O projeto Nosso Patrimônio, iniciativa voltada à valorização da arquitetura, da história e da memória de Belém, iniciou nesta sexta-feira, 28, uma nova etapa de sua ação educativa. A atividade foi realizada no Fórum Landi e reuniu estudantes da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará (EAUFPA) em uma experiência que alia aprendizado, criatividade e ludicidade por meio da construção de maquetes de edificações históricas da capital paraense.
Educação patrimonial para 300 estudantes
A ação educativa pretende atender cerca de 300 estudantes de escolas públicas de Belém ao longo de 15 dias, com turmas de aproximadamente 30 alunos. Durante as atividades, crianças e adolescentes conhecem aspectos do patrimônio histórico da cidade e participam da montagem de maquetes que representam espaços e edificações importantes para a memória de Belém.
Para o coordenador geral do projeto, Armando Sobral, a atividade representa um dos momentos mais importantes da iniciativa, ao levar ao público o resultado de um trabalho desenvolvido há mais de uma década. “A origem do projeto foi na Universidade Federal do Pará (UFPA) e, a partir de 2012, passou a ser realizado pelo Diário com a Era do Ferro, com encartes no jornal Diário do Pará. Esse é o momento de culminância de todo esse projeto. A maquete encontra o seu público para fortalecer as relações de identidade”, explicou.
Fortalecimento da relação com o patrimônio cultural
Segundo Sobral, além de apresentar informações sobre a história da cidade, a construção das maquetes contribui para o desenvolvimento cognitivo dos estudantes e fortalece a relação deles com o patrimônio cultural. “Através de processos lógicos de construção, ele estabelece uma vinculação, faz uma conexão mais forte das crianças com o seu patrimônio histórico, com a sua memória da cidade e promove valores muito importantes de cidadania e identidade cultural”, afirmou.
A proposta é utilizar a construção das maquetes como ferramenta de educação patrimonial. Os estudantes são estimulados a compreender a importância da preservação dos espaços históricos ao mesmo tempo em que desenvolvem uma atividade prática e coletiva. “As crianças tomam consciência, através dessa ludicidade de construir maquete, sobre a importância de preservar. Também fortalece as relações afetivas dessas crianças com esse objeto, que é uma representação de um patrimônio histórico arquitetônico de Belém”, destacou Sobral.
Multiplicadores da memória e história de Belém
As atividades são adaptadas de acordo com a idade e a complexidade das maquetes. Entre os modelos trabalhados estão representações do Cine Olympia e do Fórum Landi, permitindo que alunos desde os primeiros anos do ensino fundamental até adolescentes do ensino médio tenham contato com diferentes aspectos da arquitetura histórica da cidade. Para o coordenador, a continuidade da iniciativa é um dos principais diferenciais do projeto. “Esse é um projeto que perdura já mais de 10 anos, essa ação educacional de educação patrimonial com o projeto das maquetes. No meu entendimento, é o projeto mais relevante, mais abrangente da Amazônia de educação patrimonial”, avaliou.
A proposta também ultrapassa os limites da sala de aula. Ao levar para casa o conhecimento adquirido durante a atividade, os estudantes podem atuar como multiplicadores da memória e da história de Belém dentro das próprias famílias. Sobral explica que a iniciativa busca estimular essa transmissão de conhecimento entre diferentes gerações. “Os filhos são agentes dos pais dessa educação patrimonial em casa. Isso é muito bonito”, afirmou.
Outro objetivo é incentivar os estudantes e suas famílias a conhecerem presencialmente os espaços representados nas maquetes. Para Sobral, os modelos construídos funcionam também como um convite para que a população reconheça e vivencie a própria cidade. “Essas maquetes são representações de áreas históricas da cidade, muito significativas, em que as pessoas precisam visitar, conhecer e usufruir também da sua própria paisagem cultural”, ressaltou.
Veja imagens do projeto:
Experiência prática e aprendizado lúdico
Entre os participantes da atividade estava o estudante Heitor Moraes, de 9 anos, que destacou a experiência de aprender por meio de uma atividade prática. “Está sendo legal. Estou aprendendo a construir coisas bacanas. Estar aqui aprendendo outro tipo de coisa que não está nas telas também é importante. Acho legal que a gente não fica muito preso na tela, distrai a mente”, contou.
Outro estudante da Escola de Aplicação, Benjamin Meireles, 9 anos, disse que hoje foi o melhor dia de todos para ele. “Eu gostei mais porque foi meu primeiro passeio escolar hoje da Escola de Aplicação. A gente foi num ônibus que tinha ar condicionado e quando eu estava lá dentro, eu descobri vários outros pontos turísticos de Belém. O que eu mais estou gostando é de fazer essa maquete do Fórum Landi. É como se eu estivesse construindo uma cidade. É o jeito que eu imagino. Hoje também aprendi a valorizar o patrimônio e falar disso para a minha família”, afirmou Benjamin Meireles.
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