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Belém se destaca no home office e é a 6ª capital com mais trabalhadores em casa

Capital paraense aparece entre as cidades brasileiras com maior proporção de pessoas trabalhando principalmente de casa; no Norte, modalidade ainda tem participação inferior à média nacional.

O home office ganhou espaço em Belém e colocou a capital paraense entre as cidades brasileiras com maior proporção de trabalhadores exercendo suas atividades principalmente dentro de casa. Em 2025, 11,9% das pessoas ocupadas em Belém tinham a residência como principal local de trabalho, percentual que levou a cidade à sexta posição entre as capitais brasileiras nesse indicador.

Os números fazem parte de levantamento baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, divulgado nesta quarta-feira (23). O estudo permite acompanhar a evolução do trabalho realizado principalmente na residência entre 2022 e 2025 e mostra diferenças expressivas entre as capitais e regiões do país.

O resultado de Belém chama atenção porque a capital paraense supera cidades com mercados de trabalho maiores e também a média nacional. Em 2025, 7,9% dos trabalhadores brasileiros exerciam sua atividade principalmente de casa, enquanto em Belém a participação chegou a 11,9%.

A comparação significa que, proporcionalmente, a presença do trabalho domiciliar na capital do Pará ficou quatro pontos percentuais acima do resultado nacional.

Belém se destaca no cenário nacional

Quando o número de trabalhadores em casa é comparado ao total da população ocupada de cada capital, Porto Alegre aparece na liderança nacional, com 18,7% dos ocupados trabalhando principalmente na residência em 2025.

Na sequência aparecem Recife, com 15,4%; Belo Horizonte, com 15,2%; Florianópolis, com 13,7%; Curitiba, com 12,3%; e Belém, com 11,9%. Logo depois estão Fortaleza, com 11,8%, e Goiânia e João Pessoa, ambas com 11,6%.

Dessa forma, Belém aparece como a capital mais bem posicionada da Região Norte entre as primeiras colocadas do ranking proporcional, além de superar grandes centros como Fortaleza e Rio de Janeiro. Na capital fluminense, 10,3% dos ocupados trabalhavam principalmente de casa em 2025.

O resultado evidencia uma característica importante do mercado de trabalho paraense: embora o Norte tenha historicamente participação menor no teletrabalho quando analisado como região, Belém apresenta uma realidade diferente e já figura entre os principais centros brasileiros em participação proporcional do trabalho exercido na residência.

Norte ainda fica abaixo da média nacional

Os dados regionais disponíveis pelo IBGE ajudam a dimensionar essa diferença.

No levantamento específico sobre trabalho remoto e teletrabalho, referente ao quarto trimestre de 2022, aproximadamente 482 mil trabalhadores da Região Norte realizaram trabalho remoto, o equivalente a 6% da população ocupada da região.

Dentro desse contingente, cerca de 326 mil pessoas estavam em teletrabalho, correspondendo a 4,1% dos ocupados do Norte.

Naquele levantamento, o Norte tinha a menor proporção regional de trabalho remoto do país. A média brasileira era de 9,8%, enquanto o Sudeste alcançava 11,8%. O Sul registrava 9,8%; Centro-Oeste, 9,1%; e Nordeste, 7,5%.

É importante observar que trabalho remoto, teletrabalho e trabalho realizado principalmente em casa não são conceitos estatísticos exatamente iguais. Por isso, os percentuais das diferentes pesquisas não devem ser comparados diretamente como se medissem a mesma situação.

O IBGE considera trabalho remoto aquele realizado fora do local padrão do empreendimento, enquanto o teletrabalho envolve utilização de tecnologias de informação e comunicação. Já o levantamento mais recente sobre local de trabalho identifica onde o trabalhador exerce principalmente sua atividade.

Trabalho em casa não significa apenas teletrabalho

Outra distinção importante está no significado de trabalhar principalmente na própria residência.

O indicador não deve ser interpretado automaticamente como número de empregados de empresas atuando por computador em regime remoto. A categoria pode reunir diferentes atividades realizadas dentro do domicílio.

Profissionais autônomos, empreendedores, trabalhadores que mantêm negócios na própria residência e outras categorias também podem declarar a casa como principal local de exercício profissional.

Por isso, o conceito é mais abrangente do que a imagem tradicional do empregado que deixou o escritório para trabalhar conectado à empresa pela internet.

No levantamento nacional de 2025, 60% dos ocupados trabalhavam principalmente no estabelecimento do próprio empreendimento, enquanto 13,8% exerciam a atividade em local indicado pelo empregador ou cliente. Outros 8,4% trabalhavam principalmente em fazendas, sítios ou chácaras.

O trabalho principalmente em casa representava 7,9% dos ocupados. Veículos eram o principal local de trabalho de 5%, enquanto 2,1% trabalhavam principalmente em áreas públicas.

Brasil tem 6,65 milhões trabalhando principalmente de casa

Em números absolutos, cerca de 6,65 milhões de brasileiros trabalhavam principalmente na própria residência em 2025.

São Paulo continua concentrando o maior contingente, mas apresentou forte retração nos últimos anos. A capital paulista passou de 887 mil trabalhadores em casa em 2022 para 543 mil em 2025, redução de 344 mil pessoas.

O Rio de Janeiro também registrou queda. Depois de contabilizar 294 mil em 2022 e chegar a 336 mil em 2023, terminou 2025 com aproximadamente 287 mil trabalhadores nessa condição.

Belo Horizonte seguiu trajetória diferente. O contingente passou de 160 mil pessoas em 2022 para 168 mil em 2025, colocando a capital mineira na terceira posição nacional em números absolutos.

Brasília chegou a 122 mil, Porto Alegre alcançou 115 mil, Curitiba registrou 106 mil e Recife terminou 2025 com 98 mil trabalhadores exercendo principalmente de casa.

Belém ganha força quando comparação é proporcional

O ranking muda consideravelmente quando é levado em conta o tamanho do mercado de trabalho de cada cidade.

São Paulo possui disparadamente o maior número absoluto de trabalhadores em casa, mas não figura entre as capitais com as maiores proporções. Belém, por outro lado, possui contingente absoluto muito menor, porém se destaca quando o número é comparado à população ocupada.

É justamente nessa comparação que os 11,9% registrados pela capital paraense ganham relevância.

O percentual coloca Belém à frente de várias capitais do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste e mostra que trabalhar principalmente de casa já representa parcela significativa da estrutura ocupacional da cidade.

Pandemia acelerou mudança

A expansão do trabalho remoto ganhou força durante a pandemia de Covid-19, quando empresas e órgãos públicos precisaram adotar rapidamente formas alternativas de funcionamento.

Parte dos trabalhadores retornou integralmente às atividades presenciais posteriormente, enquanto outros passaram a atuar em sistemas híbridos ou permaneceram em casa.

Pesquisa anterior do IBGE mostrou que, no quarto trimestre de 2022, 9,5 milhões de brasileiros haviam realizado algum trabalho remoto nos 30 dias anteriores, correspondendo a 9,8% da população ocupada analisada. Desse total, 7,4 milhões eram classificados como teletrabalhadores.

Na Região Norte, eram 482 mil trabalhadores remotos e 326 mil teletrabalhadores.

Os números posteriores sobre o principal local de trabalho mostram que a experiência não desapareceu com o fim das restrições sanitárias, embora tenha assumido comportamentos diferentes entre cidades e setores econômicos.

A distribuição territorial também ajuda a compreender por que algumas capitais conseguem apresentar percentuais maiores de trabalho domiciliar.

Economias com forte presença de serviços administrativos, financeiros, tecnológicos, consultorias, comunicação, educação e atividades profissionais possuem maior quantidade de ocupações que podem ser executadas longe de uma sede física.

Em contrapartida, construção civil, indústria, comércio presencial, transporte, mineração, agropecuária e grande parte dos serviços pessoais exigem a presença física do trabalhador.

Essa diferença é especialmente relevante no Norte, onde setores que dependem da presença no local da atividade ainda possuem peso importante no mercado de trabalho.

Mesmo nesse contexto, Belém alcançou 11,9% em 2025, consolidando-se como uma exceção relevante dentro do panorama regional.

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