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Greve do elenco faz Ponte Preta levar jovens da base para jogo pela Série B

A Ponte Preta vai enfrentar o América-MG neste domingo (30/08), pela 25ª rodada da Série B, exclusivamente com jogadores formados nas categorias de base. A decisão foi tomada pelo clube para evitar um W.O., depois que o elenco profissional entrou em greve por causa dos atrasos salariais, que chegam a seis meses em alguns casos.

A crise ganhou um novo capítulo na última quarta-feira (26/08), quando os jogadores do time principal decidiram interromper as atividades. O grupo entregou uma notificação à diretoria alegando viver uma situação de abandono por parte dos dirigentes.

CONTEÚDO RELACIONADO

A insatisfação é motivada principalmente pelos salários atrasados. Segundo os atletas, há integrantes do elenco que estão sem receber há cerca de seis meses. Diante da paralisação, a Macaca precisou recorrer aos jogadores da base para conseguir colocar um time em campo e evitar a perda da partida por W.O.

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APENAS 16 JOGADORES RELACIONADOS

Para o confronto diante do América-MG, a Ponte Preta terá somente 16 jogadores à disposição, todos formados no próprio clube. Parte deles já vinha sendo integrada ao elenco profissional e participando das partidas, enquanto outros foram chamados às pressas diante da greve.

Com o número reduzido de atletas, o técnico terá apenas cinco opções no banco de reservas durante a partida.

GILSON KLEINA ESTREIA EM MEIO AO CAOS

O jogo também marcará o retorno de Gilson Kleina ao comando da Ponte Preta. O treinador fará sua sexta passagem pelo clube e assumiu a equipe após a saída de Márcio Zanardi, que pediu demissão em meio ao agravamento da crise.

A estreia ocorre justamente em um dos momentos mais delicados da história recente da Macaca, que precisa reagir dentro de campo enquanto enfrenta problemas financeiros e administrativos fora dele.

PONTE PRETA É LANTERNA DA SÉRIE B

A situação esportiva também é preocupante. A Ponte Preta ocupa a última colocação da Série B, com apenas 10 pontos em 24 jogos.

A distância para o Avaí, primeiro time fora da zona de rebaixamento, é de 19 pontos, deixando a equipe paulista em uma situação extremamente complicada na tentativa de evitar a queda.

A possibilidade de paralisação do elenco profissional já vinha sendo discutida desde a semana anterior. No dia 19, os jogadores divulgaram um comunicado estabelecendo 25 de agosto como prazo para que a diretoria apresentasse uma resposta para os problemas enfrentados.

No documento, o grupo também mencionou a necessidade de um projeto de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como uma possível alternativa para ajudar a reorganizar as finanças do clube.

PROBLEMAS FINANCEIROS TAMBÉM CHEGAM À FIFA

A crise financeira da Ponte Preta também tem reflexos no cenário internacional. O clube possui atualmente dois transfer bans ativos no sistema da Fifa, o que impede o registro de novos jogadores até que as dívidas que deram origem às punições sejam quitadas.

Não é a primeira vez que a Macaca enfrenta esse tipo de restrição. No início do ano, o clube também ficou impedido de registrar reforços. Por causa disso, iniciou sua campanha no Campeonato Paulista utilizando jogadores remanescentes da temporada anterior e atletas promovidos das categorias de base.

A diretoria conseguiu solucionar a pendência naquele momento, mas voltou a enfrentar dificuldades financeiras que resultaram em novas restrições.

SEGUNDO REBAIXAMENTO PODE ACONTECER EM MENOS DE UM ANO

A crise coloca a Ponte Preta diante da possibilidade de sofrer dois rebaixamentos na mesma temporada.

No Campeonato Paulista, a equipe terminou na última posição e foi rebaixada após somar apenas um ponto na primeira fase. Foram sete derrotas e apenas um empate, justamente diante do Noroeste.

O possível rebaixamento na Série B aconteceria apenas dez meses depois de um dos momentos mais importantes da história recente do clube.

DA CONQUISTA DA SÉRIE C À CRISE

No ano passado, a Ponte Preta conquistou o título da Série C do Campeonato Brasileiro, derrotando o Londrina na decisão e garantindo o retorno à segunda divisão nacional.

A conquista, entretanto, já ocorreu em meio a dificuldades financeiras. O cenário se agravou posteriormente e hoje envolve salários atrasados, restrições para contratar, greve dos jogadores e risco de um novo rebaixamento.

Assim, a partida contra o América-MG representa mais do que uma tentativa de recuperação na tabela: será um jogo disputado por uma Ponte Preta obrigada a recorrer aos próprios jovens para permanecer em campo enquanto tenta atravessar uma das maiores crises de sua história recente.

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