O técnico Mazola Júnior não escondeu a tristeza após o Paysandu empatar em 1 a 1 com o Brusque, neste domingo (11/10), em Santa Catarina, e encerrar a participação na Série C sem conquistar o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro.
Na entrevista coletiva, o treinador defendeu o desempenho da equipe nos quatro jogos sob seu comando, criticou as condições de segurança que provocaram a paralisação da partida no sábado (10/10) e afirmou que o clube precisa passar por mudanças para evitar novas oscilações entre as divisões nacionais. “Eu estou com um sentimento, parece que estou com uma facada no meio do peito”, declarou.
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MAZOLA COBRA APURAÇÃO SOBRE PARALISAÇÃO DO JOGO
Antes de analisar o desempenho das equipes em campo, Mazola voltou a falar sobre o episódio que levou à interrupção do confronto no sábado. O jogo foi paralisado após questionamentos sobre a segurança da estrutura no setor visitante do estádio, incluindo a torre utilizada pela equipe de transmissão. Para o treinador, o caso precisa ser apurado, e o departamento jurídico do Paysandu deverá tomar as medidas cabíveis.
“Eu sou funcionário do clube e, como funcionário, tenho que cumprir as ordens que me foram passadas pela diretoria. Agora é com o jurídico do Paysandu, porque ontem foram infringidas muitas regras do regulamento da competição”, afirmou.
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O comandante classificou o episódio como uma situação grave e cobrou providências das autoridades responsáveis. “Aquela cena que aconteceu aqui ontem, uma pré-tragédia, que ainda tinha alguns que queriam que o jogo continuasse, aquilo não pode passar em branco”, disse.
Questionado sobre quais regras teriam sido descumpridas, Mazola evitou antecipar uma avaliação jurídica. Segundo ele, foi informado de que possíveis irregularidades também teriam ocorrido na partida entre Ferroviária e Inter de Limeira, disputada em Araraquara. O treinador deixou a análise e as providências sob responsabilidade do departamento jurídico bicolor.
TREINADOR ELOGIA ATUAÇÃO, MAS LAMENTA CHANCES DESPERDIÇADAS
Ao avaliar o empate com o Brusque, Mazola afirmou que os jogadores cumpriram o planejamento estabelecido pela comissão técnica. Na visão do treinador, o Paysandu apresentou um bom futebol, criou oportunidades para ampliar a vantagem e poderia ter saído de campo com um resultado melhor. “O Papão fez exatamente tudo o que foi treinado, tudo o que foi pedido. Eu acho que nós tivemos um comportamento aqui sensacional, fantástico”, avaliou.
O técnico, no entanto, reconheceu que faltou eficiência no momento de transformar as oportunidades em gols, especialmente nos minutos finais. Ele destacou situações em que o Paysandu teve superioridade numérica no ataque, mas não conseguiu aproveitar os espaços criados.
“Mais uma vez, pecamos no último terço, principalmente na reta final. Várias vezes tivemos superioridade numérica e não tivemos discernimento. Fomos até um pouquinho egoístas em algumas situações e não acabamos matando o jogo”, analisou.
Mazola também ressaltou que o Brusque se lançou ao ataque em busca da vitória e conseguiu chegar ao empate em um lance de sobra dentro da área. Apesar do resultado, o treinador evitou responsabilizar individualmente qualquer jogador pelo desfecho. “Do meu time, dos meus jogadores, eu não tenho absolutamente nada a falar. Os caras foram fantásticos, trabalhadores”, declarou.
MAZOLA QUESTIONA ARBITRAGEM, MAS EVITA ENTRAR EM POLÊMICA
Perguntado sobre a arbitragem de Wilton Sampaio e o lance do gol de empate do Brusque, o treinador preferiu não aprofundar as críticas. Mazola afirmou que mudou sua postura em relação às reclamações públicas sobre decisões dos árbitros e considerou que esse tipo de manifestação pode acabar prejudicando os próprios técnicos. “É uma briga desleal entrar para esse lado. O treinador entrar para esse lado aí”, afirmou.
O comandante também comentou que percebeu uma diferença na postura do árbitro entre o sábado e o domingo, mas evitou detalhar a avaliação. “Eu prefiro responder pela minha equipe”, disse.
Na sequência, voltou a defender o elenco e lembrou que erros individuais fazem parte do futebol. Para Mazola, o desempenho coletivo apresentado pelo Paysandu nas últimas partidas não deve ser desconsiderado por causa da eliminação.
TÉCNICO COBRA MUDANÇAS NO PAYSANDU
A perda do acesso também levou Mazola a fazer uma avaliação mais ampla sobre o momento do clube. O treinador afirmou que o Paysandu não pode continuar alternando acessos e rebaixamentos e defendeu mudanças estruturais para que a equipe consiga construir um projeto de longo prazo.
“O Paysandu não pode estar na Série C do Campeonato Brasileiro. O Paysandu não pode ficar nessa gangorra na Série B: sobe, dois anos depois desce; sobe, dois anos depois desce. Alguma coisa tem que ser diferente, alguma coisa tem que mudar no clube”, declarou.
Para o técnico, o objetivo precisa ir além de retornar à segunda divisão. Ele defendeu que o Paysandu trabalhe para alcançar estabilidade esportiva e, futuramente, tenha condições de disputar a Série A do Campeonato Brasileiro.
Mazola também demonstrou frustração pelo desfecho da campanha e destacou que a torcida bicolor merecia uma conquista. Na avaliação dele, o desempenho apresentado nos quatro jogos sob seu comando dava ao time condições de alcançar a classificação. “O Paysandu merecia esse sucesso. A verdade é essa”, afirmou.
FUTURO NO CLUBE DEPENDE DE PLANEJAMENTO DA DIRETORIA
Questionado sobre a possibilidade de continuar no comando do Paysandu, Mazola Júnior informou que seu contrato terminou neste domingo, data do encerramento da participação bicolor na Série C. O treinador disse que qualquer decisão sobre a permanência dependerá das conversas com a diretoria e do planejamento para a próxima temporada.
“Meu contrato acabou hoje. Em termos de futuro no Paysandu, eu preciso primeiro ver a situação da diretoria, qual é a vontade para o planejamento da diretoria e do seu presidente, que ainda vai passar por uma eleição, mesmo sendo chapa única”, explicou.
O técnico afirmou que está disposto a ouvir uma eventual proposta para continuar o trabalho, mas considerou prematuro discutir os próximos passos imediatamente após a eliminação.
“Em primeiro lugar está o Paysandu. Depois o presidente e depois o treinador, a comissão técnica. Vamos ver o que a diretoria vai pensar. Eu sempre estarei disponível para o Paysandu”, declarou.
TRABALHO COM AS CATEGORIAS DE BASE
Mazola também contestou críticas de que não gosta de trabalhar com jogadores formados nas categorias de base. Ele classificou essa avaliação como uma inverdade e citou passagens anteriores por clubes paraenses, nas quais, segundo ele, houve revelação de atletas.
O treinador ressaltou, porém, que a utilização de jovens depende de uma avaliação sobre as condições de cada jogador para atuar no profissional, especialmente em um clube submetido à pressão por resultados como o Paysandu. “O Paysandu merecia subir”, diz Mazola
FUTURO NO PAPÃO EM ABERTO
Ao encerrar a entrevista, o treinador voltou a demonstrar abatimento com a eliminação e pediu tempo para refletir antes de fazer uma análise mais profunda sobre o futuro. Ele afirmou que pretende conversar com a diretoria após retornar a Belém e reiterou que o desempenho da equipe nas quatro partidas finais deixou a sensação de que o acesso poderia ter sido conquistado.
“Tudo que eu falar para você agora, eu prefiro deixar para esta semana. Como vou voltar para Belém, prefiro que a gente sente e troque ideia”, afirmou.
Mazola reforçou que a frustração está relacionada ao futebol apresentado pela equipe e à oportunidade perdida na reta final da competição. “Pelo que o meu time jogou nesses quatro jogos, o Paysandu merecia subir. A verdade é essa”, concluiu.






