Muito antes de o axé music conquistar o Brasil e transformar os carnavais em grandes espetáculos, artistas já abriam caminho para o ritmo que se tornaria uma das marcas da música baiana. Entre esses pioneiros está o cantor e compositor Zé Paulo, um nome que, apesar de pouco lembrado quando se fala dos grandes representantes do gênero, ajudou a embalar festas e multidões nas décadas de 1980 e 1990 e continua firme na estrada.
O padrinho Chacrinha e a bandana de Zé Paulo
Natural de Ipiaú, no sul da Bahia, Zé Paulo começou sua trajetória musical nos anos 1980 e teve como padrinho artístico ninguém menos que Abelardo Barbosa, o eterno Chacrinha. Com presença frequente na televisão, o artista chamava a atenção pela energia contagiante, pelo repertório repleto de refrões grudentos e, claro, pela inseparável bandana na cabeça — uma de suas marcas registradas, muito antes de Bell Marques eternizar o acessório entre os símbolos do axé.
“Rala o Pinto” e outros sucessos do axé
Quem viveu aquela época dificilmente esquece o sucesso de “Rala o Pinto”, uma das músicas mais emblemáticas de seu repertório. Na sequência, vieram outros hits que ganharam espaço em festas, micaretas e carnavais, como “Feijão com Arroz”, “Barriga Vazia” e “Dança do Xenhenhem”. Canções de letras irreverentes e refrões fáceis, feitas para colocar o público para dançar e cantar junto.
Quatro décadas de carreira e legado no axé
Ao longo de quatro décadas de carreira, Zé Paulo construiu uma discografia com 13 CDs lançados, dos quais quatro são registros ao vivo. Uma trajetória marcada por apresentações na televisão, músicas populares e muita disposição para manter viva a essência festiva que ajudou a consolidar a axé music.
Hoje, o cantor segue se apresentando, principalmente em palcos menores, sem abandonar a estrada e a conexão com o público. Seu nome ainda aparece na memória de quem acompanhou a explosão do gênero e continua sendo lembrado em carnavais fora de época, eventos que preservam a energia das antigas micaretas.
Aos 40 anos de carreira, Zé Paulo é daqueles artistas que merecem ser revisitados quando se conta a história da música baiana. Mesmo sem o reconhecimento nacional alcançado por outros nomes da mesma geração, ele segue na ativa, levando seus sucessos adiante e mostrando que a história do axé também foi construída por personagens que nem sempre receberam os holofotes que mereciam.
O post Antes da bandana de Bell Marques, ele já fazia história no axé; onde está Zé Paulo apareceu primeiro em Diário do Pará.






