O técnico Júnior Rocha defendeu o trabalho realizado no Paysandu após a derrota por 1 a 0 para o Maringá, neste sábado (29/08), no Mangueirão, e afirmou que o time bicolor tem condições de enfrentar de igual para igual os adversários do chamado “grupo da morte” no quadrangular da Série C. Para o treinador, apesar do resultado negativo na última rodada de classificação, a equipe não merecia sair derrotada.
No entanto, durante a entrevista coletiva pós-jogo, ele demonstrou irritação ao ser questionado sobre uma possível perda de confiança da torcida no time e no próprio trabalho após a derrota para o Maringá. O treinador rebateu a ideia de que o resultado pudesse abalar sua autoridade ou a confiança interna no projeto e garantiu que, dentro do Paysandu, o ambiente segue de confiança. Para Rocha, os objetivos traçados pelo clube vêm sendo alcançados ao longo da temporada, e a classificação para o quadrangular representa o início de uma nova etapa.
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“NÓS NÃO MERECÍAMOS TER PERDIDO”
Júnior Rocha reconheceu a frustração pela derrota, principalmente pelo ambiente criado pela torcida no Mangueirão, mas fez questão de agradecer aos torcedores que compareceram em grande número. “Primeiro agradecer à torcida que veio e fez a sua parte. Foram mais de 40 mil pessoas, mais de 45 mil pessoas. Não poderia deixar de lembrar e agradecer ao torcedor”, declarou.
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O treinador destacou que o apoio veio durante toda a partida e afirmou que entende as cobranças após o resultado negativo. “Nos apoiou início, meio e fim. E aí, não vendo o resultado, eles têm toda autonomia de cobrar. Saímos tristes pela derrota porque nós queríamos dar a vitória para o torcedor.”
Na avaliação de Rocha, o Paysandu teve volume suficiente para vencer. “Hoje, com todo respeito ao Maringá, nós não merecíamos ter perdido o jogo, porque nós queríamos mais, nós tivemos mais oportunidade de fazer e não fizemos, e o Maringá teve menos oportunidade e foi mais efetivo”, argumentou.
TÉCNICO NEGA FALTA DE VONTADE
Questionado sobre a postura da equipe e as críticas de que teria faltado determinação em determinados momentos, Júnior Rocha rejeitou a avaliação de que os jogadores não teriam se entregado.
Segundo o treinador, o Paysandu controlou boa parte da partida e criou oportunidades para marcar. “Não achei que faltou vontade, não achei que faltou tesão. Nós pegamos um adversário duro, que investe tanto quanto nós”, avaliou.
Rocha também afirmou que o clube, a comissão técnica e o elenco têm limitações, mas ressaltou que o grupo demonstrou capacidade de superação durante a temporada. “É um grupo resiliente. Em nenhum momento desistiu em nenhum jogo, em nenhum momento largou, em nenhum momento se desesperou.”
“RESETOU”: TREINADOR QUER DEIXAR PRIMEIRA FASE PARA TRÁS
Com a classificação garantida para o quadrangular, o técnico adotou a expressão “resetou” para definir o momento do Paysandu.
Rocha lembrou que, ao longo dos nove meses de trabalho, a equipe alcançou os objetivos estabelecidos pelo clube, citando as conquistas e classificações obtidas durante a temporada. “Os atletas nos entregaram todos os objetivos que o clube traçou. Todos”, ressaltou;
Para ele, a partir de agora começa uma nova competição. “O passado já não nos pertence mais. Agora é um novo campeonato pela frente, que é o quadrangular”, apontou.
O treinador também lembrou que já viveu situações semelhantes na carreira, com equipes classificadas em posições menos favoráveis que posteriormente conseguiram o acesso.
GRUPO DO PAYSANDU SERÁ ENCARADO SEM TEMOR
O Paysandu terminou a primeira fase em sétimo lugar e caiu no chamado “grupo da morte”, ao lado de Brusque, Ferroviária e Inter de Limeira. Mesmo reconhecendo a força dos adversários, Júnior Rocha evitou tratar a chave como uma sentença negativa. “A gente não fica devendo para nenhum time desses aí”, garantiu.
O treinador citou confrontos anteriores contra os adversários e afirmou que o Papão tem condições de competir em igualdade. “Nós temos condições de jogar de igual para igual com todas essas equipes aí”, ponderou.
Rocha também ressaltou que o outro grupo, formado por Botafogo-PB, Santa Cruz, Maringá e Floresta, não pode ser considerado fácil. “É um campeonato difícil, tanto quanto o quadrangular final.”
REFORÇOS E ELENCO ENCORPADO
O técnico vê motivos para acreditar em uma campanha positiva na próxima fase. Segundo ele, os reforços contratados pelo clube já estão adaptados e o elenco chega ao quadrangular sem grandes problemas físicos.
“Vamos estar mais fortes, porque nós contratamos alguns reforços, o pessoal está adaptado já, não tem ninguém machucado, não tem ninguém no departamento médico, a não ser o Bispo”, afirmou.
Para Rocha, que disse ainda aguardar a contratação de uma lateral-esquerdo e de um atacante que jogue pelas pontas, as quatro equipes do grupo começarão a disputa em condições semelhantes. “Todos aí começam do zero, com as mesmas chances de acesso”, opinou.
POR QUE DEMOROU PARA FAZER AS SUBSTITUIÇÕES?
Outro ponto abordado na entrevista foi a demora para realizar mudanças na equipe. Júnior Rocha explicou que não considerou que os jogadores estivessem fazendo uma partida ruim e, por isso, preferiu realizar as substituições conforme o desgaste físico aparecia.
“Eu olhando o jogo, pensando no jogo, não tinha ninguém mal para ser substituído, a não ser o Thayllon, que já estava cansado, e a gente foi substituindo conforme as peças iam alcançando.”
O treinador afirmou que o Paysandu estava comandando a partida e criando oportunidades. “Nós não estávamos fazendo um jogo ruim. Nós estávamos criando nossas oportunidades, a gente estava comandando o jogo.”
ROCHA PROMETE VARIAÇÕES TÁTICAS
O treinador também aproveitou a coletiva para responder às críticas sobre possíveis limitações táticas. Segundo ele, o Paysandu precisa ter diferentes alternativas de acordo com cada adversário.
Rocha citou que a equipe terminou a partida contra o Maringá utilizando uma formação com três jogadores na saída de bola e explicou que mudanças de estrutura não significam necessariamente uma postura mais defensiva. “Vocês vão me colocar como um treinador limitado, que não tem variações. Eu tenho que variar.”
Ele também citou a utilização de diferentes peças e funções durante a partida, destacando jogadores como Lucas Cardoso, Thalyson, Pablo e Marcinho. Sobre Marcinho, o treinador reconheceu que o jogador pode ter partidas abaixo do esperado, mas ressaltou sua importância para o elenco.
“Realmente o Marcinho fez um bom jogo, mas hoje é uma referência técnica para nós, é o capitão da nossa equipe. Vai ter jogos que ele vai fazer bem, vai ter jogos que ele não vai fazer bem. É um ser humano, não é um robô.”
DEFESA PREOCUPA TREINADOR
Apesar de defender a atuação diante do Maringá, Júnior Rocha admitiu que existe uma preocupação com o desempenho defensivo do Paysandu, que terminou a primeira fase com um ataque entre os melhores da competição, mas também sofreu muitos gols.
“Eu fico preocupado, não sou hipócrita, de que a nossa defesa é vazada. A nossa defesa toma mais gol do que fizemos e o nosso ataque é muito bom. Nosso ataque é um dos melhores ataques e uma das piores defesas. Nos preocupa”, confessou.
O treinador, entretanto, afirmou que a utilização de três zagueiros pode oferecer maior equilíbrio sem necessariamente reduzir o poder ofensivo da equipe. “Não significa que nós fomos menos agressivos ou menos ofensivos.”
TORCIDA SERÁ FUNDAMENTAL NO QUADRANGULAR
Com a fase decisiva começando já no próximo fim de semana, Rocha reforçou a necessidade de manter a torcida ao lado da equipe. O técnico acredita que a atmosfera criada no Mangueirão pode ser uma arma importante para o Paysandu durante o quadrangular. “Nós precisamos muito do torcedor. A atmosfera que a gente faz aqui, todo time sente”, enfatizou.
Segundo ele, o próprio Maringá teria sentido a pressão criada nas arquibancadas durante a partida. “Vocês acham que o Maringá não sentiu o jogo? Nós criamos nossas chances ali no primeiro tempo, fizemos um ótimo primeiro tempo, porque o time sente mesmo essa atmosfera que a torcida faz”, assegurou.
Para o treinador, o resultado diante do Maringá ficou para trás e o foco agora está nos seis jogos que podem definir o futuro do Paysandu na temporada. “É a gente levantar a cabeça agora, estudar o adversário já o próximo. Final de semana nós já estamos aí, na Arena de novo, e o jogo em casa. Mobilizar a torcida para vir nos apoiar”, projetou.






