Belém recebe, pela terceira vez, uma edição itinerante da Bienal de São Paulo. A 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática será aberta nesta sexta-feira (25), no Museu de Arte de Belém (MABE), e poderá ser visitada gratuitamente até 29 de novembro.
A mostra reúne obras de artistas como Aline Baiana, Ernest Cole, Forensic Architecture/Forensis, Hamedine Kane, Leila Alaoui, Mao Ishikawa, Ming Smith, Sérgio Soarez, Thania Petersen e Wolfgang Tillmans.
A exposição tem curadoria de Anna Roberta Goetz e cocuradoria de Leonardo Matsuhei, integrantes da equipe conceitual da 36ª Bienal. A seleção foi pensada em diálogo com a história e as características de Belém, tendo a água e o ritmo como elementos que atravessam as obras e as relações estabelecidas com o território amazônico.
Segundo a curadora Anna Roberta Goetz, a exposição considera a forma como a história sociopolítica de Belém continua influenciando aspectos ecológicos, políticos, sociais e espirituais da cidade.
Obras abordam memória, território e deslocamento
Entre os trabalhos apresentados está Ouro negro é a gente (2025), obra audiovisual de Aline Baiana que utiliza o petróleo como ponto de partida para discutir trabalho, pertencimento e memória.
O artista Hamedine Kane apresenta Les Ressources – Le Ventre de l’Atlantique (2025), instalação que utiliza estruturas de madeira e objetos para abordar o Atlântico como rota de circulação de mercadorias, pessoas e histórias.
A exposição também apresenta fotografias de Ming Smith, primeira mulher a ter obras adquiridas pelo acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). As imagens, produzidas entre as décadas de 1970 e 1990, registram a cena cultural negra dos Estados Unidos e transitam entre documentação e experimentação visual.
Terceira vez da Bienal em Belém
Esta é a terceira vez que Belém recebe uma mostra itinerante da Bienal de São Paulo. A primeira ocorreu em 2022, durante a 34ª edição, com exposições no Solar da Beira e no Mercado Ver-o-Peso.
Em 2024, a 35ª Bienal ocupou o Palácio Antônio Lemos, sede do MABE. O mesmo espaço volta a receber a programação neste ano.
As mostras itinerantes da Bienal são realizadas de forma programática desde 2011 e levam recortes das exposições para diferentes cidades, estabelecendo diálogos entre as obras e os contextos locais.
Em 2026, a itinerância da 36ª Bienal já passou por cidades como Goiânia, Rio de Janeiro, Curitiba, Santos, Brasília, Santiago, no Chile, Fortaleza, Recife, São José do Rio Preto e Salvador. Também estão previstas exposições em Berlim, Belo Horizonte, Vitória e Cidade do México.
Bienal também terá ações educativas
Além da exposição, o programa prevê atividades educativas voltadas às equipes locais e ao público, incluindo visitas mediadas, palestras, laboratórios para professores e ações para estudantes.
A 36ª Bienal de São Paulo foi realizada entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, em São Paulo, e recebeu 784.399 visitantes no Pavilhão Ciccillo Matarazzo.
Sobre a 36ª Bienal
Com conceito do curador-geral Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, em parceria com os cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza, a 36ª Bienal tem como um de seus fundamentos a escuta da humanidade em constante deslocamento, encontro e negociação.
O título Nem todo viandante anda estradas é formado por versos da escritora Conceição Evaristo.
Serviço
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
Itinerância Belém
Visitação: 25 de setembro a 29 de novembro de 2026
Museu de Arte de Belém (MABE) – Palácio Antônio Lemos, Praça Dom Pedro II, s/nº, Cidade Velha
Terça a sexta: 9h às 16h30
Sábados e domingos: 9h às 13h
🎟️ Entrada gratuita
Curadoria: Anna Roberta Goetz
Cocuradoria: Leonardo Matsuhei
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