A construção da Ponte Bioceânica, que vai ligar Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, avança com serviços de ajustes estruturais, instalação de equipamentos e acabamentos nas duas margens do Rio Paraguai. A obra integra um projeto de conexão internacional que pretende ampliar as alternativas de transporte de cargas e fortalecer o comércio entre países sul-americanos.
Os trabalhos atuais envolvem diferentes etapas da estrutura. No lado brasileiro, as equipes atuam nos componentes responsáveis pela sustentação da ponte e na proteção dos elementos de aço. Já no território paraguaio, os serviços incluem a construção de estruturas de concreto, a instalação de sistemas elétricos e a preparação de dispositivos de segurança para pedestres.
O que está sendo feito no lado brasileiro?
Em Porto Murtinho, as equipes instalam plataformas utilizadas no retensionamento dos estais, cabos que sustentam o tabuleiro da ponte e se conectam aos mastros. Esse procedimento integra os trabalhos de ajuste do sistema de sustentação da estrutura.
Os operários também executam a instalação de um tubo telescópico no lado esquerdo do pilar P14. Outra frente de trabalho envolve a injeção de argamassa nas bainhas de protensão do vão central, medida que ajuda a proteger os elementos de aço utilizados na estrutura.
Essas intervenções fazem parte da etapa de ajustes e acabamentos da construção. O objetivo é dar continuidade à montagem dos componentes que integram a ligação entre Brasil e Paraguai.
Como avançam as obras no Paraguai?
Em Carmelo Peralta, os trabalhos incluem a construção de meio-fios de concreto nos dois lados do trecho lateral compreendido entre as aduelas D1’ e D21’. As equipes também continuam a montagem de estruturas auxiliares usadas para ajustar os cabos de sustentação da ponte.
Outra atividade consiste na instalação de conduítes elétricos sob a ciclovia do viaduto de acesso. Paralelamente, os trabalhadores desmontam andaimes e realizam acabamentos nas laterais esquerda e direita dos postes P13, correspondentes à seção 3 da estrutura.
As frentes de serviço também avançam na execução de estacas destinadas à instalação dos guarda-corpos para pedestres na rampa de acesso rodoviário. Esses equipamentos integram os elementos de segurança previstos para a passagem.
Ponte terá 1.294 metros de extensão
A Ponte Bioceânica terá 1.294 metros de comprimento, dos quais 632 metros correspondem à estrutura estaiada. O projeto prevê ainda um vão principal de 350 metros.
Essa configuração permitirá manter a navegabilidade do Rio Paraguai, facilitando a passagem de grandes embarcações. Dessa forma, a nova ligação rodoviária poderá coexistir com o transporte fluvial, uma atividade importante para a movimentação de cargas na região.
A ponte representa uma das principais estruturas da Rota Bioceânica, corredor internacional planejado para conectar os portos brasileiros do Atlântico aos terminais chilenos do Pacífico. O percurso atravessará Brasil, Paraguai e Argentina antes de alcançar o Chile.
Com a integração entre as rodovias e os portos desses países, o corredor poderá oferecer alternativas logísticas para o transporte internacional de mercadorias. A iniciativa também busca ampliar a integração comercial entre os quatro países e diversificar as rotas utilizadas pelos setores produtivos.
Qual será o impacto da Rota Bioceânica para a economia?
A implantação da ponte faz parte de uma estratégia para fortalecer o papel de Mato Grosso do Sul e do Chaco paraguaio na logística regional. A conexão poderá favorecer atividades ligadas ao transporte, à prestação de serviços e à circulação de produtos destinados aos mercados internacionais.
No Paraguai, a expectativa é ampliar as oportunidades econômicas no Chaco, região que terá ligação direta com o Brasil por meio da nova estrutura. O avanço do corredor também poderá estimular a integração entre diferentes modais de transporte e ampliar as possibilidades de intercâmbio comercial.
Para o Brasil, a rota representa uma alternativa de conexão com os mercados asiáticos por meio dos portos do Pacífico. A utilização efetiva desse corredor, no entanto, dependerá também das condições de acesso, da infraestrutura complementar e da operação logística nos países envolvidos.
Quanto custa a construção da Ponte Bioceânica?
O empreendimento conta com investimento de G. 684.615.904.566, valor equivalente a aproximadamente US$ 103 milhões, conforme os dados divulgados pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, o MOPC.
Os recursos vêm da parcela paraguaia da Itaipu Binacional, responsável pelo financiamento do projeto no país vizinho.
A execução está a cargo do Consórcio Binacional PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil S.A., Paulitec Construções e Construtora Cidade Ltda. O Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai coordena as ações relacionadas ao empreendimento, conforme as informações divulgadas pela pasta.
A obra integra os investimentos em infraestrutura necessários para consolidar a ligação entre os dois países e viabilizar a participação da ponte no corredor internacional que pretende aproximar os mercados do Atlântico e do Pacífico.
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