Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

Trend dos anos 80 com IA viraliza, mas fotos podem expor usuários a golpes; aprenda a se proteger

Brincadeira que transforma selfies em retratos retrô exige atenção com biometria, deepfakes, aplicativos falsos, permissões e cobranças escondidas

A trend que transforma fotografias atuais em retratos inspirados nos anos 1980 tomou conta das redes sociais nos últimos dias, mas a brincadeira também acendeu um alerta sobre privacidade e segurança digital. Para criar cabelos volumosos, roupas coloridas e cenários retrô, usuários fornecem imagens do próprio rosto a ferramentas de inteligência artificial — e o problema pode começar quando essas fotos são entregues a serviços desconhecidos ou com regras pouco transparentes sobre armazenamento e utilização dos dados.

A tendência ganhou força principalmente no Instagram. Na versão mais popular, o usuário envia uma fotografia para uma ferramenta de IA e pede uma recriação de como seria sua aparência na década de 1980, preservando características do rosto e alterando roupas, penteados, acessórios e ambientes. O resultado costuma ser compartilhado em stories e publicações, ampliando rapidamente o alcance da corrente.

Riscos de privacidade e segurança digital

O risco não está necessariamente na geração da imagem, mas na plataforma escolhida e nas condições aceitas para produzi-la. Segundo alerta publicado pela Band, serviços pouco confiáveis podem coletar características faciais e armazenar dados em servidores sem garantias adequadas de privacidade. Em situações mais graves, esse material pode alimentar bancos de dados, ser compartilhado com terceiros ou utilizado para produzir conteúdos falsos.

Rosto pode se tornar dado valioso

Uma selfie aparentemente comum contém muito mais informação do que o usuário costuma perceber. Além das características do rosto, a fotografia pode revelar objetos, documentos, crachás, placas, uniformes, ambientes de trabalho e detalhes da residência. Dependendo do arquivo, também podem existir metadados associados à imagem.

Especialistas ouvidos pelo SBT News destacam que uma fotografia enviada a um serviço de inteligência artificial pode ser processada e armazenada por determinado período, dependendo da política adotada pela empresa. Por isso, a recomendação é verificar previamente as regras sobre retenção, treinamento de modelos e eventual compartilhamento com terceiros.

O cuidado é ainda maior quando se trata de uma fotografia frontal, nítida e em alta resolução. Características faciais são informações capazes de auxiliar sistemas de identificação, e criminosos vêm sofisticando métodos para tentar contornar mecanismos de reconhecimento facial. A Serasa Experian, por exemplo, identificou neste ano uma modalidade chamada de “golpe do sósia”, na qual fraudadores procuram pessoas fisicamente semelhantes para tentar superar etapas de autenticação.

Isso não significa que uma única selfie automaticamente permita invadir uma conta bancária. O risco cresce quando fotografias são combinadas com outros dados pessoais obtidos em vazamentos, redes sociais ou golpes de engenharia social.

Deepfakes ampliam o perigo

Outro ponto de atenção envolve os deepfakes, conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial para reproduzir de maneira convincente a aparência de uma pessoa.

Quanto mais material visual de qualidade estiver disponível, maiores podem ser as possibilidades de manipulação. Imagens falsas podem ser empregadas na criação de perfis fraudulentos, golpes contra familiares e amigos, ataques à reputação ou produção de conteúdo íntimo sem consentimento.

Por isso, o usuário deve avaliar não apenas o resultado divertido produzido pela ferramenta, mas o destino da fotografia original depois do processamento.

Aaplicativos falsos podem roubar dados

A popularidade de uma trend também costuma ser explorada por criminosos. Aplicativos e páginas falsas podem imitar ferramentas conhecidas para induzir o internauta a instalar programas maliciosos ou fornecer informações pessoais e financeiras.

Entre os riscos estão softwares capazes de espionar atividades no celular, capturar credenciais e acessar informações armazenadas no aparelho. A recomendação é evitar arquivos distribuídos por links desconhecidos ou anúncios suspeitos e utilizar somente lojas oficiais e páginas legítimas dos serviços.

Também é importante desconfiar de um aplicativo de edição de fotos que solicite acesso a recursos incompatíveis com sua finalidade. Uma ferramenta destinada apenas a transformar imagens, por exemplo, não deveria precisar livremente da agenda de contatos, mensagens, microfone ou localização para executar sua função básica.

Cuidado com cobranças e como se proteger

As armadilhas não ficam restritas aos dados pessoais. Alguns serviços oferecem períodos gratuitos de teste que se transformam posteriormente em assinaturas automáticas, inclusive com cobranças recorrentes.

Antes de confirmar qualquer contratação, o consumidor deve verificar preço, periodicidade, regras de renovação e procedimento de cancelamento. A Band recomenda que pagamentos sejam realizados pelos sistemas oficiais das lojas de aplicativos, que permitem visualizar e administrar assinaturas com maior facilidade.

Outro cuidado é evitar informar diretamente cartão de crédito ou dados bancários em páginas abertas por anúncios ou links recebidos em redes sociais.

Como participar com mais segurança

Quem quiser aderir à brincadeira pode reduzir os riscos com medidas simples. O primeiro passo é verificar quem desenvolveu a ferramenta e ler sua política de privacidade, especialmente os trechos que explicam por quanto tempo as fotografias permanecem armazenadas, se podem ser utilizadas para aprimorar modelos e se são compartilhadas com terceiros.

Na escolha da fotografia, é recomendável utilizar uma imagem simples, sem documentos pessoais, crachás profissionais, placas de veículos, crianças, endereços ou detalhes que permitam identificar a residência ou o local de trabalho.

Também é importante limitar as permissões concedidas pelo celular. Em vez de liberar toda a galeria, o usuário deve preferir, quando o sistema permitir, acesso apenas à fotografia necessária para aquela edição.

O alerta ganha importância porque a inteligência artificial transformou fotografias em matéria-prima para diferentes tipos de conteúdo. A própria popularidade da trend demonstra como milhares de pessoas podem entregar voluntariamente imagens faciais em alta qualidade em troca de uma experiência de entretenimento.

A tendência dos anos 80, portanto, não precisa ser abandonada, mas exige atenção. Antes de colocar uma selfie em qualquer aplicativo que promete uma transformação instantânea, vale verificar quem receberá a imagem, quais direitos o serviço terá sobre ela e o que acontecerá com o arquivo depois que a brincadeira terminar.

O post Trend dos anos 80 com IA viraliza, mas fotos podem expor usuários a golpes; aprenda a se proteger apareceu primeiro em Diário do Pará.

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook
Threads