Uma lista com fotos de adolescentes e jovens de escolas particulares de Belém mobilizou famílias e levou vítimas a procurar a Polícia Civil do Pará. Segundo informações apuradas pela RBATV e relatos de pessoas que tiveram imagens incluídas no material, mais de 15 denúncias já foram feitas às autoridades.
O caso envolve a plataforma e comunidades on-line do Discord. De acordo com os relatos, pessoas teriam reunido fotos de adolescentes e jovens publicadas nas redes sociais e incluído as imagens em uma espécie de ranking com classificações de cunho sexual e extremamente ofensivas.
As imagens teriam sido retiradas de redes sociais das próprias jovens e, em alguns casos, também de perfis de familiares. Fotos feitas em momentos comuns, como estudos, festas e outros eventos, teriam sido usadas sem autorização.
Uma das vítimas, de 18 anos, conversou com a repórter Sancha Luna, da RBATV, nesta quinta-feira, 27 de agosto, para o programa Bora Cidade. Ela falou sob condição de anonimato e descreveu o medo depois de descobrir que uma foto sua havia sido incluída no material.
“A gente fica muito assustada, insegura de sair na rua e de ser reconhecida. E medo também das pessoas que concordam com isso e acabam usando isso de exemplo”, afirmou a jovem.
A vítima contou que descobriu a situação depois de receber uma ligação de uma amiga. Segundo ela, a informação chegou de forma inesperada e provocou um sentimento de choque.
“Quando a gente vê a foto, perde o sentido, perde o carinho do momento que a foto foi tirada. A gente começa a lembrar do momento em que isso aconteceu”, relatou.
Ela também afirmou que não conhecia a maior parte das pessoas que, segundo as informações recebidas pelas vítimas, teriam participado da criação ou da divulgação do conteúdo.
“São pessoas que eu nem conheço. Conheço um, no máximo de vista, falava por educação. E o que torna mais assustador ainda é saber que pessoas que eu não conheço tiraram um tempo das suas vidas para pegar uma foto minha de uma rede social e usar para esse tipo de coisa”, declarou.
A jovem confirmou que procurou a polícia e pediu que outras vítimas também denunciem o caso. “Já denunciei e espero que as outras vítimas também denunciem”, disse.
Segundo as informações apresentadas durante a reportagem da RBATV, famílias procuraram a Divisão de Atendimento à Criança e ao Adolescente (DATA, para comunicar os fatos. A Polícia Civil informou à equipe de reportagem que o caso também é investigado pela área responsável pelo combate aos crimes cibernéticos.
O episódio chamou a atenção porque a lista teria reunido fotos de pessoas de diferentes idades. Entre as vítimas, segundo relatos que circulam nas redes sociais e chegaram às famílias, há adolescentes menores de idade. Algumas teriam apenas 13 anos.
Uma segunda publicação compartilhada nas redes sociais também em tom de exposição descreve que três universitários, todos maiores de idade, teriam criado a lista que reunia fotos de diversas meninas e jovens com classificações consideradas desrespeitosas e de cunho sexual. O texto afirma que as vítimas teriam sido classificadas com termos como “comível” e “engravídavel”.
A mesma publicação afirma que várias vítimas estudaram em uma antiga escola frequentada pelos supostos envolvidos.
Em outro registro que circula entre estudantes e familiares, um jovem aparece em uma conversa admitindo que participou da inclusão de imagens na lista – seria um estudante de 18 anos aluno de Medicina em uma faculdade particular de Belém. Na mensagem, ele afirma que um amigo já tinha uma lista e o chamou, junto com outro rapaz, para “botar mais gente”. Em seguida, diz que colocou fotos de ex-namoradas, de meninas de sua antiga escola e de outras pessoas que conhecia.
O jovem também escreveu: “Mas não isento minha culpa, não, porque eu contribuí com isso”. Depois, afirmou: “Então, perdão aí a todas”.
As denúncias estão sob investigação, e a responsabilidade de cada pessoa deverá ser apurada pelas autoridades competentes.
O caso provocou forte reação entre pais, estudantes e responsáveis. Famílias passaram a compartilhar informações e a procurar a polícia depois que as jovens descobriram que imagens pessoais estavam sendo utilizadas em um ambiente on-line para receber comentários e classificações de teor sexual.
A situação também reacendeu o alerta sobre a exposição de adolescentes na internet e sobre o uso indevido de fotografias publicadas em perfis pessoais. A vítima entrevistada pela RBATV contou que utilizava a plataforma quando era mais nova para jogar e conversar com amigos. “Usava para jogar com os amigos, e esse era o intuito real da plataforma”, afirmou.
Agora, porém, a experiência associada ao ambiente digital ganhou outro significado para ela. A jovem disse que o episódio trouxe medo e insegurança, especialmente pela possibilidade de encontrar pessoas que tiveram acesso ao material.
As investigações devem apurar como as fotos foram reunidas, quem participou da criação e da administração da lista, quem divulgou o conteúdo e se houve outros crimes relacionados à exposição e à sexualização de adolescentes.
O post Mais de 15 denunciam exposição feita por estudante de Medicina no Discord: “Fico insegura até de sair na rua” apareceu primeiro em Diário do Pará.






