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Caso Bacabal: Mãe dos irmãos desaparecidos fala sobre tráfico humano e desabafa

O caso dos irmãos desaparecidos em Bacabal, no Maranhão segue sem respostas. A mãe dos pequenos levanta hipótese de tráfico humano.

O caso dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos em Bacabal, no Maranhão, em janeiro deste ano, segue sem respostas. A possível descoberta dos pequenos nos Estados Unidos foi descartada pela Polícia Federal. Em entrevista à TV Band do Maranhão, ela detalhou o sofrimento: “o tráfico humano existe, mas não vou desistir”.

“Hoje eu sou uma Clarice totalmente diferente. Não tenho mais aquela felicidade que eu tinha antes. Jamais pensei na minha vida um dia passar por toda essa dor que hoje eu tô passando, que não desejo para ninguém”, declarou.

Silêncio dentro de casa

Ao relembrar o convívio com os filhos, a mãe destacou a falta que sente dos momentos simples de alegria, guardados hoje apenas como registros de vídeo no celular.

“Sinto saudade de quando eles pediam para fazer vídeo junto comigo: ‘Mamãe, faz um vídeo da gente dançando’. Hoje eu tenho tudo gravado no meu celular, cada momento da gente dentro de casa. A minha vida era cuidar deles. Hoje eu entro dentro de casa e tá vazio”, desabafou.

A ausência dos irmãos tornou-se ainda mais dolorosa durante as datas comemorativas da família ao longo do ano. Sem a presença das crianças, momentos de celebração deram lugar à tristeza profunda.

“Ano passado, na data do dia 9, eu fiz uma comemoração de aniversário para a Isabele. Esse ano foi totalmente diferente: ausência total, parabéns nada, bolo nada, não tinha condição”, lamentou Clarice.

Buscas 

Clarice também criticou a condução das investigações, apontando que a lentidão nas apurações acabou jogando a favor dos responsáveis pelo desaparecimento das crianças. “O relógio estava a favor dos criminosos, porque diante das falhas parecia que a gente estava correndo contra o tempo”, pontuou.

Além do drama de não saber o paradeiro dos filhos, a mãe revelou ter sofrido com julgamentos: “eu sou mamãe negra, sou mamãe quilombola, não tenho condições de nenhuma. Sempre lutei sozinha para cuidar dos meus filhos sem apoio do pai deles, quem sempre me ajudou foi minha mãe. E eu fui muito julgada, fui apedrejada de todas as formas”, afirmou.

Fé na sobrevivência 

A mãe dos irmãos mantém a convicção de que encontrará os filhos vivos: “o tráfico humano existe e meu filho pode estar em qualquer lugar. Eu sou a mãe, sou a única interessada a saber dos meus filhos, e eu não vou desistir, não vou baixar a minha cabeça até encontrar meus filhos”, assegurou.

Os irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael sumiram no dia 4 de janeiro, no quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Elas saíram para brincar acompanhadas do primo Anderson Kauã, de 8 anos.

O primo foi localizado sozinho e com vida três dias depois em uma área de mata. A mobilização reuniu bombeiros, policiais e cerca de 2 mil voluntários que realizaram varreduras intensas em rios e matagais da região, sem encontrar pistas conclusivas.

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