O atleta Wilber Honório Muñoz, o Homem-Peixe, foi visto vivo e nadando na região de Vila do Conde, em Barcarena. Ele seguia acompanhado por um caiaque de apoio durante a travessia pela Baía de Marajó.
O atleta e ativista ambiental colombiano Wilber Honório Muñoz, conhecido como Homem-Peixe ou “Super H”, desapareceu nesta sexta-feira (28) durante uma travessia a nado na Baía de Marajó, no Pará. Ele iniciou o percurso por volta das 4h, mas a equipe que acompanhava a expedição perdeu o contato visual com o nadador em meio às condições adversas encontradas na região.
Segundo informações divulgadas nas redes sociais por pessoas que acompanham a expedição, a forte maresia e as condições da baía dificultaram a localização do colombiano. Desde então, uma mobilização tenta encontrar o atleta, que estava justamente em uma das etapas consideradas mais perigosas da jornada até Belém.
As buscas envolvem lanchas, jet skis e drone. Integrantes da equipe também percorrem diferentes pontos da Baía de Marajó na tentativa de localizar Wilber.
Relatos publicados durante a operação indicam que as buscas passaram pela região da Ponta do Malato e por outros trechos da baía. Até a última atualização considerada nesta reportagem, o atleta ainda não havia sido localizado.
O desaparecimento acontece justamente no momento em que Wilber enfrentava aquele que ele próprio havia apontado como um dos maiores desafios de toda a expedição.
Travessia de 24 quilômetros na Baía de Marajó
A etapa iniciada na madrugada desta sexta-feira tem aproximadamente 24 quilômetros e integra a reta final do projeto “Amazonas a Pulmão”, expedição ambiental que tem Belém como destino.
Antes de entrar na água, Wilber já havia chamado atenção para as dificuldades da Baía de Marajó. Em vídeos publicados nas redes sociais, explicou que precisava considerar a força das correntezas, as mudanças das marés e as condições das águas para conseguir avançar.
O colombiano também havia manifestado preocupação com a complexidade desse trecho.
A região representa um desafio diferente de grande parte dos rios percorridos anteriormente. Além da distância, a combinação de marés, correntes e condições meteorológicas pode interferir diretamente na trajetória de um nadador em águas abertas.
Nesta sexta-feira, o risco que vinha sendo relatado pelo próprio atleta ganhou contornos dramáticos quando a equipe deixou de enxergá-lo durante a travessia.
Buscas intensificadas na Baía de Marajó
Após a perda do contato visual, integrantes da expedição começaram a procurar Wilber por diferentes pontos da baía.
Imagens e relatos divulgados nas redes sociais mostram a mobilização para tentar determinar para onde o nadador poderia ter sido levado pelas águas. Em razão das correntes, a área de procura pode se ampliar rapidamente.
Lanchas e jet skis estão sendo utilizados para percorrer a região, enquanto um drone auxilia na observação aérea.
A equipe também tenta analisar o comportamento da correnteza e o sentido das águas para estabelecer possíveis áreas onde Wilber possa estar.
Até o momento, não foram divulgadas informações conclusivas sobre o que aconteceu depois que o atleta deixou de ser visto.
Jornada de mais de 6 mil quilômetros pela Amazônia
O desaparecimento ocorre depois de uma jornada de mais de 300 dias pelos rios amazônicos.
Professor de educação física, nadador e ativista ambiental, Wilber iniciou o projeto “Amazonas a Pulmón” no Peru e entrou no território brasileiro pela região de Tabatinga, no Amazonas.
Desde então, atravessou milhares de quilômetros seguindo o curso do Amazonas. A expedição já acumulava aproximadamente 6,6 mil quilômetros quando chegou à reta final no Pará.
No caminho, o colombiano passou por cidades como Manaus e Parintins, no Amazonas, antes de avançar pelo território paraense.
No Pará, a jornada incluiu municípios como Juruti, Óbidos e Santarém. Durante a passagem pelas cidades, Wilber recebeu apoio de nadadores, grupos de canoagem e moradores das comunidades ribeirinhas.
Em Santarém, por exemplo, nadadores locais acompanharam parte de sua chegada. Em determinados momentos da expedição, ele chegava a percorrer aproximadamente 40 quilômetros em um único dia.
Desafios físicos e ambientais da expedição
A longa permanência dentro d’água também provocou problemas durante a viagem.
Ao longo da expedição, Wilber relatou dificuldades provocadas por temporais, correntezas e problemas com a estrutura de apoio. Também enfrentou infecção na pele e episódios de mal-estar depois de ingerir água durante alguns trechos.
Na reta final, a rotina chegava a aproximadamente seis horas diárias de natação.
Mesmo diante dos problemas, o colombiano manteve o objetivo de alcançar Belém e concluir na capital paraense a travessia iniciada no Peru.
Baía de Marajó: o grande obstáculo antes de Belém
Pouco antes de desaparecer, Wilber havia relatado publicamente as dificuldades para atravessar a Baía de Marajó.
O nadador chegou a explicar aos seguidores que precisava estudar o movimento das águas e encontrar o momento adequado para avançar. A preocupação era evitar que a correnteza comprometesse a trajetória planejada.
O trecho de aproximadamente 24 quilômetros estava entre os últimos grandes obstáculos antes da aproximação de Belém.
Wilber chegou a dizer que qualquer ajuda seria bem-vinda diante da complexidade da travessia.
Agora, justamente as condições que preocupavam o atleta estão entre os fatores considerados durante as buscas.
Projeto “Amazonas a Pulmão” e a bandeira ambiental
A expedição de Wilber não foi planejada apenas como desafio esportivo.
O projeto “Amazonas a Pulmão” utiliza a travessia a nado como instrumento para chamar atenção para a preservação da Amazônia e, principalmente, para a poluição dos rios.
Ao longo da viagem, o colombiano participou de encontros em escolas, universidades e comunidades ribeirinhas para falar sobre os impactos provocados pelo descarte de resíduos.
Um dos principais focos da campanha é a presença crescente de plástico nas águas amazônicas.
Wilber costuma explicar que decidiu unir duas paixões — a natação e a defesa ambiental — para tentar ampliar a conscientização sobre a necessidade de proteger os rios.
Belém estava próxima: o desfecho incerto da jornada
A preocupação com o desaparecimento aumenta porque Wilber estava muito próximo de concluir uma jornada iniciada há mais de 300 dias.
Depois de atravessar milhares de quilômetros, Belém havia sido escolhida como ponto final da expedição.
A previsão era superar a região do Marajó e posteriormente avançar pelos últimos trechos até a capital paraense, onde encerraria o projeto ambiental.
A chegada, entretanto, deu lugar a uma operação de procura.
Nesta sexta-feira, enquanto embarcações percorrem a Baía de Marajó e o drone auxilia nas buscas aéreas, familiares, integrantes da expedição e seguidores aguardam informações sobre o paradeiro do “Homem-Peixe”.
Até a última atualização desta reportagem, Wilber Honório Muñoz permanecia desaparecido.
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