Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Em entrevista ao portal de notícias JOTA, nesta terça, 28, o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB-PA), destacou os avanços dos programas Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e Reforma Casa Brasil, classificando o primeiro como “uma grande vitrine do governo” e símbolo da retomada das políticas sociais voltadas às famílias de menor renda.
“Hoje temos a menor taxa de juros da história de todos os programas assistenciais já criados no Brasil”, afirmou. Segundo ele, 43% das famílias que assinaram contratos em 2024 têm renda de até R$ 2.850, o que mostra o foco nas faixas mais vulneráveis. O ministro também ressaltou o impacto do setor da construção civil no crescimento do PIB. “A construção civil ajudou muito no crescimento do país”, observou.
O Reforma Casa Brasil, lançado neste mês, busca melhorar as condições de moradia de famílias que vivem em casas precárias. O programa oferece crédito com juros entre 1,17% e 1,95% ao mês, em valores de R$ 5 mil a R$ 30 mil. O cadastro será feito de forma digital, pelo aplicativo Caixa Tem, e os recursos serão liberados em duas etapas: 90% no início da obra e 10% após a comprovação da reforma.
“A partir do dia 3 de novembro, você entra no Caixa Tem (aplicativo), faz a simulação e tira uma foto do que quer reformar na sua casa”, detalhou o ministro.
“O Brasil já reúne condições para reduzir os juros”
Na entrevista, Jader Filho defendeu que o Banco Central inicie imediatamente o ciclo de queda da taxa básica de juros, argumentando que o atual cenário — com inflação controlada e câmbio estável — permite uma inflexão na política monetária.
“Eu acho que o Brasil precisa, o quanto antes, de uma sinalização clara. É importante que a economia brasileira tenha essa confiança”, afirmou.
O ministro criticou o nível elevado da taxa Selic, que segundo ele, inviabiliza o crédito imobiliário para a classe média. “Uma família, se fosse no banco, pagaria 19%, 20%, 21%, 22%. Essa família tem condição de arcar com isso?”, questionou.
Ele também avaliou que a condução da política monetária sob Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, tem sido “excessivamente cautelosa”. “A sinalização que o Banco Central tem dado é de que não vai reduzir os juros. Eu acho que está na hora de mudar essa postura”, disse.
Jader Filho defendeu ainda que o governo precisa “agir quando percebe uma anomalia na sociedade” e buscar mecanismos que ampliem o acesso ao crédito “dentro da responsabilidade fiscal”. Entre as medidas citadas, está a liberação de parte dos recursos do compulsório dos bancos para reduzir o custo do financiamento habitacional.
“Não existe transporte público de qualidade sem subsídio”
Outro ponto defendido por Jader Filho foi a necessidade de subsídio ao transporte coletivo urbano. “Não existe nenhuma cidade do mundo com transporte público de qualidade que não tenha algum tipo de subsídio. Não é mais possível transferir todo o custo para o usuário”, argumentou.
O ministro afirmou que o governo trabalha para criar um pacto federativo de financiamento, com participação da União, estados e municípios, garantindo previsibilidade e qualidade nos serviços. Ele citou a renovação das frotas de ônibus, com veículos mais seguros, equipados com ar-condicionado e Wi-Fi, além do incentivo à transição energética.
“Metade dos ônibus selecionados recentemente já são elétricos”, disse, destacando que o país “não pode adotar uma solução única”, devido às diferenças de infraestrutura entre as cidades.
COP30 e o legado urbano de Belém
Com a COP30 prestes a ser realizada em Belém, o ministro afirmou que o evento será “a COP das cidades”, dedicada à adaptação urbana, à resiliência climática e ao saneamento.
“De 10% ou menos do financiamento global chega aos municípios. Como é que se faz obra sem financiamento?”, questionou.
Jader garantiu que a capital paraense estará pronta para o evento e prometeu que “vai ser a melhor COP de todas”. Segundo ele, as obras de mobilidade e drenagem estão em ritmo acelerado e deixarão um legado urbano permanente para toda a região metropolitana.
Base política e eleições de 2026
Na parte política da entrevista, o ministro defendeu a construção de uma base governista sólida e coerente com o projeto econômico e social do presidente Lula. Ele ressaltou que o MDB mantém sua tradição de resolver impasses por meio de convenções e não descartou disputar uma vaga de deputado federal em 2026, embora tenha dito que pretende cumprir integralmente suas metas no ministério.
Para Jader Filho, o desempenho econômico e os programas sociais serão os principais trunfos da campanha de Lula à reeleição. “O presidente conhece as necessidades do povo brasileiro e tem buscado alternativas importantes para resolver os problemas do país”, concluiu.
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