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Fachin derruba sigilo do Caso Master; investigação alcança filme sobre Bolsonaro

Edson Fachin, presidente do STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta sexta, 11, a retirada do sigilo do inquérito que investiga o Caso Master. Relator da apuração, o ministro André Mendonça deverá apresentar à Presidência da Corte todos os documentos e informações relacionados ao processo.

A decisão amplia a publicidade sobre as investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ocorre após a divulgação parcial de relatórios, mensagens e decisões judiciais. No início de setembro, Mendonça já havia retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou conversas atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.

Fachin também convocou uma sessão extraordinária do plenário do STF para a próxima terça, 15. Os ministros deverão analisar a validade do relatório produzido pela PF, um pedido de nulidade apresentado pela Procuradoria-Geral da República e a eventual abertura de uma investigação contra integrantes da própria Corte.

Caso Master e a cinebiografia de Bolsonaro

Uma das frentes relacionadas ao Caso Master investiga repasses atribuídos a Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as apurações, os recursos teriam sido solicitados pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Operação Make Up e desvio de emendas

Em outra investigação, distinta do inquérito do Banco Master, o ministro Flávio Dino retirou o sigilo da decisão que autorizou a Operação Make Up. A ação apura se recursos de emendas parlamentares foram desviados para abastecer a produtora responsável por Dark Horse.

A decisão de Dino revelou que Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment e produtora do filme, comprou um veículo BYD Song Plus híbrido por R$ 102.190, com pagamento integral em dinheiro vivo.

A aquisição foi realizada em 13 de janeiro de 2025, em uma concessionária de São Paulo, e gerou uma comunicação às autoridades de controle em razão do uso de dinheiro em espécie. Um relatório reproduzido na decisão registra que o automóvel estava avaliado em R$ 184.858 na Tabela Fipe. A compra, isoladamente, não é ilegal, mas passou a integrar o rastreamento financeiro dos investigadores.

A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A PF apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes em contratações públicas.

Entre os principais alvos estão Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo e roteirista do filme. Os investigados foram proibidos de deixar o país e de manter contato entre si. Também houve recolhimento de passaportes e suspensão das atividades econômicas do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura, entidades presididas por Karina.

A PF investiga a destinação de R$ 2 milhões em emendas indicadas por Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil. Os investigadores suspeitam que pelo menos R$ 750 mil possam ter chegado à Go Up por meio de empresas intermediárias durante o período de gravação do filme.

A polícia ressalva, entretanto, que ainda não é possível afirmar de maneira definitiva que o dinheiro recebido pela produtora tenha a mesma origem dos recursos públicos transferidos às entidades investigadas.

A apuração também identificou transferências diretas de R$ 645,4 mil feitas por Mario Frias à Go Up em menos de dois meses. Para a PF, os repasses seriam incompatíveis com os rendimentos e créditos encontrados nas contas bancárias do parlamentar.

Flávio Bolsonaro classificou a operação como uma interferência política e afirmou que o filme não recebeu dinheiro público. Mario Frias chamou a ação de “cortina de fumaça” e negou irregularidades. Karina Gama declarou que colaborou com as autoridades, não participou da captação de recursos e foi contratada apenas para produzir o longa-metragem.

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