A artista indígena Posada transformou suas memórias afetivas de Belém em uma viagem musical que conecta a Amazônia à América Latina. Lançado neste domingo (27), no YouTube, o clipe de “Madrugada” percorre lugares que marcaram a juventude da compositora, DJ e produtora, entre eles a Matinha, São Brás, a Feira do Açaí, o rio Guamá e a ilha do Combu. A produção é o primeiro videoclipe do álbum de estreia Flecha Envenenada, lançado em março, e antecede a apresentação do disco na capital paraense, marcada para 10 de outubro, durante o Baile Felina, na Casa Apoena.
Com raízes familiares colombianas e uma trajetória construída entre o Sul e o Norte do Brasil, Posada desenvolve uma identidade artística marcada pelo encontro de ritmos tradicionais, música urbana e referências latino-americanas. Nas oito faixas do trabalho, carimbó, brega e côco dividem espaço com reggae, dancehall, hip hop, bullerengue, cumbia, bolero e reggaeton.
Ancestralidade e identidade musical
O conceito de Flecha Envenenada parte da representação da flecha como instrumento de proteção territorial e preservação das histórias de um povo. Para a artista, reunir diferentes manifestações musicais também significa proteger experiências e referências culturais que atravessaram sua formação.
“A flecha envenenada vem na representação de um artefato que está protegendo um território, que está protegendo uma história. Então, para mim, trazer as sonoridades que, a partir da minha experiência, sobrevivi nesses lugares é uma forma de proteger essas memórias”, explica.
A conexão com a Colômbia aparece principalmente nas lembranças musicais do pai. Posada cresceu ouvindo boleros e, posteriormente, identificou aproximações entre essas referências e os sons populares encontrados no Pará.
A cumbia e outras expressões latino-americanas passaram a integrar uma pesquisa que acompanha sua trajetória como compositora e produtora.
“São sonoridades que, ao longo da minha trajetória artística, foram me guiando numa pesquisa musical do que eu escuto em casa, quais são os sons que eu escuto para me fortalecer. Como uma questão de identidade mesmo”, afirma.
Belém e as festas de rua
A relação da artista com a capital paraense foi construída durante temporadas em família, especialmente nas viagens de Natal e Ano Novo.
Uma das lembranças mais presentes é a movimentação cultural da Matinha, área que atualmente integra o bairro de Fátima. Na região, Posada acompanhava famílias que instalavam sistemas de som e equipamentos de DJs em frente às próprias residências, transformando as ruas em espaços coletivos de celebração.
“A cultura de estar na rua, de ocupar a rua com música, com festas, celebrações, foi uma experiência muito valiosa e que mudou muito também a minha forma de manifestação artística, popular”, recorda.
Essas experiências influenciaram a maneira como a cantora passou a compreender a música, não apenas como produção artística, mas também como manifestação popular ligada ao território e à convivência comunitária.
Clipe “Madrugada” e a homenagem a Belém
Dirigido por Guimarães Neto e realizado de maneira independente, o videoclipe de “Madrugada” apresenta Posada pedalando por diferentes pontos de Belém, em um roteiro que representa o reencontro com lugares importantes de sua adolescência.
O percurso inclui a Matinha, a região do reggae de São Brás, Nando Vinil e a Feira do Açaí, seguindo até as paisagens do rio Guamá e da ilha do Combu.
“É alguém que está retornando à cidade e quer viver esse dia”, resume a artista sobre a proposta narrativa do vídeo.
Segunda faixa do álbum, “Madrugada” combina influências de reggae, dancehall, hip hop e música eletrônica. A produção audiovisual utiliza as paisagens urbanas e ribeirinhas para apresentar uma Belém construída a partir das experiências pessoais de Posada.
Tenoné também aparece nas composições
A capital paraense está presente em outra música do repertório. Faixa de abertura do disco, “Tenoné” utiliza o ritmo do côco para recuperar histórias da infância da mãe da artista no bairro que dá nome à composição.
Enquanto essa canção estabelece uma ligação com a memória familiar, “Madrugada” parte das experiências vividas pela própria Posada, formando dois registros diferentes de sua relação com Belém.
A combinação de referências amazônicas e latino-americanas percorre todo o trabalho, que utiliza a música como expressão de identidade, ancestralidade e pertencimento.
Show em Belém será em 10 de outubro
Depois do lançamento do videoclipe, Posada prepara a estreia de Flecha Envenenada nos palcos da capital paraense. A apresentação está marcada para sábado, 10 de outubro, durante o Baile Felina, na Casa Apoena.
O espetáculo levará ao público as oito faixas do álbum, reunindo as diferentes influências musicais exploradas pela artista.
SERVIÇO:
Clipe “Madrugada” – Posada
Lançamento: 27 de setembro de 2026
Onde assistir: canal oficial de Posada no YouTube.
Show “Flecha Envenenada” – Baile Felina
Data: 10 de outubro de 2026 (sábado)
Local: Casa Apoena, Belém (PA).
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