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O que trouxe sua empresa até aqui pode não funcionar na próxima fase

Diego Alegre, CEO e cofundador do Arquipélago – Culturas que Transformam

O Brasil registrou cerca de 3,6 milhões de novos negócios entre janeiro e julho de 2026. Só em julho, foram aproximadamente 485 mil novas empresas, segundo dados do Mapa de Empresas, do Governo Federal, que considera a abertura de CNPJs. Mais do que mostrar a força do empreendedorismo no país, os números colocam outra questão em discussão: o que acontece quando uma empresa entra em novos ciclos de crescimento?

Crescer pode significar aumentar o faturamento, contratar mais pessoas, chegar a novos mercados ou ampliar a complexidade da operação. Mas as transformações necessárias para sustentar esse crescimento nem sempre acontecem na mesma velocidade.

O movimento também aparece entre empresas já consolidadas. A 29ª CEO Survey 2026, pesquisa anual da PwC que entrevista CEOs em diferentes países sobre os desafios e perspectivas para os negócios, mostra que 51% dos CEOs brasileiros afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos, contra 42% na média global.

Para Diego Alegre, CEO e cofundador do Arquipélago – Culturas que Transformam, entrar em um novo ciclo exige mais do que rever estratégia: é preciso observar se a cultura e a liderança estão acompanhando a mudança.

“Uma cultura que funcionou em determinado momento da empresa pode deixar de funcionar quando a organização muda de tamanho, de mercado ou de desafio.”

Quando o que trouxe a empresa até aqui deixa de ser suficiente

No início de uma empresa, é comum que decisões estejam concentradas nos fundadores e que eles acompanhem de perto praticamente todas as áreas. Com o crescimento, esse modelo pode deixar de funcionar.

Novas lideranças precisam ser desenvolvidas, decisões precisam ser distribuídas e comportamentos que fizeram sentido em uma determinada fase podem precisar ser revistos.

“Nem tudo que trouxe uma empresa até aqui vai necessariamente levá-la para o próximo estágio”, afirma Diego.

O desafio, segundo ele, não é abandonar a identidade construída pela organização, mas diferenciar essência de hábito. Uma empresa pode preservar seus princípios enquanto transforma processos, estruturas e formas de trabalhar.

Crescer sem perder a essência

O tema também está presente em estudos desenvolvidos pelo Arquipélago sobre organizações centenárias. Empresas que atravessam gerações precisam se adaptar a novas tecnologias, mercados e comportamentos sem perder aquilo que as torna reconhecíveis.

Para Diego, a mesma lógica vale para empresas que estão entrando em uma nova fase de crescimento.

“Construir uma visão de futuro não significa prever exatamente o que vai acontecer. Significa entender que tipo de organização queremos construir e quais mudanças precisamos fazer para chegar lá.”

Nesse cenário, crescimento deixa de ser apenas uma questão de tamanho. Passa a envolver a capacidade de mudar a forma de liderar, tomar decisões e trabalhar sem perder a essência da organização.

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