A análise das câmeras de segurança do condomínio onde Isabelle Caracristi morreu ganhou um novo elemento. O perito independente Ricardo Caires, ouvido pela TV Record, avaliou as imagens que mostram os momentos anteriores e posteriores à morte da estudante e apontou a possibilidade de homicídio.
A conclusão apresentada pelo especialista não representa, até o momento, a versão oficial da Polícia Civil do Ceará. Caires analisou especificamente as imagens exibidas na reportagem e destacou comportamentos que, na avaliação dele, podem indicar tensão entre Isabelle e João Munhoz Neto antes da queda da universitária.
Um dos pontos observados pelo perito aparece dentro do elevador. Nas imagens, João abraça Isabelle, mas ela não retribui o gesto. Em seguida, ele olha para uma das câmeras.
Para Caires, a interação chama atenção porque Isabelle aparenta não responder ao contato físico. O especialista também observou a postura de João durante os deslocamentos pelo condomínio.
Segundo a análise, o comportamento dele muda entre os momentos registrados pelas câmeras. Em determinada passagem, João aparece com uma camiseta vermelha. Depois, retorna usando uma peça cinza e, segundo Caires, demonstra uma postura mais encurvada e tensa.
O perito também destacou momentos em que João olha para baixo em vez de olhar para Isabelle. Para ele, os movimentos podem ser compatíveis com algum tipo de desentendimento entre o casal. Confira:
Anel chama atenção durante análise
Outro detalhe observado por Ricardo Caires envolve um anel que João aparece retirando ou colocando enquanto está sozinho.
Na avaliação do perito, esse comportamento pode indicar que o casal havia passado por algum conflito pouco antes. Caires relacionou a mudança no acessório ao contexto de tensão que identificou nas imagens.
O especialista, porém, não apresentou esse gesto isoladamente como prova de crime. A interpretação faz parte de uma análise comportamental das imagens disponíveis.
Além disso, Caires chamou atenção para a postura de João quando ele deixa e depois retorna ao condomínio.
Isabelle aparece sozinha no elevador
As imagens mostram que Isabelle entra sozinha no elevador e segue em direção ao terraço do edifício.
Na avaliação apresentada pela TV Record, a estudante aparentava estar tranquila naquele momento. Não foram identificados, naquela sequência específica, sinais visíveis de alteração ou de conflito.
Esse ponto também entrou na análise do perito.
Caires afirmou que, considerando o conjunto das imagens, existem elementos que precisam ser confrontados com as demais provas da investigação para determinar o que aconteceu com a universitária.
João retorna duas horas depois
A Polícia Civil trabalha com o horário aproximado de 20h40 para a morte de Isabelle.
João Munhoz aparece novamente no condomínio somente às 22h48, cerca de duas horas depois.
As imagens mostram o bacharel em Direito chegando ao prédio acompanhado de duas mulheres e outro homem. Ele desembarca do veículo e segue para a área interna do condomínio.
O comportamento chamou a atenção do perito independente.
Caires observou que João aparentava estar calmo ao desembarcar. Na análise apresentada pela televisão, o especialista afirmou não ter identificado uma reação que, na interpretação dele, demonstrasse desespero ou preocupação naquele momento.
O perito também destacou que João não teria parado para conversar com os agentes que estavam na garagem. Em seguida, ele entrou no prédio acompanhado das pessoas que estavam com ele.
Para Caires, a maneira como João retorna ao local integra o conjunto de elementos que precisa ser analisado.
Perito aponta possibilidade de homicídio
Ao comentar as imagens, Ricardo Caires afirmou que ainda existem elementos técnicos que precisam ser considerados para diferenciar as hipóteses de suicídio e homicídio.
Na avaliação dele, entretanto, as imagens analisadas apresentam elementos que apontam para a possibilidade de homicídio.
A conclusão é uma avaliação independente, feita a partir das câmeras exibidas pela TV Record. Ela não substitui os laudos oficiais nem representa, por si só, a conclusão da investigação policial.
A própria reportagem destacou que os investigadores têm acesso a outros elementos que não necessariamente estavam disponíveis ao perito durante a análise televisiva.
Por isso, a interpretação das imagens precisa ser confrontada com perícias, depoimentos, exames e demais evidências reunidas pela Polícia Civil.
Caso Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi, de 22 anos, morreu após cair do terraço do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza. O edifício fica na rua Monsenhor Bruno, onde a estudante morava com João e familiares dele.
A Perícia Forense do Ceará identificou lesões no corpo da universitária compatíveis com o impacto contra o solo. Exames também descartaram gravidez e não identificaram substâncias de interesse toxicológico.
Antes da morte, Isabelle enviou a um parente um áudio de aproximadamente 13 minutos. Na gravação, segundo o relato entregue à Polícia Civil, ela falou sobre o relacionamento com João, relatou comportamentos que considerava abusivos e afirmou que, caso alguma coisa acontecesse com ela, o áudio deveria ser considerado uma prova.
A estudante também havia contado ao confidente que descobrira que João era casado quando iniciou o relacionamento com ela. Documentos obtidos pelo Diário do Nordeste mostram que João havia se casado em janeiro de 2025 e se divorciado em agosto de 2026.
A investigação continua. A hipótese apontada pelo perito independente deverá ser confrontada com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias da morte da universitária.
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