O técnico Renato Gaúcho, do Grêmio, manifestou publicamente seu apoio político a Bolsonaro durante entrevista coletiva realizada na noite de domingo (11 de outubro), após o empate por 1 a 1 com o Internacional, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. A declaração ocorreu quando o treinador defendia o auxiliar Alexandre Mendes, detido na semana passada por suspeita de descumprimento de uma medida protetiva solicitada pela ex-companheira. Ao criticar a cobertura da imprensa sobre o episódio, Renato relacionou sua insatisfação com os jornalistas à preferência política na disputa presidencial.
“Eu não deveria falar isso, mas é por isso que sou Bolsonaro”, declarou o treinador, recebendo aplausos ao encerrar a resposta. A manifestação foi interpretada como apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro. Renato, entretanto, mencionou apenas o sobrenome Bolsonaro, sem citar expressamente o nome de Flávio.
Defesa do auxiliar técnico
A manifestação aconteceu após um jornalista questionar o treinador sobre a situação de Alexandre Mendes, integrante de sua comissão técnica.
O auxiliar foi detido na quinta-feira (8), por suspeita de descumprir uma medida protetiva relacionada à ex-companheira. Ele foi liberado na sexta-feira (9) e voltou às atividades profissionais, participando normalmente do clássico Gre-Nal no banco de reservas.
Renato criticou a divulgação da prisão e afirmou que parte da imprensa teria tratado o auxiliar como culpado antes de uma decisão definitiva.
“A gente vive em um país que é o seguinte: antes se atira e depois perguntam se é inocente ou culpado”, afirmou.
O treinador também declarou que não tolera agressões contra mulheres e que afastaria o profissional caso fosse comprovada uma conduta dessa natureza.
“Sou a favor da prisão do cara que bate na mulher. O dia que ele fizer isso ele não vai mais trabalhar comigo”, disse.
Processo ainda está em andamento
Ao defender Alexandre Mendes, Renato afirmou que o Ministério Público teria inocentado o auxiliar e criticou jornalistas que, segundo ele, não deram o mesmo destaque à liberação do profissional.
Alexandre responde a uma ação relacionada a uma denúncia de violência psicológica contra a ex-companheira, apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul em 2025.
O processo permanece em fase de instrução, sem sentença definitiva. A detenção recente está relacionada à suspeita de descumprimento de medida protetiva, questão distinta da apuração das acusações anteriores.
Política entra na entrevista esportiva
A referência a Bolsonaro surgiu no encerramento da entrevista, quando Renato questionava a atuação de jornalistas na cobertura do caso.
O treinador afirmou que o auxiliar teria sido acusado repetidamente e voltou a defender sua inocência. “A imprensa tem que parar de dar 5 minutos de fama para quem não deve dar”, declarou.
Na sequência, questionou a diferença entre a repercussão da detenção e a divulgação da soltura de Alexandre, encerrando sua manifestação com a declaração de apoio político.
O posicionamento ganhou repercussão porque ocorreu durante a campanha do segundo turno presidencial, em uma entrevista originalmente destinada à análise do desempenho do Grêmio no Campeonato Brasileiro.
Gre-Nal termina empatado
A entrevista ocorreu depois do empate por 1 a 1 entre Grêmio e Internacional, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O Internacional abriu o placar com Vitinho, ainda no primeiro tempo. Na etapa final, o zagueiro Wallace marcou para o Grêmio e garantiu a igualdade.
Com o resultado, o time comandado por Renato chegou aos 31 pontos e permaneceu na 18ª posição, dentro da zona de rebaixamento.
O próximo compromisso do Grêmio será contra o Cruzeiro, no domingo (18), às 16h, novamente na Arena. A equipe busca melhorar sua situação na reta final da competição.
A declaração de Renato ocorre em um período de manifestações públicas de apoio aos dois candidatos por representantes de diferentes setores da sociedade.
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