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“Me xingou de Zé Buceta”, diz suspeito de matar casal a tiros após denúncias de violência doméstica

João Victor Rodrigues Alves de Oliveira, de 22 anos, está preso preventivamente por suspeita de assassinar Larissa Rodrigues de Paula e o cantor Alan Tons, encontrados mortos dentro de casa, em Ceilândia.

O suspeito de assassinar um casal a tiros dentro de casa, em Ceilândia, no Distrito Federal, revelou à Polícia Civil que havia discutido anteriormente com uma das vítimas, o cantor sertanejo Alan Tons, de 34 anos, depois de ter sido chamado de “Zé Buceta”. João Victor Rodrigues Alves de Oliveira, de 22 anos, negou envolvimento nas mortes do músico e de sua companheira, Larissa Rodrigues de Paula, de 24 anos, encontrados sem vida na manhã de domingo (11). O acusado está preso preventivamente, enquanto a polícia investiga a suspeita de que o duplo homicídio tenha sido motivado por vingança após denúncias de violência doméstica.

O depoimento foi divulgado nesta quarta-feira (14) pelo portal Metrópoles. Durante o interrogatório, João Victor afirmou que mantinha uma relação amigável com as vítimas, apesar de desentendimentos ocasionais. Segundo ele, os três costumavam confraternizar e consumir bebidas alcoólicas juntos.

Ao comentar uma das discussões, o investigado relatou que Alan o havia convidado para beber em sua residência, onde também estava Larissa. “Ele me chamou para beber na casa dele. Estava ele e a Larissa. Minha esposa ficou dormindo. Ele me xingou de ‘Zé Buceta’, mas no dia seguinte me pediu desculpas e ficou tudo bem”, declarou.

A versão apresentada pelo suspeito contrasta com os relatos reunidos pela investigação, segundo os quais o casal costumava intervir em episódios de violência doméstica envolvendo João Victor e sua companheira.

Casal encontrado morto em Ceilândia

O crime ocorreu na madrugada de domingo (11), em um imóvel localizado na QNM 22, em Ceilândia. Alan Tons e Larissa Rodrigues de Paula foram encontrados mortos após serem atingidos por disparos de arma de fogo.

Por volta das 9h30, policiais militares foram acionados e, ao chegarem ao endereço, constataram que as vítimas já estavam sem vida.

O casal morava em um lote dividido em várias quitinetes, onde João Victor Rodrigues Alves de Oliveira também residia com a companheira. De acordo com informações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), os vizinhos presenciavam discussões e episódios de agressão atribuídos ao investigado.

Alan e Larissa teriam repreendido João Victor em diferentes ocasiões e acionado a polícia para denunciar as agressões. A principal linha de investigação considera a possibilidade de o crime ter sido cometido como represália a essas intervenções.

Testemunhas relataram que diversos tiros foram disparados contra as vítimas. A 15ª Delegacia de Polícia, em Ceilândia Centro, assumiu a investigação.

Suspeito nega autoria e apresenta álibi

Depois de se apresentar espontaneamente à delegacia, acompanhado de um advogado, João Victor negou ter cometido os assassinatos. Ele afirmou que estava em uma distribuidora de bebidas no momento do crime e que poderia apresentar testemunhas para confirmar sua localização.

“Quando eu vi o casal, era a Larissa e o Alan. Aí eu não acreditei. Estavam falando que eu tinha matado, sendo que tenho como provar onde eu estava, tenho testemunha de onde eu estava”, declarou.

O investigado também afirmou que mantinha contato frequente com Alan e que os dois tinham uma relação de proximidade. Segundo seu relato, o cantor chegou a convidá-lo para comemorar um aniversário.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de Alan ter deixado o lote por medo de represálias, João Victor negou qualquer ameaça. “Não o ameacei. Anteontem mesmo estávamos juntos, ele estava afiando uma faca para cortar carne e até nos abraçamos”, afirmou.

As declarações fazem parte da versão apresentada pelo investigado e não representam confirmação de seu álibi. A Polícia Civil continua responsável por esclarecer as circunstâncias e a autoria do duplo homicídio.

Histórico de agressões e ameaças

João Victor possui registros policiais e processos relacionados à violência doméstica. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, o investigado já havia sido preso duas vezes por suspeitas de agressões contra mulheres.

Em março de 2026, uma ex-namorada denunciou ter sido agredida com uma garrafa, socos, tapas e chutes durante uma discussão motivada por ciúmes, no Sol Nascente, no Distrito Federal.

A mulher também relatou ameaças de morte com facas. Após conseguir deixar o imóvel com a ajuda de familiares, teria continuado recebendo mensagens ameaçadoras.

O caso resultou na concessão de medidas protetivas, incluindo restrições de aproximação e contato com a denunciante.

Além desse episódio, o investigado aparece em outros procedimentos relacionados à violência doméstica e possui registros policiais por diferentes delitos.

No caso de Alan e Larissa, testemunhas afirmaram que João Victor teria ameaçado o casal depois de ser retirado da quitinete onde morava. A suspeita é de que ele responsabilizasse os vizinhos pelas denúncias de agressões contra sua companheira.

Cantor Alan Tons: carreira e últimas homenagens

Alan Tons trabalhava como cantor sertanejo e empresário. Nas redes sociais, compartilhava vídeos de apresentações musicais, festas e eventos dos quais participava.

Na noite de sábado (10), poucas horas antes de ser encontrado morto, o artista publicou imagens de uma apresentação em um bar. Em um dos registros, aparecia tocando violão e cantando diante do público.

As publicações se tornaram alguns dos últimos registros públicos do músico antes do assassinato.

Alan e Larissa foram sepultados na tarde de terça-feira (13), em uma cerimônia acompanhada por familiares e amigos. Mesmo com a chuva, dezenas de pessoas compareceram ao cemitério para prestar as últimas homenagens ao casal.

Prisão preventiva e andamento da investigação

João Victor se apresentou à 15ª Delegacia de Polícia no fim da tarde de domingo (11), acompanhado de seu advogado. Apesar de negar a autoria dos assassinatos, foi preso em flagrante.

Na segunda-feira (12), durante audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva, medida cautelar que permite manter o investigado detido enquanto prosseguem as apurações, desde que estejam presentes os requisitos legais.

A Polícia Civil trabalha para esclarecer a dinâmica dos disparos, verificar as declarações do investigado e estabelecer a possível motivação do crime.

Até o momento das informações consultadas, João Victor permanecia na condição de suspeito, sem condenação pelo duplo homicídio. A responsabilidade criminal dependerá das provas reunidas e das decisões da Justiça.

O assassinato de Alan Tons e Larissa Rodrigues de Paula provocou comoção entre familiares e amigos e chamou a atenção para os riscos enfrentados por pessoas que intervêm em situações de violência doméstica.

O post “Me xingou de Zé Buceta”, diz suspeito de matar casal a tiros após denúncias de violência doméstica apareceu primeiro em Diário do Pará.

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