A Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, recebe pesquisadores, estudantes e representantes de instituições científicas para discutir estratégias de preservação e desenvolvimento sustentável da Amazônia. O Workshop Síntese da Biodiversidade Amazônica começou na terça-feira (3) e segue até sábado (7), com atividades voltadas à integração de dados científicos e à construção de propostas para o futuro da região.
O encontro reúne docentes, estudantes de pós-graduação, institutos de pesquisa e organizações da sociedade civil. A proposta é compartilhar conhecimentos, identificar lacunas científicas e elaborar diagnósticos que possam contribuir para a conservação da biodiversidade e a formulação de políticas públicas.
Durante a abertura, o reitor da UFPA, professor Gilmar Pereira da Silva, destacou a importância da cooperação entre instituições para fortalecer a produção científica e a soberania nacional.
“As redes de pesquisa desempenham um papel central para o futuro do nosso país, pois são instâncias que produzem ciência de ponta. Reunir essas redes, pesquisadores, docentes, universidades e institutos de pesquisa em um evento como este é uma estratégia fundamental para a defesa da Amazônia e da nossa soberania”, afirmou.
Cinco eixos orientam as discussões
A programação está organizada em cinco áreas temáticas, que abordam diferentes desafios relacionados à biodiversidade amazônica:
– Lacunas e redes: identificação de áreas com falta de conhecimento científico e análise da contribuição das redes de pesquisa.
– Pressões, conservação e restauração: integração de informações sobre impactos ambientais e prioridades para conservação.
– Clima, modelagem e biodiversidade: avaliação dos efeitos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade amazônica.
– Funcional e processos: estudos sobre biodiversidade funcional e funcionamento dos ecossistemas.
– Sociobiodiversidade e comunicação: produção de materiais de divulgação científica, elaboração da Carta de Belém e propostas para políticas públicas.
O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFPA, professor Luciano Montag, também ressaltou a participação dos estudantes e a importância da cooperação internacional para ampliar as pesquisas na região.
Segundo ele, a aprovação de um projeto no programa CAPES Global Amazônia em Rede garantirá mais cinco anos de mobilização acadêmica e produção científica.
Ciência precisa chegar à população
Outro ponto debatido durante o workshop foi a necessidade de aproximar a produção científica da sociedade. A pesquisadora Jakeline Pereira, representante do Imazon, destacou que os resultados das pesquisas precisam ser comunicados de maneira acessível.
A representante do Instituto Relva, Geiziane Tessarolo, reforçou que o conhecimento produzido nas universidades deve contribuir diretamente para as decisões governamentais e para a elaboração de políticas públicas.
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O encontro também busca ampliar parcerias, identificar novas possibilidades de financiamento e fortalecer a atuação conjunta entre universidades, institutos e organizações que trabalham com a realidade amazônica.
Workshop terá Carta de Belém e documentos científicos
Entre os resultados previstos estão a elaboração da Carta de Belém, a produção de documentos técnicos conhecidos como policy briefs e a consolidação de manuscritos científicos.
Entre os dias 4 e 6 de novembro, os participantes realizam atividades em grupos para organizar dados, desenvolver análises e redigir os documentos de síntese.
O encerramento será neste sábado (7), com uma plenária no Auditório Arlindo Pinto, na UFPA. Na ocasião, os cinco eixos apresentarão os resultados alcançados e os compromissos para dar continuidade às iniciativas de pesquisa e cooperação científica na Amazônia.






