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Habib’s em crise: dona da rede entra em recuperação judicial; veja o que aconteceu

Reprodução

O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou em recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi apresentado à Justiça de São Paulo e teve o processamento deferido pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.

A medida representa uma nova etapa na crise financeira do grupo. Antes de recorrer à recuperação judicial, a empresa havia buscado na Justiça uma proteção temporária contra credores para ganhar tempo e tentar negociar as dívidas. As tratativas, porém, não foram suficientes para solucionar o problema.

Apesar da recuperação judicial, o grupo afirma que as operações continuam funcionando normalmente, sem alteração no atendimento aos clientes.

Quanto o Grupo Gennius deve?

No processo de recuperação judicial, o Grupo Gennius declarou um passivo de R$ 265,2 milhões.

O pedido envolve uma estrutura empresarial ampla, com 178 empresas, incluindo:

  • 119 lojas do Habib’s;
  • 26 unidades do Ragazzo;
  • 6 churrascarias Tendall Grill;
  • 10 franqueadoras e holdings;
  • 17 sociedades ligadas à estrutura operacional.

A recuperação judicial foi deferida pelo juiz Jomar Juarez Amorim, que nomeou a KPMG como administradora judicial do processo.

Por que o dono do Habib’s entrou em recuperação judicial?

O Grupo Gennius atribui a crise financeira a uma combinação de fatores que afetaram o setor de alimentação nos últimos anos.

Entre os motivos apontados estão os efeitos da pandemia de Covid-19, a mudança nos hábitos de consumo, o crescimento das plataformas de delivery e a alta dos juros.

Segundo o grupo, a redução do movimento em lojas instaladas em shoppings e centros urbanos prejudicou os resultados. Ao mesmo tempo, o avanço do delivery mudou a forma como os consumidores passaram a comprar alimentos.

A empresa também afirma que a elevação dos juros aumentou o custo de captação e de rolagem das dívidas, pressionando o fluxo de caixa.

O que aconteceu com a dívida de R$ 312 milhões?

A crise do Grupo Gennius já havia sido informada anteriormente, quando a empresa buscou proteção judicial para negociar com os credores.

Naquele momento, o valor divulgado era de aproximadamente R$ 312 milhões. Agora, no pedido formal de recuperação judicial, o grupo declarou R$ 265,2 milhões em dívidas.

Portanto, R$ 265,2 milhões é o valor declarado no processo de recuperação judicial atualmente em andamento.

Habib’s vai fechar as lojas?

Não há indicação de fechamento das lojas por causa do pedido de recuperação judicial.

O Grupo Gennius informou que suas operações continuam normalmente, com atendimento aos clientes e manutenção da rotina das unidades.

A recuperação judicial não significa falência. O mecanismo permite que uma empresa em dificuldade financeira reorganize suas dívidas e apresente um plano aos credores enquanto mantém suas atividades.

Com o processamento da recuperação judicial autorizado, o Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação aos credores. A KPMG ficará responsável pela administração judicial do processo.

O plano deverá apresentar as medidas que serão adotadas para reorganizar as finanças e definir como as dívidas serão negociadas e pagas.

Caso o grupo não apresente o plano dentro do prazo, a recuperação judicial poderá ser convertida em falência.

A Justiça de São Paulo determinou a suspensão de ações e execuções contra as empresas que estão sujeitas ao processo, observadas as exceções previstas na legislação.

Também foram estabelecidas medidas para preservar a continuidade das operações durante a recuperação judicial. Por outro lado, a Justiça não autorizou a liberação de determinados recebíveis oferecidos como garantia a instituições financeiras.

Entenda a diferença entre recuperação judicial e falência:

A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas que enfrentam dificuldades financeiras, mas ainda podem continuar suas atividades.

O objetivo é permitir a reestruturação das dívidas, com negociação entre a empresa e seus credores, evitando que a crise resulte imediatamente no encerramento das atividades.

Durante o processo, a empresa continua funcionando, mas passa a ser acompanhada pela Justiça e por um administrador judicial.

Recuperação judicial não é o mesmo que falência: o primeiro mecanismo busca preservar a empresa e reorganizar suas dívidas; a falência ocorre quando não há condições de recuperação.

O que muda para os clientes do Habib’s?

Para quem costuma frequentar o Habib’s, a recuperação judicial não significa, neste momento, o fim das operações.

O grupo afirma que as unidades continuam abertas e funcionando normalmente. A recuperação é uma medida financeira para tentar reorganizar o passivo e garantir a continuidade dos negócios.

O que você precisa saber

A decisão foi parcialmente aceita pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Com isso, o grupo fica protegido de execuções judiciais até o início de setembro, período em que pretende avançar nas negociações com os credores. No entanto, a Justiça negou o pedido para liberar recebíveis que haviam sido dados como garantia a instituições financeiras.

De acordo com a empresa, a medida busca evitar impactos na operação das redes e garantir a continuidade do fornecimento de insumos pelos parceiros comerciais. Um dia antes de recorrer ao Judiciário, o grupo também iniciou um procedimento de mediação para renegociar os débitos.

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