Nesta terça, 05, a partir das 19h, a Praça Santuário, em Belém, recebe a quarta edição do Bendito Encontro, espetáculo que abre a programação oficial da festividade e reúne Padre Omar, Ziza Fernandes, Felipe Alcântara, William Sanfona e Flavio Vitor. A direção musical será de Henrique Cirino. A programação foi apresentada nesta segunda-feira (5), durante coletiva na Casa de Cultura É Círio Outra Vez, em Nazaré.
Além dos artistas convidados, a noite terá a estreia do Coral da Casa de Cultura É Círio Outra Vez. O grupo é resultado de uma oficina gratuita de canto coral realizada ao longo dos últimos meses, sob a condução do maestro Jeremias Progênio, e chega ao palco depois de um período de formação e preparação musical.
Entre os convidados, William Sanfona desembarca do Nordeste trazendo ao palco a linguagem do forró católico. “Nós somos um povo peregrino e estamos acostumados a caminhar segurando no manto de Maria. Acho que o Círio de Nazaré cumpre uma função muito importante ao mostrar para o Brasil essa fé genuína, popular. É uma fé que vem da experiência de vida, de tantos milagres e tantos testemunhos”, afirmou.
Forró católico e evangelização pela música
A proposta, segundo William, não é medir o resultado da apresentação apenas pelo tamanho do público, mas pela capacidade da música de alcançar quem estiver na Praça Santuário. “Tem música para quando a gente está sofrendo, para a dificuldade, tem louvor e adoração. Às vezes você pode cantar uma música que ninguém conhece, mas basta que uma pessoa saia dali restaurada para que a missão já tenha valido a pena. Sucesso não é uma régua que se mede pelos dados de público, mas pelo que você causa na vida de alguém”, declarou.
Música inspirada na festividade
Para Felipe Alcântara, o retorno a Belém tem um significado igualmente particular. Presente no Bendito Encontro desde a primeira edição, Felipe trabalhava com o forró e percorria o país profissionalmente, mas encontrou na passagem por Belém a decisão de dedicar sua música à evangelização. “O Círio foi uma grande virada de chave para mim como artista. Foi aqui que eu olhei e disse ‘eu quero cantar para Deus e quero levar isso adiante’. Ao cantar diante da imagem de Nossa Senhora, percebi que tudo o que a gente faz ganha um sentido maior quando coloca Deus no centro”, contou.
A experiência também inspirou a música “Círio, Bendito Encontro”. Segundo Felipe, a composição nasceu da tentativa de traduzir em música aquilo que sentiu em sua primeira participação na festividade. “Quando voltei para a minha terra, eu não conseguia explicar o que era o Círio. Depois descobri que o Círio não se explica, ele se vive. Cantar durante a procissão, olhar para a imagem de Nossa Senhora e ver aquela multidão me fez entender o que eu precisava fazer da minha vida”, disse.
Padre Omar, reitor do Santuário do Cristo Redento, no Rio de Janeiro, ressaltou que o espetáculo procura unir religiosidade e elementos da cultura popular. “É um diálogo com a cultura, com a fé interagindo de forma plena. A partir das canções, queremos agradecer e engrandecer o nome de Maria e o nome de Deus. Em dias tão intensos no nosso país, de tanta polarização, temos um momento de paz e de sossego. Nossa Senhora de Nazaré nos ajuda a contextualizar a nossa vida”, afirmou.
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