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“Nostradamus chinês” faz previsões assustadoras para 2027 e aponta novas guerras

Nasceu na China, mas cresceu no Canadá — nascido em Guangdong, ele se mudou com a família para o Canadá quando tinha seis anos e cresceu em Toronto.

O ano de 2027 poderá ser marcado por profundas transformações geopolíticas e econômicas, segundo as previsões do educador sino-canadense Jiang Xueqin, que ganhou na internet o apelido de “Nostradamus da China”.

Suas projeções para os próximos anos vão muito além dos Estados Unidos e envolvem conflitos no Oriente Médio, Rússia, Ucrânia, China, Taiwan, Japão, Coreia do Norte, BRICS e até uma possível reorganização da economia mundial.

Jiang ficou conhecido por publicar análises sobre o futuro da política internacional em seu canal “Predictive History”. Ele afirma que não utiliza poderes sobrenaturais para fazer suas previsões, mas ferramentas como teoria dos jogos, análise histórica e avaliação dos interesses de governos e líderes. O histórico, entretanto, deve ser interpretado com cautela.

Galeria | Veja curiosidades sobre o Nostradamus da China

1. Guerra no Oriente Médio pode provocar efeitos em todo o planeta

Uma das principais preocupações de Jiang é a possibilidade de o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã ultrapassar as fronteiras do Oriente Médio.

Em suas projeções para 2026 e 2027, ele afirma que uma eventual guerra terrestre americana no Irã poderia se transformar em um conflito prolongado e alterar profundamente o equilíbrio de poder internacional.

Jiang também prevê que a guerra poderia atingir outras áreas da região e envolver países do Cáucaso, conectando o conflito do Oriente Médio à guerra entre Rússia e Ucrânia. O cenário aparece entre as previsões catalogadas para 2026-2027.

Uma expansão desse tipo teria consequências muito além dos países diretamente envolvidos, principalmente para os mercados de energia e para o comércio internacional.

2. Estreito de Ormuz pode virar o centro de crise energética

Outro ponto central das previsões é o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte marítimo de petróleo e gás.

Jiang considera que a continuidade de uma guerra na região poderia provocar uma interrupção prolongada no tráfego pelo estreito, pressionando os preços internacionais da energia e afetando países dependentes das importações.

O impacto poderia chegar aos alimentos, já que o aumento do custo de energia também influencia transporte, produção agrícola e fertilizantes.

O Japão aparece como um dos países particularmente vulneráveis nas previsões do educador. Uma das projeções catalogadas afirma que a economia japonesa poderia sofrer um colapso caso o Estreito de Ormuz permanecesse fechado durante vários meses.

Para o Brasil, uma crise desse tipo também teria potencial de impacto indireto, principalmente por meio dos preços internacionais do petróleo, combustíveis, fretes, fertilizantes e alimentos.

3. BRICS podem ganhar ainda mais espaço na economia mundial

Entre as previsões de maior alcance internacional está a possibilidade de fortalecimento do grupo dos BRICS.

Jiang prevê que o bloco continuará se expandindo e poderá avançar em direção a um novo sistema de moeda ou comércio internacional.

A hipótese é especialmente relevante para países emergentes porque uma eventual redução da dependência do dólar nas transações internacionais poderia alterar relações comerciais, fluxos financeiros e a influência econômica dos Estados Unidos.

A previsão, no entanto, não significa que exista atualmente uma decisão dos BRICS para criar uma moeda única. Trata-se de uma projeção de Jiang sobre o possível caminho do bloco.

Para o Brasil, integrante dos BRICS, esse cenário teria importância direta.

4. China, Taiwan, Japão e Coreia do Norte entram no radar

A Ásia também aparece como uma das regiões mais sensíveis nas projeções.

Jiang prevê o aumento das tensões entre China, Taiwan, Japão e Coreia do Norte. Entre suas previsões está a possibilidade de Pequim utilizar a Coreia do Norte para criar crises envolvendo Japão e Coreia do Sul, aumentando a pressão sobre os governos da região.

O risco de um conflito envolvendo Taiwan também é um dos principais pontos de preocupação entre analistas internacionais para os próximos anos, embora isso não signifique que uma invasão chinesa esteja determinada a acontecer.

Uma guerra no estreito de Taiwan teria consequências globais devido à importância da região para o comércio e para a indústria de semicondutores.

Além disso, uma crise militar envolvendo China e Taiwan poderia colocar Estados Unidos, Japão e outros aliados em uma situação de confronto direto ou indireto com Pequim.

5. Guerra na Ucrânia pode ganhar uma nova frente

A guerra entre Rússia e Ucrânia também aparece entre as previsões de Jiang.

Ele projeta uma mudança na dinâmica do conflito e prevê que a região de Odessa, no sul da Ucrânia, poderá se transformar em um dos principais pontos de confronto entre Rússia e forças apoiadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Outra previsão afirma que a Rússia poderia ampliar o apoio ao Irã em uma eventual guerra contra os Estados Unidos, numa tentativa de impedir que Teerã seja derrotado.

Esse tipo de aproximação poderia transformar conflitos regionais independentes em partes de uma disputa geopolítica maior entre grandes potências.

6. Ásia Central pode entrar em uma década de instabilidade

As previsões não se limitam às grandes potências.

Jiang também projeta uma onda de instabilidade política na Ásia Central durante os próximos dez anos. Segundo o registro de suas previsões, países da região poderiam enfrentar golpes de Estado, revoltas, assassinatos políticos e disputas de influência envolvendo China, Rússia e Estados Unidos.

A região é estratégica por sua posição geográfica e pelas reservas de petróleo, gás e outros recursos naturais.

Uma disputa mais intensa entre as grandes potências poderia transformar países como Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão e outros vizinhos em áreas importantes da nova competição geopolítica.

7. Uma nova ordem mundial pode começar a tomar forma

Todas essas previsões levam a uma conclusão mais ampla defendida por Jiang: o sistema internacional estaria entrando em uma fase de transformação.

Em uma de suas projeções de longo prazo, ele afirma que a pressão contra Estados Unidos e Israel poderia aumentar e que grande parte do mundo poderia se posicionar contra ambos ao longo da próxima década.

O raciocínio de Jiang é baseado em uma comparação histórica: grandes potências que ampliam excessivamente sua influência podem acabar estimulando outros países a formar alianças para limitar seu poder.

Nesse cenário, o fortalecimento dos BRICS, a aproximação entre Rússia e China e as mudanças nas relações do Oriente Médio seriam partes de um processo maior de redistribuição do poder internacional.

E o Brasil?

Embora as previsões de Jiang estejam concentradas principalmente nas grandes potências, seus possíveis efeitos chegariam ao Brasil.

Uma crise internacional de energia poderia aumentar custos de combustíveis e transportes. Uma eventual reorganização dos fluxos comerciais poderia beneficiar ou prejudicar exportadores brasileiros, dependendo dos produtos e dos mercados envolvidos.

Já uma maior integração dos BRICS poderia ampliar a importância do Brasil nas negociações econômicas entre países emergentes.

O país também poderia sentir os efeitos de uma eventual crise global de fertilizantes, especialmente porque o agronegócio brasileiro possui forte dependência de insumos importados.

Previsão não é fato

Apesar do apelido de “Nostradamus da China”, Jiang Xueqin não possui qualquer método científico comprovado para prever acontecimentos futuros.

Seu trabalho é baseado em análises e interpretações próprias de acontecimentos históricos e geopolíticos. O banco de dados que acompanha suas previsões registra acertos, erros e dezenas de projeções ainda não verificadas.

Um exemplo frequentemente citado por seus seguidores é a previsão da vitória de Donald Trump nas eleições americanas de 2024. Mas Jiang também fez previsões que não se concretizaram, como a escolha de Nikki Haley para vice-presidente (Trump acabou escolhendo JD Vance).

Por isso, as previsões para 2027 devem ser encaradas como cenários especulativos, e não como acontecimentos inevitáveis.

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