Alison dos Santos, conhecido mundialmente como Piu, acaba de colocar seu nome definitivamente na história do atletismo. O brasileiro correu os 400m com barreiras em 45s80, nesta quinta-feira (27), na Diamond League de Zurique, na Suíça, e estabeleceu o novo recorde mundial da prova.
A marca colocou o brasileiro acima de nomes que marcaram uma geração do atletismo, como o norueguês Karsten Warholm e o norte-americano Rai Benjamin. Warholm, que havia sido recordista mundial com 45s94, terminou a prova em Zurique com 46s69.
Mas a história de Piu começou muito antes dos grandes estádios, das medalhas e dos recordes.
Um acidente que deixou marcas
Nascido em São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo, Alison sofreu um grave acidente quando tinha apenas 10 meses de vida. Ele derrubou uma panela com óleo quente sobre o próprio corpo.
As queimaduras deixaram cicatrizes que o atleta carrega até hoje na cabeça e em outras partes do corpo.
Na infância, Alison começou no judô, mas acabou encontrando no atletismo o caminho que mudaria sua vida. Foi em um projeto social que ele começou a praticar a modalidade e ganhou o apelido de Piu, que o acompanha até hoje.
Aos 15 anos, conheceu a treinadora Ana Cláudia Fidélis, que ajudou a desenvolver seu potencial. Mais tarde, Alison se mudou para São Paulo para treinar com Felipe Siqueira, seu treinador até hoje.
De promessa a fenômeno
A explosão internacional veio em 2019, nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Aos 19 anos, Alison conquistou o ouro nos 400m com barreiras e chamou a atenção do mundo.
Naquele mesmo ano, disputou o Mundial de Atletismo e chegou à final, terminando em sétimo lugar com 48s28, até então sua melhor marca.
O salto de qualidade veio nos anos seguintes.
Em 2021, Piu passou a correr abaixo dos 48 segundos e começou a desafiar os principais nomes da prova. Foi quando surgiu uma das maiores rivalidades do atletismo recente: Alison dos Santos, Karsten Warholm e Rai Benjamin.
Os três passaram a protagonizar algumas das corridas mais rápidas e disputadas da história dos 400m com barreiras.
Bronze olímpico em Tóquio
Na primeira participação olímpica, Alison conquistou a medalha de bronze em Tóquio 2020, realizada em 2021.
O brasileiro cruzou a linha de chegada em 46s72, marca que seria recorde mundial até poucas semanas antes da prova.
A corrida entrou para a história. Warholm venceu com o então recorde mundial de 45s94, enquanto Rai Benjamin ficou com a prata, em 46s17.
Piu terminou em terceiro e, aos 21 anos, já aparecia entre os atletas mais rápidos de todos os tempos nos 400m com barreiras.
O ouro mundial
Se Tóquio mostrou que Alison estava entre os melhores do planeta, 2022 confirmou que ele poderia vencê-los.
No Mundial de Atletismo, o brasileiro conquistou o ouro nos 400m com barreiras ao superar justamente Warholm e Benjamin.
Piu venceu com 46s29 e fez história como o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de ouro em provas masculinas de pista em um Mundial de Atletismo.
Lesão e mais uma medalha olímpica
A trajetória sofreu um revés no início de 2023. Alison teve uma lesão no joelho e precisou passar por cirurgia.
A recuperação exigiu tempo, mas Piu conseguiu voltar ao alto nível.
Em Paris 2024, voltou ao pódio olímpico. Terminou novamente com a medalha de bronze, com 47s26. Rai Benjamin ficou com o ouro e Karsten Warholm levou a prata.
Foi a segunda medalha olímpica consecutiva do brasileiro.
O recorde que colocou Piu no topo
Depois de anos perseguindo os melhores tempos da história, Alison chegou ao auge em 27 de agosto de 2026.
Na Diamond League de Zurique, o brasileiro correu os 400m com barreiras em 45s80.
Além de vencer a prova, Piu derrubou em 14 centésimos o recorde mundial de Warholm e se tornou o segundo homem da história a correr abaixo dos 46 segundos na distância.
A diferença é que, agora, o brasileiro é o dono da melhor marca de todos os tempos.
Piu também baixou sua própria melhor marca em impressionantes 63 centésimos.
Uma temporada perfeita
O recorde não surgiu por acaso. Alison chega a Zurique em uma temporada praticamente perfeita nos 400m com barreiras.
Em 2026, venceu as etapas de Xiamen, Oslo, Silésia e Zurique, além de conquistar o Troféu Brasil.
Alison dos Santos em 2026
| Competição | Tempo | Resultado |
|---|---|---|
| Diamond League de Xiamen | 46s72 | 1º |
| Diamond League de Oslo | 46s89 | 1º |
| Troféu Brasil | 46s48 | 1º |
| Diamond League da Silésia | 46s43 | 1º |
| Diamond League de Zurique | 45s80 | 1º — recorde mundial |
Um dos maiores atletas do Brasil
Com o recorde mundial, Alison dos Santos entrou em um grupo ainda mais exclusivo do esporte brasileiro.
Ele é o quinto brasileiro a estabelecer um recorde mundial, ao lado de nomes históricos como Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudêncio, João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, e Ronaldo da Costa.
Os três primeiros fizeram história no salto triplo, enquanto Ronaldo da Costa estabeleceu o recorde mundial da maratona em 1998.
Agora, o nome de Alison dos Santos também está nessa lista.
E a história de Piu ainda não terminou.
Medalhista olímpico em Tóquio e Paris, campeão mundial e agora recordista mundial dos 400m com barreiras, o brasileiro chega à reta final do ciclo olímpico como o homem a ser batido.
A próxima grande parada será a final da Diamond League, em Bruxelas, nos dias 4 e 5 de setembro.
Depois de conquistar o mundo, Piu agora corre atrás de um novo objetivo: transformar o recordista mundial em campeão olímpico.
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