O cantor Gusttavo Lima foi condenado pela Justiça do Piauí a pagar R$ 5 mil a uma espectadora que foi expulsa de um show de Réveillon em Fortaleza, no Ceará. A decisão considerou que Gusttavo Lima expôs e constrangeu publicamente a mulher ao usar o microfone para acusá-la de jogar água em sua direção e determinar que fosse retirada do evento.
A decisão foi proferida na última quarta-feira (30) e também responsabilizou o Marina Park Hotel pelo episódio. Virgínia Nogueira havia pedido R$ 500 mil em indenização, mas a Justiça julgou a ação parcialmente procedente e fixou em R$ 5 mil.
A espectadora também solicitou o reembolso de despesas com ingressos, hospedagem, transporte e alimentação, além de R$ 50 mil por supostos prejuízos profissionais. No entanto, os pedidos de indenização por danos materiais foram negados pela Justiça. Segundo a decisão, porém, não houve comprovação suficiente de que os valores apresentados representavam prejuízos diretamente suportados por Virgínia. Parte dos documentos, ainda de acordo com o juiz, estava em nome de terceiros.
O episódio aconteceu na virada de 2022 para 2023, durante uma apresentação realizada no Marina Park Hotel. Segundo os autos, o cantor interrompeu o show depois de afirmar que a espectadora havia jogado uma garrafa de água em direção ao palco.
“Pode tirar do evento. Você jogou água em mim, uma, duas, três vezes. Estou tratando você com maior carinho. Isso é sacanagem o que você tá fazendo. Pode tirar ela do evento”, disse o cantor durante a apresentação.
Mulher alegou constrangimento público
Após o episódio, Virginia Nogueira recorreu à Justiça alegando ter sido retirada do evento de maneira vexatória. Segundo a ação, a exposição provocou constrangimento presencial, ataques nas redes sociais e abalos psicológicos.
Na época, Virginia também publicou um relato nas redes sociais no qual afirmou ter se indignado com o que classificou como uma conotação política dada pelo cantor ao episódio. A publicação não está mais disponível.
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Segundo a ação, após os comentários feitos por Gusttavo Lima, Virginia teria feito um gesto com a mão em referência ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
Defesa de Gusttavo Lima contestou acusação
Durante o processo, a defesa de Gusttavo Lima sustentou que a retirada da espectadora foi uma medida de segurança diante do suposto arremesso repetido de garrafas em direção ao palco. Os advogados também alegaram culpa exclusiva da mulher e ausência de ato ilícito por parte do cantor.
Já o Marina Park Hotel afirmou não ter responsabilidade sobre o episódio. O estabelecimento argumentou que apenas havia cedido o espaço para a realização do evento, por meio de contrato com a empresa organizadora.
Na sentença, o juiz Carlos Marcello Sales Campos considerou que a projeção nacional de Gusttavo Lima contribuiu para ampliar a repercussão do episódio. Para o magistrado, a exposição pública, somada à gravação e à circulação das imagens nas redes sociais, contribuiu para ataques e estigmatização da mulher.
Defesa pretende recorrer do valor
A defesa de Virginia Nogueira comemorou o reconhecimento da responsabilidade pelo episódio, mas informou que pretende recorrer do valor estabelecido pela Justiça.
Segundo o advogado Decio Mota, a indenização de R$ 5 mil ficou abaixo do que a defesa considera adequado diante dos impactos causados pela exposição.
A defesa de Gusttavo Lima foi procurada, mas não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.
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