A médium Maira Rocha, responsável pela Casa de Caridade Inácio Daniel, em Águas Claras, no Distrito Federal, tornou-se alvo de denúncias de pessoas que afirmam ter sido enganadas por supostas cartas psicografadas de parentes mortos. O caso ganhou espaço no Fantástico, da TV Globo, neste domingo (6), e envolve ainda quantias expressivas arrecadadas com objetos associados às sessões.
Entre os casos apresentados está o de uma mulher que pagou R$ 57 mil por um vestido usado por Maira durante as psicografias. Segundo a vítima, inicialmente o valor parecia justificável porque acreditava que a peça havia sido utilizada pela médium durante contatos com pessoas mortas.
Leilões chegaram a R$ 68 mil
Além do vestido, um casal desembolsou R$ 11 mil por um amuleto oferecido por Maira. Somados, os dois itens chegaram a R$ 68 mil.
Ao apresentar o objeto, a médium atribuiu a ele uma relação direta com experiências espirituais vividas por ela.
“Coloquei todas as minhas energias neste amuleto. Todas as energias ruins que eu tinha, ele me tirou e me trouxe muitas alegrias. Entro em casa todos os dias e vejo muitos espíritos ali perto dele”, relatou a chefe da Casa de Caridade Inácio Daniel.
Família desconfiou de carta
Outro relato exibido pelo Fantástico foi o de Mariana Escames, que perdeu o marido, Thiago, vítima de leucemia. Na época da morte, o filho caçula do casal, Matheo, tinha três anos e enfrentava dificuldades para lidar com a ausência do pai.
Na esperança de receber uma mensagem do marido, Mariana procurou Maira. Para participar, forneceu o nome completo e outros dados pessoais em um livro disponibilizado durante as sessões da instituição.
Quando a família compareceu ao local, Maira informou que as psicografias já estavam prontas. Antes da sessão, porém, Matheo entregou à médium um texto escrito por ele, no qual relatava questões pessoais que enfrentava desde a morte do pai.
Informações chamaram atenção
Após receber a suposta carta psicografada, Nicolas, filho mais velho de Mariana, percebeu semelhanças entre partes do conteúdo e informações que a própria família havia publicado nas redes sociais.
Mariana ainda tinha dúvidas porque a mensagem continha detalhes relacionados ao filho caçula que considerava particulares. A desconfiança aumentou quando Matheo lembrou a mãe do bilhete que havia entregado a Maira antes da sessão.
Segundo Mariana, descobrir a possível origem das informações provocou um sofrimento comparável a um segundo luto para a família. Ela relatou ainda que Matheo enfrentou episódios depressivos após saber do caso.
Caso chegou à polícia
A família registrou boletim de ocorrência contra Maira por suspeitas de charlatanismo, estelionato e por submeter criança a situação vexatória, conduta prevista no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Sete lideranças espíritas também assinaram um documento de apoio à família.
As acusações contra a médium não se limitam ao caso. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recebeu denúncias com relatos de supostos crimes atribuídos a Maira, apontada por vítimas como responsável por forjar mensagens de pessoas falecidas.
O órgão instaurou uma Notícia de Fato para analisar as informações apresentadas.
“O MPDFT recebeu manifestação com informações sobre supostos crimes atribuídos a Maíra Alexandrina (nome de Maira Rocha). A partir do relato, foi instaurada uma Notícia de Fato, atualmente em análise por uma Promotoria de Justiça Criminal”, informou o órgão.
Inquérito investiga médium
A Polícia Civil do Distrito Federal também mantém investigação envolvendo Maira. Um inquérito instaurado na 11ª Delegacia de Polícia apura fatos ocorridos no Núcleo Bandeirante em 2019. O registro da ocorrência, porém, foi realizado em setembro de 2025.
“Informo que na presente Delegacia (11ª DP) encontra-se um inquérito instaurado para apurar os fatos que ocorreram na cidade do Núcleo Bandeirante no ano de 2019. Em que pese o extenso lapso temporal, o registro da ocorrência ocorreu no dia 21/9/2025 e a investigação encontra-se em andamento. Esta investigação que tramita nesta delegacia (11ª DP) possui apenas uma vítima”, informou a polícia.
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