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Caso Djidja Cardoso: Mãe de ex-Sinhazinha vai ao regime semiaberto

Cleusimar Cardoso, condenada a 10 anos e 11 meses de prisão por tráfico de cetamina em Manaus, deixou o presídio nesta terça-feira (29), após obter o direito ao regime semiaberto. Ela passará a usar tornozeleira eletrônica.

Cleusimar é dona de uma rede de salões de beleza e mãe de Djidja Cardoso, ex-Sinhazinha do Boi Garantido encontrada morta em maio de 2024 por suspeita de overdose da droga.

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Ao sair do presídio, Cleusimar foi recebida com festa por funcionários de um de seus estabelecimentos. Os empregados organizaram uma recepção com faixas, cartazes, fogos de artifício e um paredão de som.

“Liberdade! Esperamos muito por esse dia”, disseram alguns presentes. Um dia antes da soltura, os próprios funcionários distribuíram flyers e convites para o evento.

Os salões da família, aliás, ainda utilizam a imagem de Djidja Cardoso para promover seus serviços, mesmo após a morte da ex-sinhazinha.

Decisões judiciais anteriores negaram a liberdade

Em dezembro de 2024, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça negou, por unanimidade, pedidos de habeas corpus de Cleusimar, de seu filho Ademar Farias Cardoso Neto e de Hatus Moraes Silveira.

O STJ entendeu que a manutenção das prisões era legal, mesmo após o Tribunal de Justiça do Amazonas anular as sentenças condenatórias por erro processual, laudos toxicológicos foram juntados ao processo sem que as defesas tivessem oportunidade de contestá-los.

O relator, ministro Sebastião Reis Júnior, destacou que a anulação da sentença não implica soltura automática. Portanto, os fundamentos da prisão preventiva permaneciam válidos, sobretudo diante da gravidade das condutas, do risco de reiteração criminosa e da necessidade de garantir a ordem pública.

O grupo religioso e o uso ritualístico da cetamina

Segundo a investigação da Polícia Civil do Amazonas, Cleusimar e Ademar criaram e lideraram um grupo chamado “Pai, Mãe, Vida”, de cunho religioso e espiritual.

O grupo pregava uma suposta expansão da consciência pelo uso contínuo de cetamina, substância anestésica de uso humano e veterinário que causa alucinações e dependência.

Dentro da crença, Ademar era visto como a representação de Jesus Cristo, Cleusimar seria Maria e Djidja encarnava Maria Madalena.

Os rituais, de acordo com a polícia, ocorriam na residência da família e nos salões de beleza. Nos locais foram encontrados:

  • Ampolas de cetamina;
  • Dezenas de seringas e agulhas;
  • Aparelhos celulares, computadores e documentos.

Relatos de controle, violência e dependência

Depoimentos de ex-funcionários descrevem um ambiente de controle emocional, isolamento social e dependência química.

Uma ex-funcionária afirmou à polícia que Djidja sofria agressões da própria mãe, que a beliscava, torcia seus braços e a tratava com violência. Segundo o relato, a ex-sinhazinha estava debilitada e pedia para as agressões cessarem.

Familiares de Djidja chegaram a registrar boletins de ocorrência para tentar ajudá-la, mas afirmaram que eram impedidos de se aproximar.

Além disso, a investigação reuniu relatos de outras pessoas atraídas para o grupo, entre elas Verônica da Costa Seixas, gerente de um dos salões, que passou a seguir os ensinamentos e a se submeter a protocolos físicos e espirituais.

Investigações indicaram, ainda, que algumas vítimas foram submetidas a violência sexual e aborto.

Mudanças bruscas de comportamento, emagrecimento acelerado e episódios de confusão mental tornaram-se frequentes entre os integrantes, de acordo com os depoimentos.

A morte de Djidja e a Operação Mandrágora

Djidja Cardoso, nascida em 3 de fevereiro de 1992, foi encontrada morta em sua casa em Manaus no dia 28 de maio de 2024, aos 32 anos.

A principal linha de investigação aponta overdose de cetamina como causa da morte.

Vídeos gravados pelo ex-namorado Bruno Roberto registraram as últimas horas de vida da ex-sinhazinha, em que ela aparece com um frasco da substância e afirma que vai se aplicar.

Dois dias após a morte, a Polícia Civil deflagrou a Operação Mandrágora e prendeu Cleusimar, Ademar e outros integrantes do grupo.

Ao longo das investigações, também foram presos o ex-namorado Bruno Roberto, o personal trainer Hatus Silveira e donos de clínicas veterinárias suspeitos de fornecer a droga.

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Três réus foram absolvidos por insuficiência de provas. O processo continua em tramitação na Justiça do Amazonas, onde questões sobre nulidades na cadeia de custódia das provas ainda poderão ser analisadas.

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