Uma disputa pela guarda de uma menina brasileira de 4 anos terminou em tragédia em Houston, no Texas, nos Estados Unidos. Cibelle Kubala, de 35 anos, é suspeita de matar a filha Vivian a tiros e, em seguida, atirar contra si mesma em 29 de setembro de 2026, poucas horas depois de uma decisão judicial determinar que a criança passaria a viver principalmente com o pai, Aaron Savella.
Na manhã daquele dia, Cibelle participou de uma audiência no Condado de Harris sobre a custódia da filha. A magistrada responsável pelo processo decidiu que Vivian passaria a morar principalmente com Aaron, que também recebeu autoridade exclusiva para tomar decisões relacionadas à educação, aos cuidados médicos e ao tratamento de saúde mental da criança.
A decisão estabeleceu ainda que o convívio de Cibelle com a filha deveria ocorrer sob supervisão contínua. A entrega da menina ao pai estava prevista para a mesma noite, mas não chegou a acontecer.
Tragédia após audiência de custódia
Horas depois da audiência, policiais foram acionados para atender uma ocorrência na residência onde Cibelle e Vivian estavam. Ao chegarem ao imóvel, encontraram a criança morta após ser atingida por um disparo de arma de fogo.
Cibelle também apresentava ferimento provocado por tiro. Ela foi socorrida e encaminhada para atendimento hospitalar, mas morreu no dia seguinte, 30 de setembro.
Segundo a polícia de Houston, a suspeita é de que a brasileira tenha atirado contra a própria filha e, posteriormente, contra si mesma. O tenente Larry Crowson, da polícia local, relatou à emissora ABC13 que a audiência realizada horas antes não havia terminado de maneira favorável para a mãe.
“Houve uma audiência de guarda mais cedo hoje que não foi bem para a mãe. Ela chegou em casa, atirou na criança de quatro anos e depois atirou em si mesma”, afirmou Crowson.
Restrições judiciais e o pai da criança
Documentos judiciais citados pela imprensa norte-americana indicam que a disputa familiar se prolongava desde a separação de Cibelle e Aaron, iniciada em 2022. O divórcio foi concluído em 2024, mas as divergências relacionadas à custódia da menina continuaram sendo discutidas judicialmente.
Além de determinar que Vivian viveria principalmente com o pai, a decisão de 29 de setembro restringiu o contato da mãe com a criança e estabeleceu supervisão durante os encontros.
Informações divulgadas pela imprensa norte-americana apontam ainda que Cibelle não poderia conversar em português com a filha sem a presença de um supervisor que compreendesse o idioma. A decisão também teria estabelecido outras limitações relacionadas à participação da mãe em atividades da menina.
Pai aguardava a filha
Aaron Savella aguardava receber Vivian naquela noite, conforme estabelecido pela Justiça. A transferência da criança, entretanto, nunca ocorreu.
Advogados que representam o pai afirmaram que ele seguiu as determinações judiciais durante a disputa familiar e aguardava o cumprimento da nova decisão. Os representantes disseram ainda que Aaron ficou devastado com a morte da filha.
Repercussão e investigação do caso
A advogada Charlotte Rainwater, que atua na área de Direito de Família, afirmou à emissora KHOU que jamais havia enfrentado uma situação semelhante durante quase três décadas de atividade profissional.
“Tenho atuado em direito de família há 28 anos e nunca vivi nada parecido. Não acho que ninguém naquela sala de audiência na terça-feira tenha imaginado que esse poderia ser o resultado”, declarou.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, o atual marido de Cibelle e uma babá estavam na residência quando os disparos ocorreram. A polícia não apontou envolvimento dos dois nas mortes.
O caso passou a ser investigado pelas autoridades de Houston. A reportagem original do Migalhas informa que documentos do processo atribuíam ao pai a responsabilidade principal pelas decisões relacionadas à criança e que a entrega de Vivian, prevista para a noite de 29 de setembro, não chegou a ser concretizada.
O episódio ganhou repercussão no Brasil e nos Estados Unidos pela sequência entre a decisão judicial envolvendo a custódia da criança e as mortes registradas poucas horas depois.
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