O bem-humorado padre Josileudo Cruz, da Arquidiocese de Fortaleza, respondeu a uma pergunta curiosa de um fiel: quanto ganha e qual é o salário de um padre? A resposta é direta: não há salário, férias remuneradas ou aposentadoria por carteira assinada para sacerdotes, pois o sacerdócio é um serviço pastoral e vocacional.
“Primeira coisa, a gente não recebe salário, viu? Padre não recebe salário. A gente não tem direito a salário. A gente não tem carteira assinada, não tem direito à aposentadoria, não tem direito a férias remuneradas, nada disso. É por amor e vocação”, disse o padre.
O que são as côngruas
Segundo explicou o padre Josileudo, o valor financeiro repassado mensalmente ao sacerdote recebe o nome de côngruas: uma ajuda de custo estipulada e fornecida pela paróquia para cobrir as despesas básicas do sacerdote, variando o montante de uma comunidade para outra.
“Côngruas é uma ajuda que a paróquia dá para o padre. Aí depende de paróquia para paróquia”, detalhou. Ele destacou que o sacerdote tem direito a morar na casa paroquial, utilizar o carro paroquial e receber alimentação fornecida pela paróquia, mas ponderou que esses bens pertencem à instituição e não ao patrimônio pessoal do religioso.
Despesas pessoais com medicamentos, vestuário e momentos de lazer precisam ser custeadas pelo próprio sacerdote a partir dessa ajuda de custo.
Valores e reajustes
Em entrevista ao canal POP SHOW TV, o padre José Eduardo também abordou o tema da remuneração e detalhou como os valores são fixados no cotidiano diocesano. Segundo o religioso, na Arquidiocese de São Paulo, a ajuda financeira média gira em torno de dois salários mínimos.
O sacerdote explicou que o valor varia conforme a região e a diocese do país. Além do valor base, os sacerdotes contam com um reajuste quinquenal de 5% sobre a ajuda de custo.
Assim como ressaltado pelo padre Josileudo, o padre José Eduardo lembrou que o custo de vida do sacerdote é reduzido pelo fato de a igreja fornecer moradia e veículo oficial. “A casa de graça, o carro a igreja dá, não é meu, é da igreja. Comida você ganha muita doação, então seu custo é mais baixo, mas não dá para ter uma vida esbanjando”, afirmou durante a entrevista.
A questão da aposentadoria
Ainda no bate-papo no canal, o padre José Eduardo esclareceu que os sacerdotes podem ter outras fontes de renda complementares, desde que o trabalho não prejudique o desempenho e a dedicação aos deveres da paróquia. Entre as atividades permitidas estão a publicação de livros com recebimento de direitos autorais, a comercialização de cursos de formação e a atuação como professor ministrando aulas.
Sobre a aposentadoria, o religioso ressaltou que o sacerdócio possui caráter indelével, ou seja, a marca espiritual do sacramento permanece para sempre. Por essa razão, o padre não se “aposenta” da vocação sacerdotal, embora possa deixar de exercer funções administrativas ou pastorais ativas quando a avançada idade ou a saúde já não permitirem o trabalho diário.
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