfermaria de cirurgia e ao cargo de provedor. Foi um dos fundadores da Sociedade Médico-Cirúrgica do Pará, em 1914.
Morte e culto popular
Camilo Salgado já gozava de fama em vida quando faleceu, aos 55 anos, em 1938. A partida do médico gerou um clima de comoção em toda cidade, dando início a um verdadeiro culto religioso em sua memória.
O noticiário sobre o falecimento destacava as qualidades do médico, principalmente sua atuação junto aos mais pobres, ressaltando a presença de grande número de pessoas das mais variadas camadas sociais no cortejo fúnebre até o cemitério Santa Izabel.
A bondade em vida, a cordialidade descrita pelos pares e a técnica profissional que salvou inúmeras vidas, transformou Camilo Salgado em um dos santos populares mais importantes de Belém.
Até hoje, especialmente no Dia de Finados, dezenas de devotos entregam flores e acendem velas na sepultura do médico, que fica bem próximo do pórtico de entrada do cemitério Santa Izabel.
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