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Paraense lança podcast de investigação sobre crime que atravessa o Atlântico

Vilma Reis, nascida em Belém, idealizou e investigou “Quem Matou Rosalina?”, série que estreia na quinta-feira (29) em duas versões, para o Público, em Portugal, e O Globo, no Brasil.

O que acontece quando uma mulher de 74 anos é morta e ninguém sabe quem ela é? É a pergunta que atravessa “Quem Matou Rosalina?”, o podcast narrativo de investigação que estreia na quinta-feira, 29 de outubro, e que a jornalista paraense Vilma Reis idealizou, investigou e narra na versão brasileira.

Nascida em Belém, Vilma vive há muitos anos em Portugal, onde é diretora editorial da Coimbra Coolectiva. Para ela, assinar um projeto destes, numa época em que tantas vezes os imigrantes são empurrados para segundo plano, em todas as áreas, tem um significado particular.

A série reconstrói o homicídio de Rosalina Ribeiro, morta a tiro em Saquarema, no Rio de Janeiro, em 2009, e o processo criminal que coloca o ex-deputado português Duarte Lima como arguido. Ele sempre negou o crime, e o julgamento começa a 5 de novembro, no Tribunal de Sintra. Rosalina foi secretária e companheira do milionário Lúcio Tomé Feteira.

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O título é uma escolha editorial. “Rosalina esteve dez dias sem nome e, dezesseis anos depois, ninguém respondeu em tribunal pela morte dela. Por isso o podcast leva o nome dela, e não o do homem acusado”, explica Vilma.

A questão do feminicídio esteve presente desde o início, embora a qualificação do crime caiba ao tribunal. “O que nos interessava era perguntar quem se importa quando uma mulher morre assim e quanto tempo demora a justiça a chegar até ela. Se fosse Duarte Lima a ser assassinado em 2009, estaríamos hoje à espera do julgamento do único suspeito?”, questiona a jornalista.

É também por isso que a história é contada por mulheres. Entre as vozes da série estão a fadista Maria Alcina, a amiga de Rosalina, Arminda, e a jornalista Judite Sousa. A atriz Fernanda Montenegro também faz parte da trama, tal como quatro Olímpias. “Quisemos que fossem as mulheres a contar esta história, porque durante demasiado tempo foram elas que ficaram sem nome, sem voz e sem resposta”, afirma Vilma.

Como a história pertence aos dois países, a série tem duas versões. A portuguesa é narrada pelo ator José Martins e a brasileira pela própria Vilma. A investigação e as entrevistas são as mesmas, mas cada narração segue o rumo natural do caso e acolhe as referências e as formas de contar de cada lado. “Para nós, importa respeitar as duas comunidades, sobretudo numa época em que tanto se ouve dizer ‘volta para a tua terra’. Esta história pertence aos dois lados do Atlântico e, por isso, fizemos dois podcasts”, diz.

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