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Icoaraci e Marajó: eleitores denunciam falta de transporte para votar

Eleitores denunciaram, neste domingo, 25 de outubro, dificuldades para conseguir transporte aquaviário durante o segundo turno das Eleições 2026 no Pará. Os relatos apontam falta de embarcações, encerramento do embarque sem aviso prévio e cobrança de passagens para deslocamentos entre municípios do Arquipélago do Marajó, mesmo com a gratuidade determinada em decreto pelo Governo do Estado.

As denúncias foram registradas nos portos de Icoaraci, em Belém, e de Breves, no Marajó. Segundo os passageiros, a quantidade de embarcações disponibilizadas não foi suficiente para atender à demanda, deixando eleitores sem conseguir embarcar para votar.

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No trapiche de Icoaraci, passageiros afirmaram que aguardavam desde as primeiras horas da manhã, mas não receberam informações claras sobre a continuidade das viagens. Em Breves, eleitores também reclamaram da falta de lanchas para municípios vizinhos e relataram que precisaram negociar viagens particulares para conseguir chegar aos locais de votação.

Uma das denunciantes, Lia Santos, assistente administrativa, afirmou que estava no trapiche de Icoaraci desde as 5h da manhã e que, até perto das 10h, os passageiros continuavam sem esclarecimentos sobre o transporte.

“Nós estamos aqui desde as 5h da manhã e esperando para ir votar. E aí, simplesmente está todo mundo aqui. Até agora são, vai dar 10 horas da manhã e nós estamos aqui sem nenhuma resposta, ninguém veio dar uma satisfação, uma informação”, relatou.

Segundo ela, os passageiros foram surpreendidos com o encerramento do embarque, sem que houvesse uma comunicação prévia sobre a indisponibilidade de novas vagas. “Aí, quando a fila parou, o pessoal foi lá se informar e aí que a mulher falou: ‘Ah, não tem mais, não tem mais gratuidade’, só isso e foi embora”, contou.

Lia estima que aproximadamente 500 pessoas tenham ficado sem embarcar. Entre os passageiros que aguardavam no local, segundo ela, havia crianças, idosos e pessoas que já tinham comprado passagens antecipadamente.

“Várias pessoas, gente com criança aqui e idosos, gente que já estava com a passagem comprada desde ontem, desde sexta-feira, e aí simplesmente não puderam embarcar”, afirmou Lia.

Pessoas com gratuidade ficaram sem embarcar

Outra denunciante, Oricelene Cardoso, que trabalha como cuidadora, afirmou que os passageiros foram informados sobre a indisponibilidade de passagens depois das 7h30, horário em que, segundo ela, uma embarcação já deveria estar saindo.

“Não informou ninguém que estava na fila aqui, todo mundo na fila. Não veio nenhum funcionário informar que não teria mais passagem”, declarou.

Ela também questionou a quantidade de embarcações disponibilizadas para atender aos eleitores no dia da votação.

“Hoje, dia eleitoral, tem várias balsas saindo, às vezes sai duas balsas ao mesmo tempo, e hoje colocaram uma balsa com uma demanda enorme de gente aqui com crianças”, relatou.

Oricelene afirmou ainda que algumas pessoas tinham em mãos passagens gratuitas, mas não conseguiram embarcar. Segundo ela, houve dificuldades até mesmo para obter informações sobre a distribuição do benefício. A cuidadora também relatou a situação de passageiros que precisavam chegar a outros municípios para votar, incluindo uma mulher com uma criança de colo que, segundo ela, mora em Soure.

“Tem uma senhora que mora em Soure, não mora nem aqui. Como ela fica? Tem crianças, teve pessoas aqui, crianças que foram embora”, afirmou.

A denunciante disse que passageiros procuraram o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas, segundo seu relato, não conseguiram uma solução para o problema.

“Fomos ao TRE. O TRE disse que não era a responsabilidade dele, sendo que é crime eleitoral, a gente tá sendo impedido de votar”, declarou.

Denúncias apontam falta de lanchas em Breves

No município de Breves, no Arquipélago do Marajó, eleitores também denunciaram dificuldades para conseguir transporte até cidades vizinhas. Os relatos apontam que a quantidade de lanchas disponibilizadas não teria sido suficiente para atender aos passageiros que precisavam se deslocar para votar.

Em uma das gravações, um passageiro questiona a falta de embarcações e reclama que havia pessoas aguardando uma alternativa para realizar a travessia.

Em outro relato, um eleitor afirmou que apenas uma lancha teria sido disponibilizada, apesar da demanda de passageiros, e que outras embarcações estariam paradas do outro lado do rio.

“Porque hoje, só porque hoje tem passagem gratuita, os caras vão meter só uma lancha aí, ó. As lanchas deles estão todas paradas lá do outro lado do rio lá. Não vai ter mais lancha agora. Já saiu uma. Não vai ter mais lancha”, afirmou o denunciante.

VEJA O VÍDEO DAS DENÚNCIAS:

Decreto garante transporte gratuito 

A gratuidade no transporte público intermunicipal rodoviário e aquaviário foi determinada pelo Governo do Pará por meio do Decreto nº 5.715. A medida estabelece o passe livre para garantir o deslocamento dos eleitores durante o segundo turno das Eleições 2026.

O benefício começou a valer às 12h de sexta-feira (23) e segue até às 12h de segunda-feira (26), contemplando viagens de ida e volta entre municípios paraenses, inclusive por via aquaviária.

Para utilizar a gratuidade na ida, o passageiro deve apresentar o título de eleitor, o e-Título ou um documento oficial com foto que indique o domicílio eleitoral. No retorno, é necessário apresentar o comprovante de votação e o bilhete utilizado no trecho de ida.

Diante das denúncias apuradas pela reportagem, a Agência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos de Transporte (Artran) disse, em nota, que apura as denúncias feitas à Ouvidoria do órgão.

O DOL também tenta contato e posicionamento com as empresas que prestam serviço de transporte nos terminais citados.

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