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Morte de Evelyn Dantas completa uma semana: o que falta esclarecer e quais os desdobramentos?

A morte da influenciadora Evelyn Dantas, investigada pela morte de um PM no Pará, completou uma semana. O que se sabe até agora?

O assassinato da “influenciadora” Evelyn Dantas, investigada por envolvimento na morte de um PM em Mãe do Rio, no Pará, completou uma semana. Desde a hora da ocorrência, diversos desdobramentos circundam a morte da moça: envolvimento com facção criminosa, suposta queima de arquivo, fuga para o Rio de Janeiro e uma investigação minuciosa para descobrir a real dimensão da morte do sargento Antônio Alves. O DIÁRIO fez uma recapitulação para ajudar na compreensão do caso. 

Quem era Evelyn?

Evelyn se apresentava nas redes sociais como acadêmica de Ciências Contábeis e compartilhava fotos de viagens, passeios e momentos em praias, sobretudo na cidade de Salinópolis. Ela também mantinha um estúdio de beleza na cidade, que prestava serviços de cabeleireira, manicure e maquiagem.

A surpresa veio com a prisão dela, no final do mês de julho deste ano, sob suspeita de participação na morte do sargento Antônio Anildo Alves. O Instagram dela, que era público naquele momento, ganhou milhares de seguidores. 

Ela foi colocada em liberdade no dia 9 de setembro, sob monitoramento eletrônico. Nesse período, teria recebido um alerta de um comparsa para que fugisse para o Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, base operacional do Comando Vermelho, na qual ela supostamente faria parte. 

A morte veio antes: na madrugada do dia 16 de setembro, homens encapuzados entraram na casa dela, a retiraram do local e a colocaram na frente do imóvel, onde efetuaram diversos disparos. Antes de saírem, picharam a sigla “TCP” na fachada, que estaria ligada à facção Terceiro Comando Puro, facção de viés evangélico que estaria ganhando território no estado.

Por que ela foi morta?

O comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar (19º BPM),  tenente-coronel Rodrigo, esclareceu o seguinte:

“Vale ressaltar que a Evelyn fornecia informações importantes, por isso trabalhamos fortemente com a hipótese de retaliação ou queima de arquivo.  Estamos intensificando as buscas para capturar os executores e os mandantes da morte de Evelyn”

A Polícia Civil do Pará instaurou inquérito para investigar o assassinato. Enquanto isso, as equipes realizam perícias, analisam imagens de câmeras de segurança e colhem depoimentos de testemunhas para identificar os responsáveis e esclarecer a motivação do crime.

Não há confirmação sobre a participação de qualquer organização criminosa no homicídio. As hipóteses de retaliação e queima de arquivo seguem como linhas de investigação, sem conclusão oficial até o fechamento desta reportagem.

Outras 11 pessoas mortas

Além de Evelyn, outras 10 pessoas foram mortas por relação com a morte do sargento de Mãe do Rio. As primeiras mortes aconteceram durante operação para identificar suspeitos envolvidos na execução, registrada no final da tarde do dia 29 de julho, em frente a um supermercado.

A escalada de buscas pelos suspeitos de cometer o crime chegou nas cidades de Ipixuna do Pará e Paragominas, culminando na morte de 10 pessoas nos dias que sucederam a morte do policial. A última foi a própria influenciadora, há uma semana. 

Suposta disputa de facções

A sigla “TCP”, pichada no muro da casa após a morte de Evelyn, seria do terceiro maior grupo criminoso armado em atividade no Brasil. O grupo tem um histórico que salta os olhos: une fé com narcotráfico e persegue católicos e umbandistas na área de influência da facção.

TCP une fé com narcotráfico, tem viés evangélico e persegue católicos e umbandistas nos territórios. Foto: Reprodução

O fato curioso do TCP é a simbologia: uma estrela de Davi instalada em pontos altos das comunidades e caixas d’água, misturando o tráfico de drogas com símbolos e discursos evangélicos neopentecostais. A marca também se espalha por meio de pichações em muros com dizeres como “Jesus é dono do lugar” nos territórios sob domínio.

A facção é rival do Comando Vermelho na disputa de território, principalmente no Rio de Janeiro, deixando a população no meio de um fogo cruzado, por vezes literal, em busca de áreas de expansão. 

Contudo, não há confirmação da instalação de alguma base do TCP em território paraense ou mesmo uma suposta disputa com o CV. 

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