O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, suspeito de matar a tiros o estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, foi preso nesta quarta-feira (7), em São Paulo. A prisão ocorre uma semana após o crime registrado em Taubaté e dá novo capítulo ao caso que também repercutiu no Pará, onde a vítima iniciou a graduação em Medicina, na Universidade da Amazônia (Unama), em Santarém.
Marcos teve a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo após recurso apresentado pelo Ministério Público. Segundo a defesa, o bombeiro apresentou-se voluntariamente e foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista. Ele responde por homicídio doloso.
O militar havia sido preso em flagrante no dia do crime, mas recebeu liberdade provisória em audiência de custódia na quinta-feira (1º). O MP-SP recorreu e obteve a prisão preventiva, decretada pela desembargadora Gilda Alves Barbosa Diodatti.
Marcos é soldado de 1ª Classe da Polícia Militar de São Paulo e ingressou na corporação em 2016. Segundo dados citados pelo UOL, ele estava de licença sem vencimentos por vontade própria desde maio.
Crime ocorreu a caminho da faculdade
Bruno foi morto na manhã de 30 de setembro, quando seguia para a Universidade de Taubaté (Unitau). O estudante dirigia pela Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, quando se envolveu em uma discussão de trânsito com Marcos.
Durante o desentendimento, o bombeiro efetuou pelo menos quatro disparos contra o estudante. Bruno chegou a receber socorro e foi encaminhado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu. A arma utilizada foi apreendida e o caso passou a ser investigado como homicídio pelo 1º Distrito Policial da cidade.
A defesa sustenta que Marcos agiu em legítima defesa. O advogado Claudio Rodrigues Moreira afirma que o militar acreditou estar diante de uma possível tentativa de assalto depois de visualizar um objeto nas mãos do estudante. Um canivete foi apreendido com Bruno, segundo a polícia. A tese defensiva ainda será examinada no curso da investigação e do processo.
A defesa declarou ainda que pretende demonstrar sua versão pelos meios processuais adequados e que não antecipará publicamente a análise das provas enquanto diligências estiverem em andamento.
Sonho começou no Pará
A morte teve forte repercussão no Pará por causa da ligação de Bruno com Santarém. O jovem deixou São Paulo para iniciar Medicina na Unama e integrou a primeira turma do curso na instituição. Em vídeo divulgado pela universidade em 2024, falou sobre a realização de um sonho: “Eu vim cursar medicina agora na Unama, em Santarém. Vim realizar o meu sonho, que é cursar a carreira de medicina.”
Posteriormente, Bruno retornou a São Paulo e conseguiu transferência para a Unitau. Quando morreu, cursava o quarto semestre de Medicina. Era casado e pai de um menino de dois anos.
Familiares e amigos o descreviam como alegre, carinhoso e otimista. O avô, Ailton San Juliano, lamentou que o projeto profissional do neto tivesse sido interrompido. “O sonho dele era ser médico”, afirmou após a morte.
Mãe pediu justiça
A morte provocou uma forte manifestação da mãe do estudante, Soraia Hashimura. Em entrevista à TV Vanguarda, reproduzida pelo Diário do Pará, ela resumiu o impacto da perda com a frase: “As balas do Bruno estão em mim”.
Soraia também declarou confiar no trabalho das autoridades. “Eu acredito na Justiça”, afirmou. Segundo a família, Bruno passou por diferentes caminhos para concretizar o objetivo de ser médico, incluindo estudos no Pará e um período de formação na Argentina antes da transferência para a Unitau.
Na instituição paulista, ele havia conquistado a única vaga disponível em um processo de transferência externa disputado por outros 15 candidatos.
Comoção entre estudantes
A morte de Bruno mobilizou a comunidade acadêmica de Taubaté. A Unitau suspendeu as aulas de Medicina e disponibilizou acolhimento psicológico a estudantes e professores. Colegas também participaram de missa e vigília na Avenida do Povo, onde o universitário foi baleado.
Velas e cartazes pedindo justiça foram levados ao local. O corpo do estudante foi velado em Jacareí e sepultado no Memorial do Vale.
Com a prisão preventiva cumprida nesta quarta-feira, Marcos Paulo permanece à disposição da Justiça. A responsabilidade criminal ainda será definida no processo, no qual a acusação sustenta homicídio doloso e a defesa afirma que o bombeiro agiu em legítima defesa.
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