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85% dos profissionais já trabalharam doentes; por que tantos têm medo de parar?

Pesquisa aponta que 85% dos profissionais já trabalharam mesmo estando doentes, em vez de tirar licença médica. Foto: reprodução

Uma pesquisa divulgada em 2026 pelo meuCurrículoPerfeito revelou que 85% dos profissionais já trabalharam mesmo estando doentes, em vez de tirar licença médica. O levantamento também mostra que 88% realizam tarefas profissionais fora do expediente, enquanto 63% continuam acompanhando assuntos de trabalho durante as férias. Os dados evidenciam a dificuldade de estabelecer limites entre a vida profissional e o tempo de descanso.

O Relatório dos Profissionais Sempre Disponíveis 2026 analisou como trabalhadores de países europeus lidam com a jornada profissional, as folgas e o direito à desconexão. Apesar da crescente atenção ao bem-estar no ambiente corporativo, muitos profissionais continuam respondendo a mensagens, verificando e-mails e cumprindo tarefas mesmo quando deveriam descansar.

“Estar sempre disponível não é resultado de um único comportamento, mas do acúmulo de pequenas decisões de permanecer conectado ao trabalho”, explica Jasmine Escalera, especialista em carreira do meuCurrículoPerfeito. “Seja checando e-mails nas férias, respondendo mensagens fora do expediente ou trabalhando doente, a linha entre trabalho e vida pessoal está cada vez mais tênue.”

Trabalhar doente: uma realidade para muitos

Entre os entrevistados, 30% disseram que trabalham doentes com frequência, enquanto 55% afirmaram que fazem isso ocasionalmente. Apenas 15% declararam nunca ter adotado esse comportamento.

Os resultados mostram que a prática vai além de situações isoladas. Quase um terço dos participantes trabalha doente com frequência, o que indica a dificuldade de interromper as atividades profissionais mesmo diante de problemas de saúde.

Jornada estendida: 88% trabalham fora do expediente

A conexão com o trabalho também ultrapassa os limites da jornada contratada. De acordo com o levantamento, 29% dos profissionais verificam e-mails, respondem mensagens ou realizam tarefas todos os dias após o expediente. Outros 29% fazem isso algumas vezes por semana.

Além disso, 14% mantêm esse comportamento algumas vezes por mês, enquanto 16% afirmam trabalhar fora do horário apenas raramente. Os 12% restantes disseram nunca realizar essas atividades fora da jornada.

Somados, os dados indicam que 88% dos profissionais trabalham fora do expediente pelo menos ocasionalmente. Mais da metade, 58%, faz isso algumas vezes por semana ou diariamente, o que demonstra como a disponibilidade profissional pode se estender para além do horário previsto.

Férias sem desconexão e dificuldade mental

O período de descanso também não representa uma pausa completa para muitos trabalhadores. A pesquisa aponta que 63% continuam acompanhando assuntos profissionais durante as férias, embora a frequência desse comportamento varie.

Entre os entrevistados, 47% disseram que conseguem se desconectar na maior parte do tempo, mas ainda verificam e-mails ocasionalmente. Outros 14% acompanham mensagens ou e-mails regularmente, enquanto 2% continuam trabalhando ou atendendo ligações.

Por outro lado, 37% afirmaram que conseguem se desligar completamente das atividades profissionais durante as férias. O resultado mostra que, para a maioria dos participantes, a pausa ainda pode incluir algum tipo de contato com as demandas do trabalho.

78% têm dificuldade para parar de pensar no trabalho

A desconexão não depende apenas de deixar o celular de lado ou parar de responder mensagens. O levantamento também identificou dificuldades para interromper mentalmente as preocupações profissionais durante o tempo livre.

Questionados sobre a frequência desse problema, 10% responderam que sempre têm dificuldade para parar de pensar no trabalho, enquanto 31% disseram enfrentar essa situação frequentemente. Outros 37% afirmaram que isso acontece às vezes.

Já 17% relataram dificuldades raramente, e apenas 5% disseram nunca passar por isso.

No total, 78% dos entrevistados têm dificuldade para se desligar mentalmente do trabalho pelo menos ocasionalmente. Para 41%, o problema ocorre com frequência ou sempre, indicando que as preocupações profissionais continuam presentes mesmo fora do expediente.

Culpa ao pedir folga e obstáculos à desconexão

A pesquisa também investigou como os profissionais se sentem ao solicitar dias de descanso ou afastamento. Os resultados apontam que 53% sentem culpa ou ansiedade ao pedir folga, ainda que a intensidade varie.

Entre os participantes, 6% afirmaram sentir essas emoções sempre, enquanto 22% disseram que isso acontece frequentemente. Outros 25% relataram o problema ocasionalmente.

Em contrapartida, 21% sentem culpa ou ansiedade raramente, e 26% disseram nunca experimentar esse desconforto. Os dados indicam que solicitar uma pausa ainda representa uma fonte de preocupação para mais da metade dos entrevistados.

Falta de equipe e excesso de trabalho dificultam a desconexão

A pesquisa identificou fatores operacionais, culturais e pessoais que dificultam o afastamento das atividades profissionais. A falta de cobertura da equipe lidera a lista, com 30% das respostas, seguida pelas expectativas dos chefes, mencionadas por 28%, e pelo excesso de trabalho, apontado por 27%.

Outros obstáculos também aparecem no levantamento. O sentimento de culpa foi citado por 18% dos participantes, enquanto 17% apontaram os aplicativos profissionais instalados no celular como uma barreira para se desconectar.

Além disso, 15% mencionaram dificuldades para estabelecer limites, e 14% disseram temer ser substituídos. O medo de perder informações importantes, conhecido pela sigla FOMO, apareceu em 9% das respostas.

Apenas 20% dos entrevistados afirmaram não enfrentar dificuldades para se desconectar do trabalho. O resultado sugere que a disponibilidade constante está relacionada não apenas às escolhas individuais, mas também à organização das equipes e às expectativas existentes no ambiente profissional.

Políticas de desconexão e metodologia da pesquisa

Embora 87% dos participantes afirmem que suas empresas respeitam o direito à desconexão fora do horário de trabalho, os demais resultados revelam um cenário mais complexo. A existência de políticas formais não impede, necessariamente, que os funcionários continuem respondendo a demandas durante as folgas ou trabalhem mesmo quando estão doentes.

A sobrecarga, a falta de profissionais para dividir as tarefas e as expectativas das chefias aparecem como obstáculos importantes. Nesse contexto, a possibilidade de descansar de verdade depende também das condições de trabalho e da maneira como as empresas organizam as atividades.

Como a pesquisa foi realizada

O relatório foi elaborado com base em uma pesquisa realizada em junho de 2026 com 1.000 profissionais empregados na Espanha, Itália, França e Alemanha. Os participantes responderam a perguntas de resposta única e múltipla sobre equilíbrio entre vida profissional e pessoal, utilização das férias, direito à desconexão e monitoramento da produtividade.

O levantamento foi divulgado pelo meuCurrículoPerfeito, plataforma de elaboração de currículos e cartas de apresentação que oferece ferramentas e orientações para quem busca oportunidades profissionais.

O relatório completo está disponível no site da empresa: https://www.meucurriculoperfeito.com.br/blog/relatorio-profissionais-sempre-disponiveis.

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