A morte de Rick Sollo, da dupla Rick & Renner, trouxe de volta uma memória dolorosa para a música brasileira: a de artistas que tiveram suas trajetórias interrompidas durante viagens aéreas.
Rick morreu aos 59 anos, após a queda do helicóptero em que estava na Serra Catarinense. A aeronave desapareceu durante o trajeto entre Porto Belo e São Joaquim, em Santa Catarina, e foi localizada nesta terça-feira, 22 de setembro. Os cinco ocupantes morreram. As causas da queda ainda serão investigadas.
Poucas horas depois da confirmação da morte, o perfil dos Mamonas Assassinas publicou uma nota de pesar. A mensagem lembrou que, ao longo de três décadas, o grupo também recebeu notícias de acidentes que levaram nomes como Gabriel Diniz e Marília Mendonça.
A publicação ganhou um peso especial justamente em um ano marcado por datas simbólicas.
Em 2026, os Mamonas Assassinas completam 30 anos de morte. Gabriel Diniz deixou o público há sete anos. E, em novembro, serão cinco anos desde a partida de Marília Mendonça.
Agora, Rick Sollo passa a fazer parte dessa memória.
Mamonas Assassinas: uma explosão que durou poucos meses
Em 2 de março de 1996, o Brasil perdeu cinco jovens que haviam conquistado uma dimensão gigantesca em pouquíssimo tempo.
Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Sérgio Reoli e Júlio Rasec, integrantes dos Mamonas Assassinas, morreram quando o avião que transportava a banda bateu na Serra da Cantareira, em São Paulo.
O grupo tinha lançado seu único álbum de estúdio no ano anterior e transformado músicas como “Pelados em Santos”, “Vira-Vira” e “Robocop Gay” em fenômenos nacionais.
O sucesso tinha uma característica rara: os Mamonas alcançavam públicos de idades muito diferentes. Crianças cantavam as letras. Adolescentes lotavam apresentações. A televisão exibia os integrantes constantemente.
A banda ainda estava começando a construir uma carreira quando tudo terminou.
O disco de estreia ultrapassou 3 milhões de cópias vendidas, número que ajuda a dimensionar o tamanho do fenômeno.
Três décadas depois, o grupo continua presente na cultura popular brasileira.
Em março de 2026, quando a morte dos integrantes completou 30 anos, homenagens voltaram a ocupar televisão, redes sociais e eventos.
Agora, a nota publicada pelo perfil oficial dos Mamonas ganhou outro significado.
Gabriel Diniz: o sucesso de “Jenifer” e uma carreira interrompida
Mais de 20 anos depois da tragédia dos Mamonas, outra notícia provocou comoção nacional.
Em 27 de maio de 2019, Gabriel Diniz morreu aos 28 anos depois que o avião em que estava caiu em uma região de mangue em Estância, Sergipe. Os dois pilotos também morreram.
A morte aconteceu justamente quando o cantor vivia o maior momento de sua carreira.
“Jenifer” havia se transformado em um dos grandes hits do país.
A música estava em todos os lugares. Rádios, festas, programas de televisão e Carnaval ajudaram a transformar Gabriel em um dos principais nomes da música popular naquele momento.
O sucesso tinha sido tão rápido quanto sua ascensão.
Gabriel havia feito um show na Bahia no dia anterior. No dia seguinte, embarcou em uma aeronave de pequeno porte. O avião caiu durante o trajeto.
Em maio de 2026, completaram-se sete anos da morte do cantor.
A música que o levou ao topo, entretanto, permaneceu.
Marília Mendonça: cinco anos de uma perda que parou o país
Se a morte de Gabriel aconteceu no auge de uma ascensão, a de Marília Mendonça atingiu uma artista que já havia alcançado o topo.
Em 5 de novembro de 2021, Marília morreu aos 26 anos depois que o avião em que viajava caiu na zona rural de Piedade de Caratinga, em Minas Gerais. Também morreram o produtor Henrique Ribeiro, o tio e assessor Abicieli Silveira Dias Filho e os dois pilotos.
Marília seguia para uma apresentação em Caratinga.
Naquele momento, ela já era uma das principais vozes do sertanejo brasileiro e uma das artistas mais populares do país.
A cantora havia ajudado a ampliar o espaço das mulheres no gênero e se tornou um dos principais nomes associados ao feminejo.
Sua morte provocou uma mobilização que ultrapassou o público sertanejo.
Artistas de diferentes estilos prestaram homenagens. Fãs se reuniram em várias cidades. Músicas da cantora voltaram às paradas e passaram a ser ouvidas sob uma perspectiva diferente.
Em 5 de novembro de 2026, serão cinco anos desde aquela tarde.
E agora, Rick
A história mais recente aconteceu em Santa Catarina.
Rick Sollo morreu após a queda de um helicóptero que havia partido de Porto Belo com destino a São Joaquim. A aeronave desapareceu na tarde de 21 de setembro e foi encontrada no dia seguinte. Nenhum dos cinco ocupantes sobreviveu.
Rick tinha 59 anos e uma carreira de décadas.
Ao lado de Renner, formou uma das duplas mais conhecidas do sertanejo. A parceria começou nos anos 1980 e ganhou projeção nacional principalmente na década seguinte.
Entre os grandes sucessos está “Ela É Demais”, lançada em 1998.
Mas Rick também tinha uma trajetória importante como compositor. De acordo com registros citados após sua morte, ele tinha mais de 660 músicas registradas no Ecad e escreveu obras gravadas por artistas como Chitãozinho & Xororó, João Paulo & Daniel, Milionário & José Rico e Gino & Geno.
A morte ocorreu poucos dias depois de uma apresentação.
Rick e Renner estavam em uma turnê que celebrava 40 anos de formação da dupla. O último show aconteceu dois dias antes da tragédia.
Quatro gerações, quatro histórias
Há uma diferença importante entre essas histórias.
Os Mamonas Assassinas morreram quando ainda construíam uma carreira que parecia apenas começar.
Gabriel Diniz havia acabado de transformar “Jenifer” em um fenômeno nacional.
Marília Mendonça já era uma das maiores artistas brasileiras quando sua trajetória foi interrompida.
Rick Sollo tinha décadas de estrada e celebrava uma história de 40 anos ao lado de Renner.
São momentos diferentes. Públicos diferentes. Estilos diferentes.
Mas existe uma característica que aproxima as quatro histórias: todos deixaram músicas que continuaram circulando depois que suas vozes se calaram.
Os Mamonas seguem presentes em festas, homenagens e referências da cultura pop.
Gabriel Diniz permanece associado a “Jenifer”, música que marcou o verão de 2019.
Marília deixou um repertório que continua sendo ouvido e regravado por outros artistas.
Rick deixa uma coleção de sucessos que atravessou diferentes fases do sertanejo.
Por que acidentes aéreos marcam tanto a música?
A rotina de artistas ajuda a entender por que deslocamentos fazem parte de suas carreiras. Shows acontecem em diferentes cidades e, muitas vezes, exigem viagens sucessivas em períodos curtos.
Mas cada acidente tem circunstâncias próprias e não é possível colocar as quatro tragédias na mesma explicação.
No caso de Rick, por exemplo, as causas da queda ainda estão sob investigação. A Força Aérea Brasileira e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos participam da apuração.
Também não se trata apenas de números.
Por trás de cada nome existem famílias, equipes, músicos e fãs que tiveram de lidar com uma despedida inesperada.
É isso que explica a força da publicação feita pelo perfil dos Mamonas Assassinas após a morte de Rick.
A banda que o Brasil perdeu há 30 anos reconheceu uma dor que voltou a atingir o meio musical.
E, ao lembrar Rick Sollo, o país inevitavelmente revisita Dinho, Bento, Samuel, Sérgio, Júlio, Gabriel Diniz e Marília Mendonça.
Nomes de épocas diferentes, com histórias completamente distintas, mas unidos por uma característica que permanece depois da morte: a música continua contando quem eles foram.
O post Morre Rick: quais astros da música brasileira também tiveram a vida interrompida no ar? apareceu primeiro em Diário do Pará.






