A morte de Isabelle Caracristi, encontrada sem vida em um condomínio de Fortaleza, ganhou uma nova informação neste domingo (21). Segundo o irmão da jovem, Rafael Magalhães, Isabelle estava grávida quando morreu. Em entrevista, ele afirmou que a família recebeu a confirmação da gestação e lamentou também a perda do bebê.
“Era um desejo muito forte da minha mãe, e ela cobrava muito, principalmente de mim, que sou o filho mais velho. Ela dizia: ‘quando é que você pode me dar um neto?’. E aí eu brincava, dizia que não quero. Mas eu nunca pensei que a gente iria ter essa confirmação de que uma segunda vida foi destruída”
relatou Rafael, irmão de Isabelle.
A informação sobre a gravidez foi apresentada pelo irmão da estudante e ainda deve ser tratada com essa atribuição enquanto não houver confirmação oficial da investigação. O caso é investigado pelas autoridades, que apuram as circunstâncias da morte da jovem.
Por volta das 19h, Isabelle enviou uma mensagem pedindo à mãe que verificasse uma comida deixada na air fryer. Pouco depois, escreveu que a amava. Isorlanda respondeu dizendo que também amava a filha e pediu novamente que ela não esquecesse de tomar o medicamento.
Depois disso, não houve mais contato.
A mãe contou que estranhou principalmente o fato de Isabelle não ter enviado a habitual mensagem de “boa noite”. Inicialmente, imaginou que a filha tivesse dormido depois de tomar o relaxante muscular. A morte teria ocorrido por volta das 20h40, conforme informações divulgadas sobre a investigação.
“Mãe, eu te amo”: última mensagem antes da morte que foi descoberta no dia seguinte
Na manhã de 14 de setembro, Isorlanda tentou repetidamente entrar em contato com a filha, mas não obteve resposta. Ela também procurou o namorado de Isabelle e, segundo seu relato, percebeu que havia sido bloqueada nas redes sociais.
Preocupada, decidiu ir ao condomínio acompanhada do irmão.
Foi somente no local, conforme relatou, que recebeu da síndica a informação de que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já havia sido encaminhado ao Instituto Médico Legal.
O caso ganhou maior repercussão após Isorlanda publicar um vídeo nas redes sociais na sexta-feira (18), cobrando esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte da filha.
A professora também afirmou que o namorado e familiares dele não entraram em contato com a família após a morte e não compareceram ao velório e ao sepultamento. Essas declarações correspondem ao relato da mãe e fazem parte dos elementos que cercam o caso, mas não estabelecem responsabilidade pela morte.
Perícia aponta lesões compatíveis com queda
Informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) neste domingo (20) apontam que os exames iniciais identificaram lesões compatíveis com impacto do corpo contra o solo.
O laudo cadavérico indicou politraumatismo e, segundo as autoridades, não foram constatadas lesões que apontassem agressões posteriores ao impacto. Exames laboratoriais para substâncias toxicológicas também apresentaram resultado negativo.
As conclusões, entretanto, ainda não esclarecem toda a dinâmica que levou à morte.
A Perícia Forense do Ceará retornou ao condomínio para realizar exames complementares tanto nas áreas comuns quanto no apartamento onde Isabelle vivia. Também foram realizadas novas coletas de vestígios de DNA.
A Polícia Civil analisa ainda imagens das câmeras de segurança para reconstruir os deslocamentos da estudante e do namorado antes da morte. Quatro pessoas já haviam prestado depoimento e outras oitivas estavam previstas.
Família relata preocupação com namoro
Isabelle cursava o segundo semestre de Direito e, segundo a mãe, havia começado em julho um estágio em um escritório de advocacia de Fortaleza. Foi nesse ambiente que teria conhecido o homem com quem iniciou um relacionamento pouco tempo depois.
De acordo com Isorlanda, o namorado tinha 33 anos e atuava como gestor no local onde a filha estagiava. A mãe afirmou ter ficado preocupada com a rapidez com que o relacionamento avançou e disse ter identificado atitudes que considerava controladoras.
A professora relatou ainda que, durante o relacionamento, Isabelle passou a permanecer cada vez mais tempo na residência do namorado e de familiares dele.
Em outra ocasião, segundo Isorlanda, a filha contou que o companheiro teria pedido seu cartão de crédito e sugerido a abertura de uma empresa em nome dela. A mãe afirmou ter reagido negativamente à proposta e demonstrado preocupação à estudante.
As afirmações sobre o comportamento do namorado são relatos da família e não representam conclusões da investigação policial.
Polícia busca esclarecer dinâmica
A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil do Ceará. Além dos depoimentos e das imagens do condomínio, aparelhos eletrônicos e outros elementos recolhidos durante as diligências deverão subsidiar a apuração.
A polícia também cumpriu mandado de busca e apreensão relacionado às investigações e recolheu equipamentos eletrônicos para perícia.
Até o momento das informações divulgadas pelas autoridades, não havia uma conclusão oficial sobre as circunstâncias que antecederam a queda nem sobre eventual responsabilidade de terceiros.
A SSPDS ressaltou que exames complementares permanecem em andamento e que somente após a conclusão dos trabalhos periciais será possível estabelecer com maior precisão a dinâmica da morte de Isabelle Caracristi.
Enquanto as investigações avançam, a família cobra respostas sobre o que aconteceu entre a última mensagem enviada pela estudante à mãe e o momento em que seu corpo foi encontrado no condomínio.
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