Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

“Momento mais triste da vida”: mulher diz que namorado sabia ser portador de HIV e a contaminou intencionalmente

Dentista de 41 anos foi condenado a cinco anos de prisão em Rondônia e teve nova prisão preventiva decretada após investigação apontar outras vítimas.

O diagnóstico de HIV transformou a vida de uma mulher de Rondônia e desencadeou uma investigação que terminou com a condenação do então namorado dela, o dentista Jean José Dunga de Oliveira, de 41 anos. Identificada pelo nome fictício de Maria para preservar sua identidade, ela afirma ter sido infectada intencionalmente pelo companheiro, que, segundo o Ministério Público de Rondônia (MP-RO), tinha conhecimento da própria condição sorológica e teria ocultado a informação durante o relacionamento. “Com certeza posso afirmar que foi o momento mais triste e mais difícil da minha vida”, relatou.

O caso ganhou um novo capítulo nesta semana. A Justiça de Rondônia decretou, na quarta-feira (9), uma nova prisão preventiva contra Jean, atendendo a pedido do MP-RO. A medida está relacionada a outro processo, envolvendo três mulheres, e foi fundamentada no risco apontado pela acusação de repetição da conduta e surgimento de novas vítimas.

Jean já havia sido condenado, em agosto, a cinco anos de prisão em regime semiaberto, além do pagamento de R$ 50 mil de indenização a Maria. A decisão é passível de recurso. O processo tramita em segredo de Justiça. Em relação às outras acusações, ainda não houve julgamento, razão pela qual elas devem ser tratadas como alegações sob investigação e análise judicial.

Sintomas levaram à descoberta do HIV

Maria contou que mantinha uma rotina ativa e praticava exercícios físicos regularmente até começar a apresentar febre, fortes dores, cansaço, coceira, vermelhidão e infecções persistentes. Diante da piora do quadro, decidiu realizar exames para investigar infecções sexualmente transmissíveis. Foi então que recebeu o diagnóstico positivo para HIV.

Segundo seu relato, antes do resultado, Jean chegou a oferecer a prescrição de antibióticos e sugeriu que ela não precisava contar à família que a infecção continuava. A atitude despertou desconfiança. “Isso me acendeu uma pequena luz”, afirmou.

O impacto aumentou quando a mulher procurou atendimento médico e descobriu que o nome do antigo companheiro já estava relacionado a uma investigação conduzida pelas autoridades. Naquele momento, segundo o relato, Jean já respondia a uma ação envolvendo outras mulheres.

“Ao me perguntarem o nome do meu antigo parceiro, correspondia ao do suspeito; se tratava da mesma pessoa. Eu era mais uma vítima do Jean”, contou Maria.

Jean José Dunga de Oliveira foi condenado a cinco anos de prisão e ao pagamento de R$ 50 mil de indenização no primeiro processo julgado. Ministério Público de Rondônia afirma que pelo menos quatro mulheres foram vítimas e investiga a possibilidade de existirem outros casos relacionados.

Denúncia levou à prisão e novas acusações

Em busca de assistência, Maria procurou o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), do Ministério Público de Rondônia, em 28 de maio. O serviço oferece acolhimento especializado, sigiloso e humanizado a pessoas vítimas de violência.

O depoimento passou a integrar as investigações. Jean foi preso em 10 de junho. Segundo o MP-RO, os elementos reunidos indicavam que ele continuava mantendo relacionamentos mesmo depois do início da primeira ação penal.

Maria disse ter encerrado o relacionamento em 30 de abril e afirmou que, no intervalo até a prisão, o ex-companheiro teria sido visto acompanhado de outras mulheres. Ela ressaltou, porém, não ter condições de afirmar qual era a natureza dessas relações.

A vítima também descreveu o impacto do diagnóstico sobre seus familiares. “Quando fui infectada pelo Jean, ele não adoeceu somente a mim, ele adoeceu uma família inteira”, declarou. Segundo ela, o episódio provocou sofrimento que ultrapassou sua própria condição de saúde e atingiu pessoas próximas.

MP aponta outras vítimas e falta de tratamento

De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, o MP-RO atribui a Jean a transmissão intencional do HIV a pelo menos quatro mulheres. O órgão sustenta ainda que podem existir outras vítimas que não tenham procurado as autoridades ou que ainda desconheçam eventual diagnóstico.

A acusação afirma que Jean tinha conhecimento de sua condição sorológica havia anos. Segundo a investigação, ele não teria mantido adesão adequada ao tratamento antirretroviral. Profissionais de saúde que o acompanharam relataram, conforme informações divulgadas sobre o processo, falta de regularidade no tratamento, situação que teria impedido a manutenção de carga viral indetectável.

No processo envolvendo outras três mulheres, Jean é acusado de crimes como lesão corporal gravíssima e, em relação a duas vítimas, estupro. Essas acusações ainda dependem de julgamento. A nova prisão preventiva foi determinada pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Porto Velho.

Antes da primeira condenação, a defesa declarou ao g1 que Jean realizava tratamento antirretroviral e acreditava não haver risco de transmissão sexual. Depois da sentença, procurado novamente, o advogado optou por não se manifestar.

@hojeemdiaoficial

Um dentista foi denunciado pelo Ministério Público de Rondônia por suspeita de transmitir HIV de forma intencional para mulheres com quem se relacionava. Segundo a investigação, o homem sabia do diagnóstico há cerca de 10 anos e teria se recusado a fazer tratamento para controlar o vírus. O caso começou após três mulheres denunciarem a situação; uma quarta possível vítima surgiu durante o processo. Todas as mulheres testaram positivo para HIV. O investigado está preso e pode responder por crimes como perigo de contágio de moléstia grave, estupro e lesão corporal gravíssima. ➡️ Veja essa e outras notícias do #HojeEmDia em R7.com/hojeemdia

♬ som original – HOJE EM DIA

Tratamento antirretroviral e combate ao estigma

O caso também chama atenção para uma informação fundamental para evitar estigma contra pessoas que vivem com HIV: ter o vírus não significa necessariamente transmiti-lo sexualmente.

O Ministério da Saúde explica que o tratamento antirretroviral reduz a quantidade de HIV no organismo até que a carga viral possa se tornar indetectável. Quando isso ocorre e a condição é mantida com adesão ao tratamento, não há risco de transmissão sexual do HIV. É o conceito conhecido como I=I — Indetectável = Intransmissível.

No Brasil, os medicamentos antirretrovirais são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além de impedir a multiplicação do vírus, o tratamento preserva o sistema imunológico, reduz complicações e permite que pessoas vivendo com HIV mantenham qualidade de vida.

A informação é especialmente importante porque Maria relatou também enfrentar o peso do preconceito. Ela optou por não revelar sua identidade por receio das consequências sociais para si e para familiares.

“Não posso me identificar sem sofrer prejuízos ou expor familiares a prejuízo social”, explicou. Para a vítima, ainda existe forte desconhecimento em torno do HIV, circunstância que pode aumentar o sofrimento de quem recebe o diagnóstico.

Justiça de Rondônia analisa outros processos

A primeira condenação ocorreu em 24 de agosto. Jean recebeu pena de cinco anos em regime semiaberto e indenização de R$ 50 mil. Outros processos relacionados às denúncias continuam em tramitação. Após a sentença, o MP-RO solicitou uma nova prisão preventiva, argumentando haver risco de repetição da conduta. A Justiça acolheu o pedido em 9 de setembro.

Para Maria, procurar as autoridades foi uma decisão tomada apesar do impacto emocional provocado pelo diagnóstico. “Estava doendo, mas eu iria fazer o que tivesse que fazer”, afirmou. A mulher disse que decidiu seguir com a denúncia para responsabilizar judicialmente o ex-companheiro e contribuir para evitar que outras pessoas fossem expostas à mesma situação.

O caso segue sob acompanhamento das autoridades de Rondônia. Enquanto a primeira condenação ainda admite recurso, os demais processos deverão determinar judicialmente a responsabilidade do acusado pelas outras denúncias.

O post “Momento mais triste da vida”: mulher diz que namorado sabia ser portador de HIV e a contaminou intencionalmente apareceu primeiro em Diário do Pará.

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook
Threads