O CT Rei da Amazônia começa a transformar em realidade um dos projetos estruturais mais aguardados pela torcida do Clube do Remo. Construído em Outeiro, distrito de Belém, o novo Centro de Treinamento azulino entrou oficialmente em obras em julho de 2026 e, segundo o cronograma divulgado pelo clube, deverá ficar completamente pronto no primeiro trimestre de 2027. O investimento supera R$ 15 milhões e pretende colocar o Leão em outro patamar de infraestrutura para atender tanto o futebol profissional quanto as categorias de base.
O projeto atual prevê prazo de aproximadamente 220 dias para conclusão. Mais de R$ 5 milhões deverão ser aplicados diretamente pelo Clube do Remo, enquanto outros R$ 10 milhões virão da iniciativa privada. O planejamento divulgado em julho reorganizou a execução do complexo em três grandes etapas, começando pela infraestrutura básica, passando pela construção dos prédios e terminando com os campos, acessos e urbanização da área.
A área escolhida para abrigar o centro de treinamento possui aproximadamente 98 mil metros quadrados. O terreno em Outeiro já fazia parte dos planos azulinos há vários anos e corresponde à antiga estrutura utilizada pelo Carajás. O espaço entrou no radar do Remo ainda em 2021 e possui dimensões que permitem não apenas a implantação do atual projeto, mas também expansões futuras.
Obras em andamento e cronograma
Embora o anúncio inicial previsse o início dos serviços para a segunda quinzena de julho, trabalhos preparatórios já eram executados desde o começo do mês. O clube confirmou posteriormente que a construção havia efetivamente saído do papel e passou a divulgar imagens do canteiro de obras nas redes sociais.
Na atualização oficial de 29 de julho, o Remo informou que a primeira etapa estava em andamento e seguia o cronograma estabelecido. Naquele momento, equipes realizavam a demolição das antigas edificações existentes no terreno para liberar espaço às novas estruturas planejadas.
Também já haviam sido realizados o levantamento topográfico de toda a área e a limpeza do terreno, especialmente no local destinado ao principal gramado do CT. A antiga grama foi retirada e as camadas do campo começaram a ser rebaixadas para preparação do solo.
É este, oficialmente, o estágio técnico mais recente detalhado pelo clube: preparação, terraplenagem e adequação da área dentro da primeira fase do cronograma. O Remo continuou divulgando o avanço do projeto pelas redes sociais, mas não publicou até o início de setembro um novo boletim técnico com percentual físico de execução da obra.
Primeira etapa: infraestrutura básica
A primeira fase é decisiva porque envolve aquilo que ficará sob praticamente todo o complexo. O projeto prevê a implantação de sistema de esgoto, estação de tratamento de água e subestação de energia, deixando o terreno preparado para receber as edificações e equipamentos das fases seguintes.
É uma etapa menos visível para quem observa o canteiro externamente, mas essencial para garantir funcionamento independente e adequado da estrutura esportiva quando o CT estiver ocupado diariamente por atletas, comissão técnica, funcionários e categorias de formação.
Prédio principal e estrutura de elite
A segunda etapa concentra a maior parte das estruturas utilizadas diariamente pelo departamento de futebol. Serão construídos vestiários, academia, rouparia, salas de apoio e análise de desempenho, sala da comissão técnica, salas de reuniões, diretoria, sala executiva e auditório.
O projeto inclui ainda alojamento para 65 atletas e refeitório preparado para atender até 120 pessoas simultaneamente. Haverá lavanderia, cozinha, depósitos para alimentos, gás e materiais, vestiário dos funcionários e diferentes ambientes de serviço.
Na prática, a proposta é reduzir a dependência do Remo de estruturas externas para atividades que fazem parte da rotina do futebol profissional. Treinamento, alimentação, recuperação, reuniões, análise de desempenho e concentração poderão ocorrer dentro do mesmo complexo.
Saúde e performance
Um dos diferenciais será o Núcleo de Atendimento e Saúde do Atleta (NASP). O setor médico e de performance foi projetado para reunir serviços que atualmente são indispensáveis ao funcionamento de clubes da elite nacional.
O espaço terá consultório psicológico, enfermaria, sala de fisiologia, consultório odontológico, podologia, fisioterapia, academia, sauna e área específica para crioterapia. Também haverá casa de máquinas, depósito de gelo e ambientes de apoio.
O projeto ainda prevê salas destinadas ao marketing, reuniões e produção de conteúdo, incluindo um estúdio, aproximando áreas esportivas, administrativas e de comunicação no mesmo centro de treinamento.
Três campos oficiais e conclusão
A terceira etapa muda definitivamente a configuração esportiva da área. O planejamento estabelece a construção de três novos campos de futebol com dimensões oficiais, permitindo que diferentes grupos trabalhem simultaneamente e diminuindo o desgaste provocado pelo uso excessivo de um único gramado.
Além dos campos, serão executados o pórtico de entrada, estacionamento, pavimentação interna, drenagem das áreas pavimentadas, paisagismo e instalação do mobiliário e dos equipamentos necessários à operação completa do CT.
Quando concluído, o Rei da Amazônia deverá reunir em um único endereço preparação técnica, condicionamento físico, medicina esportiva, recuperação, alimentação, alojamento e administração do futebol.
Histórico do projeto
O atual desenho é resultado de sucessivas reformulações. Em março de 2025, quando a maquete foi apresentada ao Conselho Deliberativo, o Remo trabalhava com uma proposta dividida em quatro fases e previa uma primeira etapa estimada em R$ 8 milhões. Naquele modelo, além da estrutura profissional, havia previsão posterior de espaços específicos para as categorias de base e expansão futura da quantidade de campos.
O planejamento anunciado em julho de 2026 consolidou a execução imediata em três etapas e elevou o investimento para mais de R$ 15 milhões. O desenho divulgado pelo clube prevê três campos oficiais já dentro desse ciclo de obras de 220 dias.
O terreno também possui importância histórica para a gestão patrimonial do clube. O Remo recebeu em janeiro de 2024 a Escritura Pública Declaratória de Posse e Cessão de Transferência de Direito da área, documento que confirmou a quitação definitiva do imóvel em Outeiro.
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