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Ex-aluno da Unama, estudante de Medicina é morto a tiros após discussão de trânsito em SP

Estudante de Medicina que iniciou a trajetória acadêmica em Santarém, Bruno Hashimura morreu aos 23 anos após ser baleado durante uma discussão de trânsito em Taubaté. Homem que atirou já está solto. Foto: Reprodução

Um jovem de São Paulo que deu seus primeiros passos na Medicina estudando no Pará teve a trajetória interrompida de forma trágica. Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, que iniciou o curso de Medicina na Universidade da Amazônia (Unama), em Santarém, no oeste do Pará, morreu após ser baleado durante uma discussão de trânsito em Taubaté, no interior de São Paulo.

Bruno começou a formação médica em Santarém, onde viveu parte da trajetória acadêmica. Em 2024, a Unama publicou um vídeo em que o estudante falava sobre o sonho de cursar Medicina. Depois, ele se transferiu para a Faculdade de Medicina de Taubaté, ligada à Universidade de Taubaté (Unitau), onde estudava atualmente.

A morte aconteceu na manhã de quarta-feira, 30, na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Bruno se envolveu em uma discussão de trânsito e acabou baleado por um bombeiro militar.

O estudante chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu aos ferimentos.

Do Pará para o sonho da Medicina

A passagem de Bruno por Santarém faz parte da história acadêmica que ele construiu antes de retornar ao estado de São Paulo. O jovem havia deixado sua cidade para estudar no Pará e seguir o objetivo de se formar médico.

A Unama lamentou a morte do ex-aluno.

“Neste momento de dor, manifestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e colegas, desejando força e conforto a todos”, declarou a instituição.

A universidade também havia apresentado Bruno em um vídeo publicado em 2024. Na gravação, ele falava sobre a escolha pela Medicina e sobre o caminho que havia decidido seguir.

Depois da passagem pelo Pará, Bruno continuou os estudos em São Paulo. Na Unitau, cursava o segundo ano de Medicina e era lembrado por colegas e professores pela dedicação à graduação.

Além da vida acadêmica, o jovem também havia construído uma família. Bruno era casado e pai de um menino de dois anos.

Amigos e familiares o descreviam como uma pessoa alegre, carinhosa e otimista. Ele também era apaixonado por futebol e conhecido pelo bom humor.

“Era uma pessoa incrível, era uma pessoa extremamente alegre. Nunca havia sido uma pessoa tão otimista quanto ele. Ele fazia sempre um bom humor para a gente, alegrava nossos dias”, afirmou um colega.

Para a família, a morte interrompeu não apenas uma vida, mas também um projeto que Bruno perseguia havia anos.

“O sonho dele era ser médico. Interromperam um sonho foi besteira”, lamentou o avô de Bruno, Ailton San Juliano.

O que aconteceu em Taubaté

A discussão que terminou com a morte do estudante começou, segundo a investigação, no túnel de entrada de Taubaté. Bruno e o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira estavam em veículos diferentes quando tiveram um primeiro desentendimento.

Minutos depois, os dois voltaram a se encontrar em um semáforo próximo à Avenida do Povo.

De acordo com as informações apuradas pela Polícia Civil, o bombeiro saiu do veículo e se aproximou de Bruno antes dos disparos.

A defesa de Marcos apresenta outra versão para o episódio. Segundo o advogado Cláudio Rodrigues, o bombeiro teria acreditado que estava diante de uma tentativa de assalto e afirma que o estudante carregava um objeto que aparentava ser uma arma.

Nenhuma arma de fogo foi encontrada com Bruno ou dentro do carro dele, conforme as informações divulgadas sobre a investigação.

Depois de ser atingido pelos disparos, Bruno conseguiu sair do veículo e correu pela calçada. Ele caiu cerca de 70 metros depois.

O Samu realizou o atendimento e encaminhou o estudante ao Hospital Regional de Taubaté. Apesar dos esforços, Bruno não resistiu.

Bombeiro foi solto após audiência de custódia

Marcos Paulo Fujarra de Oliveira foi preso em flagrante após o disparo que matou Bruno. Ele é bombeiro militar e está na corporação há pouco mais de dez anos. Segundo informações apuradas no caso, estava afastado por licença desde maio.

Na quinta-feira, 1º, o bombeiro passou por audiência de custódia e recebeu liberdade provisória.

A Justiça estabeleceu medidas cautelares. Entre elas estão o comparecimento bimestral em juízo, o recolhimento domiciliar noturno nos fins de semana e dias de folga e a proibição de deixar a comarca por mais de 15 dias sem comunicar à Justiça.

Também ficou determinado que Marcos não se aproxime nem mantenha contato com os familiares de Bruno.

Além disso, a Justiça determinou que a Polícia Militar suspenda o porte de arma do bombeiro e o direcione para atividades administrativas.

A investigação continua para esclarecer a dinâmica da discussão e dos disparos.

Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, bombeiro militar acusado de matar Bruno Hashimura, recebeu liberdade provisória após audiência de custódia. Foto: Reprodução

Homenagens ao estudante

A morte de Bruno provocou mobilização entre estudantes e professores da Unitau. A instituição suspendeu as aulas do curso de Medicina e disponibilizou atendimento psicológico para alunos e professores.

Na noite seguinte à morte, familiares, colegas e professores participaram de uma missa e de uma vigília em memória do estudante na Avenida do Povo, local onde ele foi baleado.

O corpo de Bruno foi velado na quinta-feira, 1º, no Campo das Oliveiras, em Jacareí. O sepultamento ocorreu no Memorial do Vale.

Para quem acompanhou sua trajetória, fica a lembrança do jovem que saiu de São Paulo, passou por Santarém para estudar Medicina na Unama e continuou perseguindo o objetivo de vestir o jaleco como médico.

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