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Uma voz contra 41 mil: quem é o torcedor solitário do Maringá que “calou” o Mangueirão em Belém?

Torcedor atravessou a distância até Belém, encarou uma arquibancada dominada pela Fiel Bicolor e terminou a noite celebrando classificação histórica do Maringá.

Em meio a 41.405 pessoas no Mangueirão, praticamente todas mobilizadas para empurrar o Paysandu rumo à classificação, uma figura isolada na arquibancada destinada aos visitantes acabou se transformando em um dos personagens mais simbólicos da noite.

O torcedor do Maringá Cássio Augusto, identificado pelo próprio clube como @prof.cassio_augusto, acompanhou praticamente sozinho a equipe paranaense e terminou o sábado (29) comemorando uma vitória por 1 a 0 que silenciou momentaneamente a festa bicolor e colocou o “Dogão” na fase decisiva da Série C.

A imagem ganhou repercussão nas redes sociais depois da partida. O perfil oficial do Maringá exaltou o apoio solitário do torcedor e resumiu a cena com a mensagem: “Quando uma só voz cala 41 mil torcedores”.

Mais do que uma provocação esportiva, a publicação transformou Cássio em representação da torcida maringaense dentro de um estádio praticamente inteiro ocupado por adversários.

Cássio não marcou o gol, não participou de nenhuma jogada e obviamente não foi responsável pelo resultado. Mas sua presença isolada ganhou significado depois que Raí Natalino balançou as redes.

A imagem de um único torcedor comemorando diante de um Mangueirão tomado pela torcida adversária forneceu ao Maringá a narrativa perfeita para celebrar uma das vitórias mais importantes de sua história recente.

Torcedor solitário vira símbolo da classificação

Durante a partida, Cássio permaneceu no espaço destinado aos visitantes, cercado por cadeiras vazias e separado da multidão bicolor.

Nas imagens que circulam nas redes sociais, o torcedor aparece incentivando o Maringá, fazendo gestos de apoio ao time e acompanhando a partida em pé. A cena chamou atenção justamente pelo contraste: de um lado, dezenas de milhares de torcedores do Paysandu; do outro, um representante visível da torcida visitante.

A dimensão dessa diferença ajuda a explicar a repercussão.

O borderô registrou 41.405 presentes, sendo 37.887 pagantes, e renda bruta de R$ 1.180.482. O público colocou Paysandu x Maringá entre as maiores marcas registradas no Mangueirão em 2026.

A diretoria bicolor havia feito uma ampla mobilização para transformar o estádio em um caldeirão. A partida foi transferida da Curuzu para o Mangueirão e teve ingressos promocionais de arquibancada a partir de R$ 10. Antes mesmo do confronto, mais de 30 mil torcedores já estavam confirmados.

Gol aos 39 minutos fez o Mangueirão silenciar

A recompensa para a persistência do torcedor visitante veio quando o relógio já caminhava para o fim.

Aos 39 minutos do segundo tempo, o Maringá encaixou o contra-ataque que mudou completamente a atmosfera do estádio. Negueba encontrou Raí Natalino, que havia entrado pouco antes. O atacante avançou e finalizou na saída do goleiro para fazer 1 a 0.

Por alguns instantes, a explosão sonora produzida durante praticamente toda a partida deu lugar ao silêncio e à apreensão nas arquibancadas bicolores.

Foi nesse cenário que o apoio solitário ganhou ainda mais força simbólica. Enquanto mais de 40 mil torcedores lamentavam o gol, Cássio tinha motivos de sobra para comemorar.

O resultado era exatamente aquilo de que o Maringá precisava.

Até o gol, a combinação dos demais jogos estava eliminando o clube paranaense. Com a vitória, o Dogão saltou na classificação e terminou a primeira fase em quarto lugar, com 30 pontos.

Maringá transforma torcedor em personagem da classificação

Depois da partida, o próprio clube fez questão de destacar Cássio Augusto.

Na postagem indicada, o Maringá agradeceu diretamente ao torcedor e afirmou que toda a “nação maringaense” estava representada por ele no Mangueirão.

“Obrigado, @prof.cassio_augusto! A nação maringaense estava com você no Mangueirão!”

A mensagem terminou com outra frase utilizada pelo clube para transformar a cena em símbolo da campanha: “Onde tem um Tricolor, todos estão presentes!”

Nos comentários da publicação, a situação despertou principalmente manifestações de admiração pela disposição do torcedor em representar o clube longe de casa e brincadeiras em torno da enorme diferença numérica existente nas arquibancadas.

O tom de “uma voz contra 41 mil” ganhou ainda mais força porque o resultado em campo terminou favorável justamente ao visitante.

Festa bicolor estava pronta

Antes do jogo, o cenário era completamente diferente.

O Paysandu chegou à última rodada ocupando a terceira colocação e precisava apenas de um empate para assegurar matematicamente a vaga sem depender dos demais resultados. O Maringá começou a rodada em 10º lugar, pressionado pela necessidade de pontuar e acompanhar uma série de partidas simultâneas.

O Papão teve oportunidades para transformar o domínio das arquibancadas em vantagem no placar. A principal delas ocorreu no segundo tempo, quando Ítalo acertou a trave. O time bicolor pressionou em vários momentos, mas não conseguiu marcar.

O Maringá resistiu e aproveitou a chance decisiva.

Aos 39 minutos, Raí Natalino fez o gol que garantiu uma classificação inédita do clube paranaense para a segunda fase da Série C.

Paysandu perdeu, mas avançou

Apesar do contraste entre a festa de Cássio e a frustração das arquibancadas, a noite não terminou em eliminação para o Paysandu.

Mesmo derrotado, o Papão foi beneficiado pelos resultados das outras partidas e terminou a primeira fase em sétimo lugar, com 29 pontos, garantindo presença no quadrangular que definirá quatro acessos à Série B de 2027.

O Maringá terminou em quarto, com 30 pontos.

Na próxima etapa, os clubes seguirão caminhos diferentes. O Dogão ficou no grupo com Botafogo-PB, Floresta e Santa Cruz. Já o Paysandu terá pela frente Brusque, Ferroviária e Inter de Limeira. Os dois primeiros colocados de cada quadrangular garantem o acesso.

O post Uma voz contra 41 mil: quem é o torcedor solitário do Maringá que “calou” o Mangueirão em Belém? apareceu primeiro em Diário do Pará.

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