A economia do Pará cresceu 1,17% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, e apresentou desempenho superior ao registrado pelo Brasil, que avançou 0,48% no mesmo período. Os dados foram compilados pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), com base nas informações do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais (SCNT) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre abril e junho, o PIB do Pará alcançou R$ 74,8 bilhões, o equivalente a 2,2% do PIB brasileiro, que chegou a R$ 3,42 trilhões no período.
O setor de Serviços continuou como o principal componente da economia estadual, movimentando R$ 39,4 bilhões, ou 52,6% do PIB paraense. A Indústria somou R$ 17,9 bilhões, enquanto a Agropecuária alcançou R$ 11,37 bilhões.
Agropecuária e indústria puxam crescimento
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a Agropecuária foi o setor que mais avançou, com crescimento de 8,72%, acima dos 2,82% registrados nacionalmente.
Segundo a Fapespa, o resultado foi favorecido pelas condições climáticas durante a colheita do milho de segunda safra, além do aumento no abate de bovinos e da valorização do preço da arroba do boi gordo.
A Indústria também apresentou recuperação, com alta de 2,88% no trimestre, enquanto o setor industrial brasileiro avançou 0,12%. O resultado paraense foi impulsionado pela produção recorde do complexo de ferro S11D.
Já o setor de Serviços registrou queda de 1,66% no trimestre, influenciado principalmente pela retração do segmento imobiliário. No Brasil, o setor apresentou crescimento de 0,19%.
Pará ainda sente impacto da mineração
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB paraense teve uma leve retração de 0,07%, enquanto o Brasil cresceu 1,98%.
O resultado estadual foi pressionado principalmente pela Indústria, que recuou 8,03% no período. Segundo a Fapespa, um dos fatores foi a menor disponibilidade de minério run-of-mine no Sistema Norte da Vale, em Serra Norte.
Por outro lado, a Agropecuária cresceu 8,02% na comparação anual, enquanto os Serviços avançaram 1,18%.
Primeiro semestre termina com alta de 0,33%
No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, o PIB do Pará cresceu 0,33% em relação ao primeiro semestre de 2025. No mesmo período, o Brasil registrou alta de 1,91%.
A Agropecuária foi novamente o principal destaque, com crescimento acumulado de 7,08%, acima dos 3,59% registrados no país.
A agricultura avançou 3,82%, enquanto a pecuária teve alta de 17%. Entre os produtos que apresentaram crescimento estão a cana-de-açúcar, com 18,2%, a mandioca, com 4,8%, e o cacau, com 3,1%.
A produção da segunda safra de milho chegou a 1,59 milhão de toneladas, crescimento de 5,4%.
Apesar do resultado negativo, a indústria apresentou sinais de recuperação no segundo trimestre. A Indústria Extrativa acumulou queda de 10,36% no semestre, mas o complexo S11D registrou produção de 23,4 milhões de toneladas, alta de 11,9%.
As minas de cobre de Salobo e Sossego também tiveram aumento na produção, de 3,8% e 26,3%, respectivamente.
Serviços avançam e ajudam na geração de empregos
O setor de Serviços acumulou crescimento de 3,37% no primeiro semestre, impulsionado principalmente pela Administração Pública, Comunicação, que avançou 6,06%, e Transportes, com alta de 3,63%.
O desempenho também teve reflexos no mercado de trabalho. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que os setores de Serviços e Comércio geraram 6.033 novos empregos formais no Pará no segundo trimestre.
No primeiro semestre, foram mais de 13,2 mil postos de trabalho criados nesses segmentos.
Segundo Rickson Oliveira, pesquisador responsável pelo relatório da Fapespa, o desempenho do segundo trimestre foi influenciado principalmente pela Agropecuária e pela recuperação pontual da Indústria.
“A força da agropecuária, impulsionada pela safra de milho e valorização da pecuária, aliada à recuperação pontual da indústria, foi decisiva para colocar a economia do estado em trajetória de crescimento acima da média nacional”, destacou.
O boletim do PIB do Pará referente ao segundo trimestre de 2026 foi elaborado pela Diretoria de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação (DETGI) e pela Coordenadoria de Estatística Econômica e Contas Regionais (CEECR) da Fapespa.






