Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

Livro usa fantasia para falar sobre luto e crianças vítimas da violência no Brasil

Capa de Elefante

O que uma criança faria para lidar com uma ausência que não consegue compreender? Essa é uma das questões presentes em “Elefante”, livro infantojuvenil de Josué Souza que combina fantasia, realismo mágico e ancestralidade para tratar de luto, memória, pertencimento e esperança.

A história acompanha Gugu, um menino de sete anos que tem como companheiro de aventuras POC, um pequeno elefante que transita entre a realidade e o universo fantástico da floresta. Criado por dois pais, Guilherme e Joshua, o garoto explora esse mundo enquanto a narrativa revela, aos poucos, uma ausência que atravessa a família.

A inspiração para o livro veio de casos reais de crianças e adolescentes mortos em episódios que tiveram grande repercussão no país, entre eles João Pedro Mattos Pinto e Miguel Otávio Santana da Silva, ambos mortos em 2020.

João Pedro tinha 14 anos quando foi baleado durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), em maio daquele ano. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que o adolescente foi morto dentro de casa durante a operação e que uma investigação foi aberta para apurar as circunstâncias da morte.

Miguel Otávio tinha cinco anos e morreu após cair do nono andar de um edifício no Recife. O menino acompanhava a mãe, que trabalhava como empregada doméstica, no dia do episódio. O caso também provocou debates sobre desigualdade social, racismo e as condições do trabalho doméstico no Brasil.

Em “Elefante”, essas histórias não são reproduzidas diretamente. Elas aparecem como ponto de partida para uma narrativa ficcional que procura pensar o que permanece depois da perda.

Fantasia para falar da ausência

A imaginação de Gugu funciona como uma espécie de ponte entre a infância e temas difíceis. A relação com POC permite que a história dialogue com leitores de diferentes idades sem abandonar questões como violência, racismo e luto.

A diversidade familiar também está presente de maneira natural, com Gugu sendo criado por dois pais. A narrativa incorpora ainda elementos de ancestralidade africana e tradição oral.

Um dos momentos mais fortes do livro aparece no capítulo “Garoto”, em uma passagem que representa a violência de forma direta:

“Bala disparada. Bala perdida. Nunca erra seu alvo!”

O trecho descreve o impacto de um disparo sobre Gugu e utiliza imagens poéticas para representar a violência e suas consequências.

Apesar de partir de experiências marcadas pela morte, a proposta do livro não se concentra apenas na tragédia. A história utiliza a fantasia para abordar a maneira como a memória pode ajudar a elaborar a ausência e preservar vínculos.

Publicado pela Editora Patuá, “Elefante” tem 136 páginas e é recomendado para leitores a partir de 10 anos.

Josué Souza Tourinho Junior é acadêmico de Letras Português/Inglês na Universidade de São Paulo (USP) e possui quatro livros publicados. Sua produção literária aborda temas como infância, memória, imaginação, amor, perda e permanência.

Autor: Josué Souza

Serviço

Livro: Elefante
Autor: Josué Souza
Editora: Patuá
ISBN: 978-65-281-0452-9
Páginas: 136
Classificação: a partir de 10 anos
Preço informado: R$ 60
Onde encontrar: Editora Patuá e Amazon

O post Livro usa fantasia para falar sobre luto e crianças vítimas da violência no Brasil apareceu primeiro em Diário do Pará.

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook
Threads