Segundo o portal Metrópoles, a delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto, presa sob suspeita de vazar informações sigilosas para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), ficará em uma cela especial da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A decisão foi formalizada após a audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (16).
Inicialmente, a delegada permanecerá na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), vinculada à Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP). A medida permite que ela fique sob custódia da própria Polícia Civil do DF, sem transferência imediata para o sistema penitenciário feminino comum.
A permanência em cela especial tem respaldo na Lei Orgânica da corporação. Nos próximos dias, Maria Virgínia deverá ser transferida para Pernambuco, onde foi expedido o mandado de prisão e está sediado o inquérito que apura o caso.
Delegada foi acusada de matar o ex
A delegada já foi julgada pela acusação de matar o ex-namorado, o investigador da Polícia Civil Heldenilson Costa Holanda. O caso aconteceu em 2003, em Belém, e foi levado ao Tribunal do Júri sete anos depois.
A morte de Heldenilson ocorreu em 7 de junho de 2003, no edifício Sol Dourado, localizado na rodovia Augusto Montenegro, na capital paraense. De acordo com a acusação apresentada à época, o investigador foi morto com um tiro na cabeça.
Delegada negou ter cometido o crime
Durante interrogatório judicial realizado em abril de 2004, Maria Virgínia negou ser responsável pela morte do ex-namorado. Na ocasião, ela afirmou que Heldenilson havia tirado a própria vida.
O caso foi levado a julgamento em 10 de março de 2010, sob a presidência do então juiz Edmar Pereira Silva, que posteriormente se tornou desembargador do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA).
Durante a sessão do Tribunal do Júri, foram ouvidas três testemunhas de acusação e cinco de defesa. Os jurados também tiveram acesso a laudos periciais relacionados ao caso.
O promotor de Justiça Edson Cardoso pediu a absolvição da delegada por considerar que não havia provas suficientes para sustentar a acusação de homicídio. A defesa, conduzida pelo advogado Antônio Freitas Leite, também sustentou a negativa de autoria, argumentando que Maria Virgínia não havia cometido o crime.
Ao final do julgamento, os jurados absolveram a delegada por maioria dos votos.
Por que a delegada foi presa nesta quinta-feira?
Maria Virgínia foi presa em Brasília nesta quinta-feira (15), durante a Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco. A operação investiga suspeitas de envolvimento de agentes públicos em um esquema relacionado ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à ocultação de patrimônio.
Segundo as investigações, a delegada é suspeita de receber R$ 50 mil para repassar informações sigilosas e oferecer proteção institucional a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A suspeita teria surgido a partir da análise de dados extraídos do celular de Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão” e apontado pelos investigadores como uma liderança da facção.
A investigação financeira também identificou que o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 14 milhões.
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