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Livro infantil aborda ancestralidade e educação antirracista a partir da Vila da Barca

A literatura infantil ganha uma nova história ambientada em Belém e marcada pela valorização da cultura negra, da ancestralidade e das vivências periféricas. O escritor Rafael Serrão lança neste sábado (26), na CAIXA Cultural Belém, o livro “Quando Kianga Aprendeu a Voar”, em uma programação gratuita que também terá bate-papo com o autor e tarde de autógrafos com a participação da ilustradora Andressa Munhoz.

O evento será realizado das 15h às 18h, na Sala Gente Arteira, e busca aproximar crianças, professores e leitores de uma literatura afrorreferenciada e regionalizada. A proposta também é estimular discussões sobre educação antirracista e ampliar o letramento literário dos participantes.

Uma menina da Vila da Barca

A protagonista da obra é Kianga, uma menina negra que vive na Vila da Barca, em Belém. Ao completar 10 anos, ela alimenta o sonho de ganhar uma bicicleta. A partir desse desejo, a narrativa apresenta um universo que mistura fantasia, memória, identidade e referências culturais africanas e afro-brasileiras.

A história é conduzida por Ananse, personagem associada à tradição Ashanti e apresentada no livro como a Deusa das Histórias. Encantada pela vida e pela imaginação de Kianga, Ananse acompanha a menina em uma narrativa que transforma sonhos e experiências cotidianas em possibilidades de descoberta.

Mais do que contar a história de uma criança, o livro procura colocar no centro da literatura infantil personagens, territórios e experiências que fazem parte da realidade amazônica e da população negra.

Ancestralidade como forma de “voar”

Na obra, elementos como música, dança, artes, saberes ancestrais e resistência da população negra aparecem integrados à trajetória da personagem. A ideia de “voar” ganha um sentido simbólico relacionado aos sonhos, à identidade e à capacidade de imaginar novas possibilidades para a própria realidade.

Rafael Serrão também incorpora ao livro referências de sua formação e de suas influências musicais. Entre os artistas citados estão Milton Nascimento, Jota Pê, Liniker e Elza Soares.

A obra ainda presta homenagens a figuras ligadas à luta antirracista, à produção intelectual e à defesa dos direitos da população negra, como Moïse Mugenyi Kabagambe, Beatriz Nascimento e a professora doutora emérita Zélia Amador de Deus, da Universidade Federal do Pará.

Literatura infantil e educação antirracista

A programação de lançamento pretende utilizar a literatura como ponto de partida para discutir representatividade e educação antirracista. A escolha da Vila da Barca como cenário também contribui para aproximar a narrativa de experiências e territórios presentes na realidade de Belém.

O encontro é voltado a crianças, professores e demais interessados na literatura infantil e em iniciativas que valorizem referências africanas, afro-brasileiras e regionais na formação de leitores.

O bate-papo terá capacidade para 30 pessoas. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é livre.

Serviço

Lançamento de “Quando Kianga Aprendeu a Voar”

Data: 26 de setembro de 2026 (sábado)

Horário: 15h às 18h

Local: CAIXA Cultural de Belém – Sala Gente Arteira

Endereço: Avenida Marechal Hermes, s/n, Armazém 6A, Reduto, Porto Futuro II, Belém (PA)

Acesso: gratuito

Classificação: livre

Capacidade do bate-papo: 30 pessoas

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